Protestos contra mercado financeiro espalham-se pelo mundo

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15 Outubro 2011

Em 78 países do mundo, entre eles a Alemanha, os cidadãos pretendem ir às ruas neste sábado protestar contra o mercado financeiro. As manifestações acontecem em quase mil cidades do mundo.

A reportagem é do sítio Deutsche Welle, 14-10-2011.

Em todos os continentes, os manifestantes querem demonstrar a oposição ao "poder do dinheiro e à injustiça social". Na Alemanha, organizações como Attac, Echte Demokratie Jetzt! (Democracia Real Agora!) e ramificações dos movimentos Occupy anunciam protestos pacíficos em mais de 50 cidades. A maior passeata acontece na metrópole financeira Frankfurt neste sábado (15/10).

A cidade, contudo, "não é o lugar ideal para os protestos", acredita Wolfram Siener, porta-voz do movimento Occupy: Frankfurt, que se orienta no Occupy Wall Street, "porque as pessoas que vivem ali vão bem. O estado de Hessen – onde está localizada Frankfurt – é muito abastado", completa Siener.

Durante a madrugada, os protestos deverão acontecer em forma de vigília em frente à sede do Banco Central Europeu (BCE), inspirada nas ações que estão acontecendo desde o dia 17 de setembro nos EUA. Em Berlim, os protestos deverão ocorrer em frente à sede do governo.

Esfera global

A polícia estima um total de no máximo 300 manifestantes em Frankfurt, enquanto os organizadores apostam na presença de pelo menos mil pessoas. "Os pequenos grupos ou redes podem se unir agora, entendendo que são parte de um todo", diz Siener. O porta-voz para assuntos econômicos e de política financeira do Partido Verde, Sven Giegold, um dos fundadores da rede Attac na Alemanha, observa que "desde os protestos contra a Guerra do Iraque, tornou-se possível reunir os movimentos de base em esfera global".

Siener conclama toda a população a participar dos protestos, "porque, na verdade, não tem mais ninguém satisfeito com esse sistema", diz. As manifestações se voltam sobretudo contra o poder dos mercados financeiros e o comportamento dos políticos, que, segundo os ativistas, ignoram os desejos da população.

"Em completa dependência daqueles que se beneficiam da crise, o governo trabalha em prol de poucos, sem levar em consideração as consequências sociais, humanas ou ecológicas de seus atos", critica Mike Nagler, do movimento Democracia Real Agora! e coordenador das passeatas em Leipzig, no leste do país.

Disseminação rápida

Os protestos encontram apoio até mesmo entre os alvos de suas críticas, ou seja, da classe política. Na Alemanha, as manifestações recebem o aval de parlamentares dos partidos A Esquerda, Verde, SPD e CDU. "Este ano, os protestos se espalharam pelo mundo em ondas", analisa o professor Roland Roth, da Universidade de Magdeburg, especialista em questões ligadas a ativismo civil.

"É frequente que protestos aconteçam em uma região do mundo e sejam sucedidos por outros, com objetivos semelhantes, em lugares totalmente diferentes", observa o professor, traçando paralelos entre as revoluções nos países árabes que receberam o título de Primavera Árabe, os protestos de jovens nos países do sul da Europa e as ações Occupy nos EUA.

Roth, contudo, não acredita que as manifestações na Alemanha tenham a amplitude e a relevância daquelas ocorridas na Espanha e na Grécia, por exemplo. A razão, segundo ele, é que no país falta "um grupo capaz de trazer à tona a experiência da exclusão", como ocorreu com os jovens de boa formação, mas desempregados, que foram às ruas na Espanha.

O sociólogo Dieter Rucht, do Centro de Pesquisa em Ciências Sociais (WZB), em Berlim, também vê com ceticismo a possibilidade de grandes protestos na Alemanha. O contexto político-econômico no país até contribuiu para impulsionar esse tipo de ação, acredita ele, pois "há uma insatisfação generalizada entre a população", diz.

Mas, segundo Rucht, falta no país "um fato mais claro que possa desencadear esses protestos e também um alvo mais concreto dessa indignação". Além disso, diz o sociólogo, falta na Alemanha um "lugar simbólico" como Wall Street, a ser ocupado pelos manifestantes.

Cidadão comum

Klaus Zimmermann, diretor do Instituto de Pesquisa sobre o Futuro do Trabalho, sediado em Bonn, vê os protestos como prova de que o mal-estar com o sistema financeiro internacional atinge hoje o "centro da sociedade", ou seja, o cidadão comum. "Acho que os políticos têm que levar isso a sério, mesmo que eu não concorde com a crítica fundamental a nosso sistema econômico-financeiro", disse Zimmermann ao diário Handelsblatt.

Pelo menos no que diz respeito às redes sociais, o movimento já demonstra angariar simpatizantes. As páginas do Occupy Hamburgo, Occupy Berlim e Occupy Colônia no Facebook já receberam entre mil e dois mil registros de "curti". A Occupy Frankfurt, na metrópole financeira do país, já tem 4500 simpatizantes.

Iniciados há um mês nos EUA, os protestos Occupy Wall Street receberam, de início, pouca atenção, antes de se transformarem em verdadeiros movimentos de massa. No sábado (15/10), é possível que o alcance das manifestações norte-americanas se torne visível também em diversas outras regiões do mundo.

 

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