"Ocupar Wall Street"

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04 Outubro 2011

"Ocupar Wall Street". É a consigna de centenas de jovens – e não tão jovens – que faz duas semanas protestam em Zuccotti Park, ex-Liberty Plaz Park, em pleno centro financeiro de Nova York. A polícia prendeu alguns, borrifou a cara de outros com pimenta, mas eles não abandonaram o lugar onde se reunem e debatem o que fazer. Levantam cartazes onde dizem "Sou formado, não tenho trabalho" e estão tão indignados como seus colegas espanhóis.

A reportagem é de Juan Gelman e publicado pelo Página/12, 02-10-2011. A tradução é do Cepat.

Os meios de comunicação não dão importância, o New York Times os taxa de atores de "uma peça de pantomima", mas os manifestantes vivem em um país com 14 milhões de desempregados segundo dados oficiais (www.bls.gov, 2-9-11) ou 34 milhões segundo estimativas europeias (www.eutimes.net, 6-3-11). No extremo oposto da pirâmide social, exatamente na cúpula, se encontra Bill Gates, o mais rico dos 400 estadunidenses da lista Forbes com bens na ordem de 54 bilhões de dólares (www.forbes.com/forbes400, 21-9-11).

Os 400 juntos têm mais riqueza que 180 milhões de seus co-cidadãos juntos (www.politicalfact.com, 5-3-11). Decididamente, a crise econômica global tem características especiais na primeira potência do mundo. E certas curiosidades.

Os CEO ou diretores executivos das grandes empresas recebem em média 11 milhões de dólares anuais (www.aflcio.org/corporate watch, 2011) e ainda ganham dinheiro mesmo no caixão se morrem durante o desempenho de suas funções. A família de Eugene Isemberg, CEO da Nabor Industries especializada na perfuração de poços de petróleo, teria recebido 235,6 milhões em compensação póstuma, incentivos, bônus e diferentes seguros de vida se Eugene tivésse falecido antes que a empresa renegociasse o acordo (The Wall Streeet Journal, 10-6-0). Para Michael Jeffries, da fábrica de roupa Abercrombie & Fitch, a soma acertada foi modesta: apenas 17 milhões de dólares (www.marketwatch.com, 13-5-09). Desnecessário dizer que não é a situação de muitos assalariados que morrem antes de se aposentaram, inclusive em seus locais de trabalho.

Poucas companhias estão dispostas a conceder compensações póstumas às famílias de seus empregados, por mínima que seja. Acontece o contrário e é sinistro: faz anos que as empresas estadunidenses estabelecem seguros de vida para seus milhões de operários, obtendo assim descontos fiscais e embolsam o recurso quando alguns deles morre. O Wall Street Journal narrou a caso da viúva de um empregado de banco que moveu ação contra o Amegy Bank de Houston reclamando os 1,6 milhão de dólares que a entidade recebeu pelo seguro de vida de seu marido, um seguro que os diretores haviam negociado meses depois que lhe operaram de um cancêr e que mantiveram apesar de tê-lo demitido (//online.wsj.com, 24-2-09).

A pouco mais de um ano das eleições, na qual espera ser reeleito, o presidente Obama apresentou ao Congresso um plano para reduzir o déficit fiscal que chegou a 1,23 bilhões de dólares em agosto passado, ou seja, 8,5% do PIB nacional. O Plano inclui uma alta tributária para os que tem receita superior a 1 milhão de dólares: a chamada "norma Buffet", referência ao multimilionário Warren Buffet, que desde 2007 proclama que ele e seus amigos "megarricos" podem pagar mais impostos.

É difícil que seja aprovado pelos republicanos, mas ainda que o fizéssem, os ganhos da norma chegaria a 0,3% dos contribuintes e pouco significaria em uma década, estima o New York Times (17-9-11). Claro que vale como bandeira eleitoral.

O plano de Obama propõe investimento de 447 bilhões de dólares para criar fontes de empregos, mas alguns especialistas não partilham do otimismo. "É melhor conservar os postos de trabalho do que aumentá-los", opina o conhecido estrategista financeiro John Hermann (www.bloomberg.com, 27-9-11). Contribuíria para criar ou manter uns 280 mil empregos nos dois próximos anos, quantidade exígua dado o desemprego imperante.

Pela internet se organizam e alimentam as manifestações de Zuccotti Park, como aconteceu no Egito, é o twitter a via de contato preferida. Da revolução egípcia aprenderam outras lições: o regime de Mubarak bloqueou a internet com eficácia e um grupo de especialistas e ativistas está empenhado em gerar redes alternativas para no caso que algo similar aconteça (//chronicle.com, 18-9-11). Com a ajuda das novas técnicas, as redes sociais adquiriram um peso político notório e bem o sabem os que convidam a ocupar Wall Street.

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