Chefe dos lefebvrianos é convocado ao Vaticano

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23 Agosto 2011

No dia 14 de setembro, o bispo Fellay irá discutir com a Santa Sé um possível acordo.

A reportagem é de Andrea Torniello, publicada no sítio Vatican Insider, 22-08-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O bispo Bernard Fellay, superior-geral da Fraternidade São Pio X, fundada por Dom Lefebvre, foi convocado ao Vaticano para o próximo dia 14 de setembro. É o primeiro encontro de cúpula depois das conversas doutrinais que, no último ano, viram os confrontos em Roma entre as delegações da Santa Sé e dos lefebvrianos.

Desde 2009, a Comissão Ecclesia Dei, que se ocupa da relação com a Fraternidade São Pio X foi englobada na Congregação para a Doutrina da Fé e foi confiada à liderança de Dom Guido Pozzo.

Os colóquios doutrinários, que abordaram todos os pontos considerados problemáticos pelos lefebvrianos, que consideram que, em alguns pontos, o Concílio Vaticano II representou uma ruptura com a tradição da Igreja, foram concluídos nos últimos meses.

Agora, o Vaticano deveria submeter a Fellay os protocolos de entendimento que esclarecem os pontos doutrinais, lendo o Concílio segundo aquela hermenêutica da continuidade na reforma sugerida desde dezembro de 2005 pelo Papa Bento XVI como uma interpretação mais autêntica dos textos do Vaticano II.

Somente se forem superadas as dificuldades doutrinais é que será submetida à Fraternidade uma proposta de sistematização canônica, para resolver a situação em que se encontram as comunidades lefebvrianas. Mesmo que o papa, com um gesto de benevolência, em janeiro de 2009, tenha retirado a excomunhão dos quatro bispos ordenados por Lefebvre, os bispos e os sacerdotes da São Pio X ainda vivem em um estado de irregularidade canônica.

A proposta que foi estudada pelo Vaticano prevê a instituição para os lefebvrianos de um ordinariato semelhante ao que o papa ofereceu aos anglicanos que desejavam entrar novamente em comunhão com a Igreja de Roma. Desse modo, a Fraternidade dependeria da Santa Sé (e precisamente da Comissão Ecclesia Dei) e poderia manter as suas características sem ter que responder aos bispos diocesanos.

O encontro do dia 14 de setembro, que o Vatican Insider conseguiu confirmar, representa, portanto, um novo passo no caminho conturbado desses anos. Mas é prematuro falar das conclusões: é sabido que, dentro da Fraternidade São Pio X, convivem diversas sensibilidades e há uma parte que considera difícil chegar a um acordo.

Deve ser lembrado que o Papa Ratzinger, intencionado a fechar o minicisma lefebvriano, já deu dois passos muito significativos no sentido solicitado pela Fraternidade: liberalizou o velho missal pré-conciliar e levantou as excomunhões vigentes desde 1988.

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