Relembrando Giancarlo Zizola

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20 Setembro 2011

O pequeno – e, verdade seja dita, um pouco idiossincrático – mundo de correspondentes do Vaticano perdeu um velho amigo esta semana. Giancarlo Zizola, o lendário escritor do Vaticano cujo trabalho apareceu em praticamente todas as publicações italianas e internacionais de importância ao longo das últimas seis décadas, morreu de um aparente ataque cardíaco aos 75 anos.

A análise é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 16-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Zizola estava em Munique, depois da cúpula ecumênica e inter-religiosa anual promovida pela Comunidade de Santo Egídio. Ele morreu, em outras palavras, "com os sapatos postos", ainda segurando o seu dedo no pulso da cena católica mundial.

Zizola começou a cobrir a Igreja em 1961, quando um amigo nos círculos católicos italianos, um desalinhado clérigo de Bérgamo chamado Angelo Roncalli – nessa época, mais conhecido ao mundo como o Papa João XXIII – pediu-lhe para ir a Roma para fazer a cobertura do Concílio Vaticano II para os oito jornais católicos italianos. Como o Vaticano II rapidamente se tornou não apenas uma história católica, mas um fato global, o trabalho de Zizola atraiu muitos seguidores. Ele se viu escrevendo para o prestigiado jornal diário italiano Il Giorno e, depois, para uma série de outras publicações seculares de primeira linha.

Desse ponto em diante, Zizola se estabeleceu como um ponto de referência indispensável para todas as coisas católicas. Ele tinha formação em teologia, escritura e história da Igreja, o que significava que ele trazia profundidade para a sua cobertura das vicissitudes eclesiásticas. Ele era especialmente próximo dos Papas João XXIII e Paulo VI, e dos círculos em torno de ambos os pontífices, o que lhe deu fontes fenomenais e uma perspectiva privilegiada. Na corrida para o conclave de 1978, por exemplo, Zizola publicou um livro em que ele trazia à tona o cardeal polonês Karol Wojtyla como um candidato para o papado, e a história, obviamente, provou que ele estava certo.

Enquanto o tempo passava, Zizola se tornou mais um comentarista do que um repórter da linha de frente, sempre trazendo inteligência para o assunto em mãos. Ele era frequentemente crítico do que via como tendências a abandonar ou a abafar algumas das energias de reforma desencadeadas pelo Concílio Vaticano II. Independentemente da opinião acerca das suas conclusões, ele sempre era uma leitura obrigatória. Vou colocar desta forma: ao longo dos anos, eu provavelmente consumi centenas de artigos de Zizola, e nunca – nem uma única vez, jamais – eu fiquei sem aprender alguma coisa.

Quando eu cheguei em Roma na década de 1990, entrei em contato com Zizola e perguntei-lhe se ele se importaria de dar algumas dicas a um vaticanista noviço. Ele graciosamente me convidou para o seu apartamento e me entregou três regras memoráveis de engajamento: 1) nunca imprima um scoop [furo jornalístico, em inglês] (referindo-se ao sentido italiano de scoop, ou seja, fofocas ao invés de uma notícia real); 2) nunca traia uma fonte; e 3) publique apenas 20% do que você realmente sabe. As pessoas vão confiar mais em você, ele disse, se você tiver uma reputação de moderação.

Eu não posso dizer que eu sempre segui esses conselhos – por uma razão: eu não sei o suficiente para reter 80% do que eu sei. Eu sempre carreguei essas regras de ouro na minha cabeça, no entanto, e acredito que sou um jornalista melhor por causa disso. Não apenas eu. Toda a profissão é melhor porque Zizola abriu caminho para todos nós.

Eu vou me lembrar de Giancarlo Zizola e de sua família nas minhas orações, e peço que os meus leitores façam o mesmo.

 

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