As manobras do Patriarcado de Moscou

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06 Setembro 2011

"Não interferência": essa é a posição pública do Patriarcado de Moscou com relação à presença do papa nas celebrações de 2013 do 1700º aniversário do Édito de Constantino. Mas, conforme relatado pela agência missionária AsiaNews, o Patriarcado, na realidade, estaria tentando fazer com que a Igreja Ortodoxa Sérvia desistisse de convidar Bento XVI.

A reportagem é do sítio Vatican Insider, 04-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A intenção de Moscou de demover os sérvios de convidar o papa foi levantada depois da publicação de uma entrevista do jornal sérvio Politika com o presidente do Departamento de Relações Exteriores do Patriarcado, o metropolita Hilarion. O possível convite ao pontífice havia sido discutido pelos líderes da Igreja Sérvia durante o seu Concílio de maio passado.

Nas relações com o Vaticano, o tema mais quente dessa época era a recente visita do papa à Croácia, onde ele havia rezado junto ao túmulo do cardeal Stepinac (1898-1960), um gesto que ofendeu muitos sérvios ortodoxos, que consideram o beato como um cúmplice do regime ustasha de Ante Pavelic. No fim do Concílio, o comunicado oficial informava que a questão de Nis havia sido abordada, mas não se fazia nenhuma referência aos possíveis convidados. A imprensa logo divulgou informações de que, um mês antes, em abril, durante a sua viagem à Sérvia, Hilarion tinha exposto toda a contrariedade do Patriarcado ao possível convite a Bento XVI.

As celebrações do aniversário do Édito de Milão – que serão realizadas em Nis, na Sérvia, cidade natal do imperador Constantino, que deu fim às perseguições religiosas proclamando a neutralidade do Império Romano com relação a todas as fés – poderia ser uma ocasião para o primeiro encontro entre o papa e o patriarca de Moscou, Kirill, que quase certamente estará presente em Nis. Por isso, a Igreja Ortodoxa Russa estaria buscando fazer com que os sérvios desistissem da ideia: o Patriarcado não quer ser privado da possibilidade de decidir, ele mesmo, o momento do seu tão esperado encontro face a face.

"Trata-se de um assunto interno ao Patriarcado sérvio", explica sucintamente o metropolita Hilarion na entrevista ao Politika. "Pelo que eu saiba, entre os bispos ortodoxos sérvios, não há nenhuma oposição sobre a questão do convite ao papa, nem sobre o significado do aniversário" como um momento de importância histórica "para os representantes das várias denominações cristãs ou como uma oportunidade para expressar a unidade fraterna das Igrejas ortodoxas locais".

Por enquanto, portanto, a posição oficial do Patriarcado é a de simples "não interferência". Pelo menos enquanto os sérvios não tomem uma decisão definitiva.

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