"Chega de silêncio, os políticos devem agir. Há muito ódio contra os imigrantes"

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27 Julho 2011

"Breivik certamente é um desequilibrado. Mas os movimentos populistas e anti-integração, que criam um clima de ódio contra os imigrantes estrangeiros, estão ganhando espaço em vários países europeus. Por isso, os chefes de governo e de Estado, os líderes moderados da centro-direita e da centro-esquerda devem se levantar e falar forte. Mais forte. Finalmente chegou a hora de fazer isso".

A opinião é da sueca Cecilia Malmström, comissária europeia para Assuntos Internos, em entrevista a Pietro Del Re, publicada no jornal La Repubblica, 27-07-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A senhora está passando alguns dias de férias em um lugar onde a senhora também se encontrava na sexta-feira à noite, quando o pesadelo caiu sobre Oslo?

Ouvi as primeiras notícias no rádio, depois logo busquei outras informações e não me afastei da televisão. Eu estava aterrorizada.

Com a figura de Breivik?

Mais uma vez: essa é uma pessoa muito doente, não é difícil entendê-lo. É alguém que preparou a sua ação por muito tempo, que dizia que queria libertar a Noruega seguindo as ideias de uma certa extrema direita. Mas há muitos outros como ele: isto é, que compartilham as suas mesmas ideias embebidas de radicalismo xenófobo. Felizmente, poucos as traduzem em fatos.

Um eurodeputado italiano, Mario Borghezio, da Liga Norte, disse que Breivik é um desequilibrado, um louco, mas que alguns dos seus conceitos sobre a necessidade de uma cruzada para defender os cristãos podem ser partilhados...

Eu conheço a Liga do Norte. Não essas declarações. Mas posso reforçar o que disse: o clima anti-imigração está crescendo em todos os lugares, infelizmente. A polícia faz bem o seu trabalho. E todos os políticos condenam a violência, como é certo e natural fazer. Mas isso não basta, simplesmente não é suficiente.

O que mais é preciso?

É preciso condenar os assassinatos, mas também explicar mais os benefícios do multiculturalismo, da integração, na qual muitos países fracassaram. É preciso explicar sobretudo aos jovens. É preciso dizer um grande "não" alto e claro às campanhas xenófobas. Se isso não for feito, esses grupos se fortalecem cada vez mais.

Isso acontece mais na Escandinávia do que em outros lugares?

Pode acontecer em qualquer lugar. Nenhum país está imune. Nem mesmo a "minha" Suécia. Teoricamente, a Noruega estava exposta em mais de uma frente a ataques terroristas, porque está envolvida na Líbia e no Afeganistão. Mas o perigo vale para todos.

Mas, quando a senhora fala de líderes muito tímidos em condenar as ideias à la Breivik, deve ter em mente algum país em particular...

Veja, o leque dos exemplos na Europa é muito amplo hoje: há países onde a extrema-direita já está no governo, outros em que ela está muito perto do governo, outros ainda em que ela está fora do governo e ainda mantém uma posição de influência decisiva na política e na sociedade.

Muitos dizem que é simplesmente uma questão de medo. Em alguns países, a crescente imigração é percebida como uma ameaça cultural, mas também econômica. Em Oslo, há quem já fale de 10% de imigrantes em menos de 5 milhões de habitantes. E quem diga: antes ou depois, será preciso traçar uma linha, um limite...

Não, não se pode traçar uma linha ou fixar um percentual de imigrantes que não deve ser superado: basta olhar para os Estados Unidos e para a sua história para entender isso.

Mas os Estados Unidos também tiveram o seus problemas nesse âmbito.

Em um mundo ideal, todos deveriam ter a liberdade de se mudar para qualquer lugar, sem barreiras, mas, depois, é claro que, na realidade, a imigração deve ser gerenciada: cabe, porém, a cada país individual decidir, não a Bruxelas.

Vocês não pensam em novas regras, novas diretrizes europeias?

Não. Eu diria que não há necessidade. Ao contrário, é preciso passar logo aos fatos concretos: cada Estado deve combater o radicalismo, disseminado especialmente na Internet, e identificar os jovens que estão em risco, e pensar em como melhor enfrentar os desafios da integração.

Por exemplo?

Nós, por exemplo, em setembro, vamos lançar uma rede entre instituições culturais, religiosas e políticas contra a radicalização das ideias. Depois, vamos dedicar o Conselho dos Ministros Europeus do Interior, aqui em Bruxelas, à luta contra a xenofobia. Mas o mais importante é o que eu disse no início, que os chefes de Estado e de governo falem forte. Ou melhor, há algo mais que eles podem fazer.

O quê?

Eles podem demonstrar a sua liderança justamente nisso. Eu já dizia isso em junho, antes da sua cúpula: "Precisamos de mais solidariedade, tolerância e responsabilidade nas políticas migratórias e, depois, traduzir esses princípios em ação. E tenho certeza que os líderes provarão a sua liderança em tempos tão difíceis". Hoje, depois de Oslo, isso é ainda mais verdadeiro.

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