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16 Outubro 2011

"É uma pena que em tempos como os que vivemos, a cada sábado ou domingo em que freqüentamos nossas igrejas dos centros urbanos  para o culto dominical, nas homilias, nos cantos, nas preces das assembléias, não haja nenhuma, absolutamente nenhuma ajuda aos fiéis para uma leitura correta da transparência dos fatos do micro e macro processos históricos atuais", escreve Antonio Cechin, irmão marista e miltante dos movimentos sociais, autor do livro  Empoderamento Popular. Uma pedagogia de libertação. Porto Alegre: Estef, 2010.

Segundo ele, "ao lado desse tipo de homilias ou catequeses insossas, a história da salvação pipocando mundo afora através do levante do mundo árabe, levantes da juventude no Chile, dos índios no Brasil, das quase duzentas cidades nos Estados Unidos com multidões concentradas e clamando por mudanças na linha de autênticos valores humano-divinos".

Eis o artigo.

A História Universal e a História da Salvação não são duas histórias paralelas. Fazem parte de uma única e grande História da inteira Humanidade. O que existe mesmo são duas leituras diferentes. A partir dos fatos do cotidiano, há quem leia uma história apenas humana e há quem, por outro lado, na transparência dos fatos, com um olhar iluminado pela fé, consegue lobrigar uma dimensão divina. Encadeados entre si formam toda uma tessitura a que chamamos de História da Salvação conduzida pelo próprio Deus.

Em tempos de crise profunda de nossa mãe Igreja Católica Apostólica e Romana como os que vivemos atualmente, com deserções em massa de pessoas, como está acontecendo especialmente nos países da Europa, com os sérios problemas de pedofilia atingindo sacerdotes e membros da própria hierarquia, com até falsa santidade de fundadores de congregações religiosas respingando sobre a totalidade dos membros, etc.  temos que alargar nossa visão para o Reino de Deus pregado pelo Homem Messias Jesus de Nazaré. Isso significa ultrapassar as fronteiras da Igreja com seus bilhões de batizados cognominados fiéis e divisar as virtudes e valores de tantas e tantas pessoas e até povos inteiros que vivem como autênticos cristãos anônimos, expressão usada muitas vezes pelo teólogo Karl Rahner.

Quantas vezes ouvimos dizer, nos tempos áureos de nossas Comunidades Eclesiais de Base que forneceram os elementos básicos para a descoberta da Teologia da Libertação a frase: "Jesus Cristo pregou o Reino de Deus mas o que apareceu mesmo foi a Igreja grande instituição" Aliás nos quatro evangelhos do Novo Testamento o vocábulo Igreja aparece uma única vez, ao passo que Reino de Deus, dezenas e dezenas de vezes.

No ano de 1968, os catequistas latino-americanos fomos a Medellín, na Colômbia, quando se tratou de lançar para todo o continente a Catequese Libertadora. Afirmamos lá com todas as letras que nossa Catequese só podia mesmo ser considerada Libertadora, se explodisse ou desabrochasse dos fatos do cotidiano. Por isso ela, a Catequese, teria que deixar de ser apenas uma doutrina, um ensino, uma religiosidade, e quejandos sinônimos, mas ela teria que ajudar a ler os "Sinais dos Tempos", ela teria que fazer ver, em tempo real, a História da Salvação, o Espírito Santo aqui e agora em ação, nas pessoas e no mundo.

É também verdade que voltamos, no ano de 1968 do quinto congresso internacional de Catequese e depois da Assembléia dos Bispos na mesma cidade de Medellín, e reentrando em nossos países de origem tendo lançado aqui e acolá nossas Fichas Catequéticas de acordo com o estipulado pelos princípios da Teologia da Libertação, fomos considerados subversivos pela ditadura que até aprisionou alguns dos nossos e pela própria hierarquia aqui e ali criticados como horizontalistas, como catequistas mais inclinados a formar políticos do que cristãos, etc. etc. Mal vistos tanto no templo como no pretório, tivemos que nos encolher e a nossa Catequese Libertadora, recém alinhavada, teve que hibernar para não "escandalizar" ou não "subverter". Não tivemos o prazo necessário para implantá-la deveras em equipes diocesanas bem preparadas e em cursos de catequistas continente a fora.

Nem pelo tão pouco que sofremos, em termos de "perseguição", desanimamos da Missão. Através da inserção nas periferias, a partir dos problemas bem concretos do dia a dia, empoderamos o povo pobre a fim de lutar por seus direitos. Fome nas periferias? As CEBs empoderadas partiram para a criação de hortas e fornos comunitários. Falta de Moradia? As mesmas CEBs e depois o Movimento Popular pela Moradia, lutaram por terra para morar ou terra para plantar. Para tanto, o povo se organizou em ferramentas de massa como é a Romaria da Terra, o MST, o Movimento dos Catadores, a Romaria das Águas, etc. etc.

É uma pena que em tempos como os que vivemos, a cada sábado ou domingo em que freqüentamos nossas igrejas dos centros urbanos  para o culto dominical, nas homilias, nos cantos, nas preces das assembléias, não haja nenhuma, absolutamente nenhuma ajuda aos fiéis para uma leitura correta da transparência dos fatos do micro e macro processos históricos atuais. Os sermões, em geral dizem o óbvio em termos de doutrina, permanecendo o tempo todo no terreno exclusivamente religioso. Normalmente qualquer frase iniciada pode por qualquer um com um mínimo de instrução religiosa completá-la até seu ponto final, de tão surrada que é sua repetição diuturna. Sermões desse jaez não fazem cócegas em ninguém. A propósito, lembro um catequista da Libertação que dizia: "O evangelho contém dinamite e  esse evangelho que deveria  incendiar-nos em explosões de entusiasmo, a gente o usa como simples pomada que se passa sobre pequenas cicatrizes a fim de diminuir-lhes a ardência."

Ao lado desse tipo de homilias ou catequeses insossas, a história da salvação pipocando mundo afora através do levante do mundo árabe, levantes da juventude no Chile, dos índios no Brasil, das quase duzentas cidades nos Estados Unidos com multidões concentradas e clamando por mudanças na linha de autênticos valores humano-divinos, etc. etc.

Como fecho desa nossa curta reflexão, ouçamos o que acaba de falar o grande filósofo e teólogo Enrique Dussel em cima da efervescência mundial de povos inteiros, mundialmente designados pelos grandes meios de comunicação como "os indignados" que se levantam com uma sede incrível de participação política: "A democracia, na realidade, nunca foi participativa; a norte-americana foi apenas representativa. Tem que fazer uma revolução política para que os indignados deixem de estar nas praças e estejam nas instituições políticas, como povo, vigiando. E então isso vai ser o fim do capital financeiro e vai ser a participação do povo para a melhor vida de todos e não de uma elite. Então vem uma grande revolução que nem mesmo Marx  havia previsto, porque ele a pensava econômica. Mas a revolução é política, porque quando o povo tomar o poder de verdade, institucionalmente, o sistema econômico vai mudar; mas como fruto da decisão política. Então, estamos em um momento político e eu estou elaborando uma Filosofia Política e sai uma Teologia Política. De um tratado que nunca a Teologia tratou, o Tratado de Estado como construtor do Reino de Deus."  Que assim seja! Amém! Aleluia!...


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