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04 Novembro 2011

Uma ocasião de liberdade que as religiões têm que acompanhar e apoiar, ou um transtorno que corre o risco de colocar em dúvida o já frágil equilíbrio entre a maioria muçulmana e as minorias religiosas no Oriente Médio?

A reportagem é de Alessandro Speciale e está publicada no sítio Vatican Insider, 29-10-2011. A tradução é do Cepat.

O encontro inter-religioso de Assis foi também uma oportunidade para ver as diferenças entre os diversos rostos da "Primavera Árabe", interpretada sob o prisma da fé.

O mais "otimista’, se assim se pode dizer, foi o norueguês Olav Fykse Tveit, Secretário Geral do Conselho Ecumênico de Igrejas que agrupa centenas de Igrejas protestantes, ortodoxas e anglicanas.

Em sua intervenção, que aconteceu na manhã na Basílica de Santa Maria dos Anjos, Tveit falou do papel que os jovens podem ter na construção da paz no mundo: "Vemos que os jovens encabeçam atualmente processos de democratização e de paz em muitos países", disse, fazendo referência de maneira clara às praças árabes, animadas amplamente por jovens que não têm expectativas de realização econômica nem pessoal em suas sociedades empantanadas.

Pouco antes, o pastor havia observado que "um grande obstáculo para uma paz justa atualmente representa o alto nível de desemprego entre os jovens em todo o mundo" e também havia avisado sobre o risco "de colocar em jogo o bem-estar e a felicidade de uma geração". "Necessitamos – havia concluído – das ideias e do valor dos jovens para as mudanças necessárias".

A opinião de Tveit, um pastor luterano, não é apenas a de um ocidental que vê as coisas de longe: o presidente da Federação Luterana Mundial é o palestino Munib A. Younan, bispo de Jerusalém. E à Cidade Santa por excelência – e aos conflitos que a estão desgarrando –, o próprio Tveit dedicou uma parte de sua intervenção.

Mais cinzento é o ponto de vista de outro cristão, o Patriarca Ecumênico de Constantinopla Bartolomeu I. As "primaveras árabes", disse em Assis, "não acabaram com as tensões intercomunitárias" e, pelo contrário, "a situação das religiões em meio às agitações que estão tendo lugar, segue sendo ambígua". "Nós – acrescentou – seguimos, de fato, temendo a marginalização crescente das comunidades cristãs do Oriente Médio" e por isso "temos que nos opor à deformação da mensagem das religiões e de seus símbolos por parte dos autores da violência".

E talvez também nos medos dos cristãos frente aos ventos que estão sacudindo seus países, estava pensando o próprio Bento XVI, quando na oração no Vaticano, às vésperas do encontro de Assis, havia posto em guarda os cristãos para que não caíssem na tentação de se converterem em "lobos entre os lobos", porque não é pelo poder, pela força, pela violência, que se estende o reino de paz de Cristo.

Paradoxalmente, o que faltou neste diálogo à distância, foi a voz muçulmana.

Por outro lado, a delegação muçulmana que participou da Jornada convocada pelo Papa Bento XVI, embora muito numerosa, se caracterizou por algumas ausências de alto nível. A maior de todas, a do príncipe Ghazi bin Muhammad, o primeiro conselheiro do rei Abdullah II da Jordânia para Assuntos Religiosos e Culturais, promotor da iniciativa conhecida como Carta dos 138 que deu um novo impulso ao diálogo do mundo muçulmano com os cristãos e judeus.

O príncipe Ghazi dialogou de igual para igual com o Pontífice durante a visita deste último a Amã, em 2009, e sua presença havia sido dada como certa até o último momento. Mas o príncipe não participou – explicou o porta-voz do Vaticano, o padre Federico Lombardi – por "motivos de saúde" não precisados.

Cancelaram também na última hora a viagem a Assis os dois representantes da Arábia Saudita: o vice-ministro da Educação, Faisal Al Muammar, e o presidente da International Islamic Forum for Dialogue, que, embora não pertençam à família real, permaneceram em seu país por causa dos funerais do Príncipe herdeiro Sultão bin Abdul-Aziz al Saud.

Havia sido anunciada há meses, por outro lado, a ausência de um representante da universidade egípcia de Al Azhar, a máxima autoridade cultural do Islã sunita, que em janeiro passado suspendeu o diálogo com a Santa Sé porque, nos dias precedentes à iminente revolução que levou à destituição de Mubarak, julgou como uma "ingerência’ o chamamento feito pelo Papa para defender os cristãos no Egito.

Também não estava o indonésio Kyai Hahi Hasyim Muzadi, secretário-geral da Conferência Internacional dos Estudiosos Islâmicos, que deveria ter sido o representante da parte muçulmana na Basílica de Santa Maria dos Anjos.

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