Greenpeace acusa grandes marcas do setor têxtil de poluir rios chineses

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14 Julho 2011

Em um relatório publicado na quarta-feira (13), intitulado “Roupa suja”, o Greenpeace acusa as maiores marcas mundiais do setor de roupas de manterem relações comerciais com empresas terceirizadas chinesas cujas fábricas estariam lançando produtos químicos tóxicos nos rios.

A reportagem é de Harold Thibault, publicada pelo Le Monde e reproduzida pelo Portal Uol, 15-07-2011.

Os resultados da investigação realizada a partir de amostras de águas residuais de duas fábricas chinesas, analisadas em laboratório no Reino Unido, mostram que um “coquetel de produtos químicos perigosos, incluindo nonilfenóis (pertencentes à família dos alquilfenóis) e produtos químicos perfluorados (PFC)” é despejado pelas empresas.

As amostras foram coletadas na foz do complexo Youngor Textile, na cidade de Ningbo,  e do Well Dyeing, em Zhongshan, situados respectivamente no delta do Rio Yangzi e no do Rio das Pérolas, duas regiões densamente povoadas.

O Greenpeace lembra em seu estudo que os alquifenóis e os PFC são disruptores endócrinos, potencialmente perigosos para a saúde, mesmo em pequenas quantidades. Persistentes no meio ambiente, eles podem se transferir para a cadeia alimentar. Se seu uso é restrito dentro da União Europeia (UE), “eles são amplamente utilizados na indústria têxtil de países em desenvolvimento, tais como a China, onde devem ser  controlados”. As duas fábricas visadas fornecem para gigantes da indústria têxtil, como a Adidas, a Nike, a H&M, a chinesa Li Ning ou ainda a Puma. Essas marcas respondem que nenhum processo úmido – que pode ser a causa das emissões de produtos químicos – é utilizado para suas próprias peças nessas fábricas.

Idealista

Em um comunicado, a Adidas explica que ela “não utiliza tecidos do grupo Youngor que envolveriam a utilização de tintura, de produtos químicos e os procedimentos de tratamento das águas que são associados a eles”. A H&M explicou ao Greenpeace que não recorria a processos úmidos, e que portanto não poderia contribuir para o despejo de produtos químicos no Rio Fenghua, que corre perto da fábrica Youngor. Por fim, a Nike afirmou ter recorrido às duas fábricas citadas unicamente para “o corte e a costura”. A ONG denuncia a abordagem das empresas acusadas e exige dessas marcas que elas eliminem os produtos químicos perigosos de toda sua cadeia de produção. “Eles fazem negócios com poluidores, mas não têm políticas que os obriguem a deixar de soltar esses produtos tóxicos na natureza”, constata Li Yifang, diretora de campanha do Greenpeace na China.

Já a vice-presidente da Youngor Textile, Yu Lida, acredita que o Greenpeace tem uma abordagem “idealista”. “Eles nos acusam porque gostariam que as emissões de produtos químicos não existissem, o que nós entendemos; mas o Greenpeace não pode dizer que não respeitamos as regras do país, ou mesmo as da UE. Se eles não estão satisfeitos com as normas, eles devem tentar mudá-las”, declara Yu.

Para além desse novo caso de poluição, levanta-se a questão da terceirização para países em desenvolvimento como a China, cujas capacidades de controle do impacto ambiental das atividades industriais continuam limitadas.

Li Yifang, do Greenpeace, explica que o relatório foi enviado ao governo central chinês, mas ficou sem resposta. Quanto às autoridades locais de Ningbo, a ativista explica que, “na falta de regulamentação sobre esses produtos químicos, elas não são responsáveis”.

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