O pontífice elogia Lutero: "A sua fé é um exemplo"

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25 Setembro 2011

A premissa é a Dieta de Worms, 18 de abril de 1521, diante do imperador Carlos V: "Aqui estou. Não há nada que eu possa fazer. Que Deus me ajude. Amém". O monge agostiniano Martinho Lutero, excomungado por Leão X no dia 3 de janeiro, tem 37 anos e não se retrata das suas teses. Bastam-lhe poucas palavras ("Hier stehe ich. Ich kann nicht anders. Gott helfe mir. Amen" (Aqui estou. Não posso fazer mais nada. Senhor, me ajude. Amém - em tradução livre) para mudar a história da Europa.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 24-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

E agora o primeiro papa alemão desde a Reforma está ali, na igreja do ex-convento dos agostinianos, onde Lutero se formou de 1505 a 1511, sentado diante dos protestantes da Igreja Evangélica. "Para mim, como bispo de Roma, é um momento emocionante encontrá-los aqui", ao lado do altar onde o jovem monge rezou a primeira missa.

E é uma homenagem histórica a de Bento XVI, que elogia de Lutero a "paixão profunda, impulso da sua vida e de todo o seu caminho" pela "questão de Deus", acrescenta que "o seu pensamento, toda a sua espiritualidade foi totalmente cristocêntrica", e explica que "a sua candente pergunta: como me encontro diante de Deus?" deve "tornar-se de novo, e certamente de uma forma nova, também a nossa pergunta".

É um longo dia, o segundo de Bento XVI em sua pátria. Que termina à noite, depois da vigília em Etzelsbach diante de 90 mil fiéis, do encontro com cinco vítimas de "padres e empregados eclesiais" pedófilos, no seminário de Erfurt, como de costume em forma reservada: é a quinta vez ao longo das viagens (em 2008, aconteceu em Washington e em Sydney; no ano passado em Malta e em Londres).

E o papa, "comovido e fortemente abalado" pelos relatos das vítimas – duas mulheres e três homens –, expressou a sua "profunda compaixão e pesar por tudo o que foi cometido contra elas e suas famílias". E mais: "Aos que têm responsabilidade na Igreja, é muito importante enfrentar com cuidado todos os crimes de abuso", assegurou. Repetindo, para além da "proximidade" com as vítimas, "o compromisso de promover medidas eficazes para a proteção das crianças e dos jovens". E a esperança de que "Deus misericordioso queria curar as feridas das pessoas abusadas e dar-lhes a paz interior". No encontro, que durou meia hora, havia também voluntários envolvidos na prevenção.

Certamente, permanecerá de ontem o gesto ecumênico no convento. Músicas de Mendelssohn e de Bach, orações, a bispa Ilse Junkermann que deu as boas-vindas e, na primeira fila, surpreendentemente, o presidente (católico) Christian Wulff, e a chanceler (evangélica) Angela Merkel que elogiou o "este momento muito bonito, um reconhecimento do ecumenismo" e, no discurso de Ratzinger ao Bundestag: "Ele indicou o caminho para o nosso agir cotidiano".

O diálogo com os luteranos, no entanto, continua sendo nada fácil. Se era impensável que o papa retirasse a excomunhão de Lutero, como alguns esperavam, o pastor Nikolaus Schneider apreciou a homenagem ("É uma reavaliação da sua figura"), mas lamentou a falta de "gestos concretos": ele havia pedido ao papa que as famílias com católicos e protestantes pudessem fazer a comunhão juntos.

Enquanto isso, Bento XVI convidou a olhar "para aquilo que temos em comum", mas foi claro: "Falou-se de um dom ecumênico do hóspede. Mas esse é um mal entendido político da fé e do ecumenismo". Porque não é como um compromisso entre Estados: "A fé não é algo que algo sobre o qual concordamos". Ao contrário, concluiu, "nós, cristãos, devemos defender a dignidade inviolável do ser humano, desde a concepção até a morte, nas questões do diagnóstico pré-implantação à eutanásia".

 

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