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18 Outubro 2011

"O 15.O [15 de outubro] é um movimento global protagonizado por pessoas de diferentes grupos sociais, mas que se declara autônomo, sem filiação, sem hierarquia, sem liderança (...) e serviu para que os "cidadãos do mundo’ mostrem a capacidade que tem a construção de muitos com muitos".  O comentário é de Fernando Peirone, diretor acadêmico da Leitura Mundi, Universidade Nacional de San Martín em artigo publicado no Página/12, 17-10-2011. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

No sábado passado, mais de um milhão de pessoas de mil cidades do mundo saíram às ruas de maneira pacífica e organizada para manifestar-se pela mudança global. Não existem antecedentes de um protesto tão grande e tão cosmopolita para o qual confluíram pessoas de culturas e lugares tão diferentes com o mundo árabe, Europa, Rússia, China, Japão, Austrália, Estados Unidos e América Latina.

Sob o lema We are 99% (Nós somos os 99%) e articulados através do Twitter com hashtags tão significativas como #globalrevolution, #globalchange e #worldwideProtests, esses "cidadãos do mundo" protestaram contra a desigualdade política, a destruição do meio ambiente e os mercados financeiros.

Como aconteceu com a Primavera Árabe e depois na Espanha, Grécia, Itália, Inglaterra e EUA, a primeira manifestação global da história foi convocada através da Internet e das redes sociais, sem líderes nem identificação partidária, apenas com consignas expressivas: "Não somos anti-sistema, o sitema é contra nós", "Se não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir", "Tomam decisões sobre nós, mas sem nós", "Eles, a crise; nós, a alternativa", "Unidos para a mudança global".

Quando em janeiro desse ano começaram na Tunísia os protestos que depois se estenderiam para o Egito e a maioria dos países árabes, muitos pensavam que se tratava do mal estar produzido pelos regimes autocráticos. Mais tarde, quando surgiram os "indignados" na Espanha, Grécia e Itália, muitos reduziram os protestos à crise financeira. Não perceberam nessas insurreições a emergência de um mal estar maior, que não demoraraia em dialogar com os estudantes chilenos, as revoltas da Inglaterra, o movimento Ocupa Wall Street e experiências tão diferentes como as que se vivem em Hong Kong, Frankfurt, Sidney, Genebra, Tokio e Bruxelas.

Todas essas manifestações, para além das particularidades de cada lugar, excedem o mal estar econômico e político que obviamente existe: "Não é crise, é cansaço", "Sobra mês ao final do salário", "Votar é escolher secretamente quem te roubará publicamente". O que está em crise é uma cosmovisão e suas derivações culturais. Isto que muitos chamam "irrupção" tem, entretanto, vários antecedentes. As manifestações de Seattle (1999), o Fórum Social Mundial de Porto Alegre (2001), Gênova (2001), os protestos em Davos no Fórum Econômico Mundial (2003), assim como os protestos por ocasião do Encontro Mundial sobre Mudança Climática de Copenhague (2009), tudo isso construiu a consciência e o caminho do 15.O.

Nenhuma dessas manifestações, porém, foram ouvidas, como tampouco se aprendeu com os perversos acontecimentos da Argentina, e se recolheu as políticas econômicas com as quais se reverteu a crise.

O 15.O é um movimento global protagonizado por pessoas de diferentes grupos sociais, mas que se declara autônomo, sem filiação, sem hierarquia, sem liderança. Não é casual, por exemplo, que na maioria das manifestações tenha aparecido a máscara do Anonymous (adotada do romance  V de Vendetta). A presença dessa máscara representa os cidadãos agindo de maneira pública e organizada frente a objetivos decididos em Assembleias ou através das redes sociais.

Falamos, pois, do surgimento de uma nova dimensão política com um forte tom interpelador; de um dispositivo de implicação horizontal que, por experiência história, desestimula a obediência e busca o consenso. Esse caráter epocal está em sintonia com a atividade que levam adiante organizações colaborativas como Wikipedia e Wikileaks; de fundações internacionais como Avina, Endeavor e Ashoka; da proliferação de TEDx sob o lema Ideas Worth Spreading (Ideias que vale a pena difundir); de coletivos como a Rede Internacional de Comércio Justo e Slow Food; do microcrédito do banqueiro de Blangadesh Muhammad Yunus; das práticas comerciais baseadas na confiança como as que instalaram eBay, MercadoLivre, DeRemate e Craigslist, rompendo com o modelo de negócios competitivo, no qual um ganha e os demais perdem; do conceito da universidade implementada pela Fundação Mozilla Firefox na Peer-to-Peer University; da proteção ambiental que buscam pesquisadores argentinos como Nancy Lis García, Silvia Goyanes e Mirta Aranguren (UBS, UNMdP), com o desenvolvimento do plástico biodegradável à base de mandioca e milho.

Nada disso, por sua vez, está longe do que pesquisam pesquisadores como Howard Rheingold, Clay Shirky, Sir Ken Robinson, Henry Jenkins, Pierre Lévy, Dan Dennett, Jane McGonigal e Dave Meslin, para citar alguns.

Estes olhares alternativos estão criando um sujeito político de alcance global, que ainda é difícil de apreender.  O 15.O serviu para que os "cidadãos do mundo" mostrem a capacidade que tem a construção de muitos com muitos.

 

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