Mercado alimenta crise, diz conselheira grega

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07 Julho 2011

A estabilidade política da Grécia vem sendo minada pelas mensagens contraditórias veiculadas pelos principais agentes do mercado financeiro internacional, como as agências de classificação de risco. Essa é a convicção da assessora internacional do Partido Socialista grego e conselheira do primeiro-ministro, George Papandreou, Polina Lampsa.

A reportagem é de Denise Chrispim Marin e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 08-07-2011.

Em entrevista ao Estado, Polina disse ainda não acreditar numa possível renúncia de Papandreou - mesmo sob pressão política interna na fase de adoção das novas medidas de arrocho fiscal, em setembro -, além de ver os protestos populares na Praça Syntagma, no centro de Atenas, mais como uma catarse dos gregos, frustrados e em busca de um alvo para despejar a culpa pela crise.

"Não haverá convocação de eleições. Primeiro, porque custa caro. Depois, porque não vai gerar mudança positiva, haverá desperdício de tempo e de dinheiro e só criará mais dificuldades para a Grécia", afirmou.

Para a conselheira de Papandreou, a maior dificuldade do governo está em aplicar as medidas dolorosas para a população com a oscilação das percepções internacionais sobre a capacidade de o país reduzir sua dívida, hoje 160% do Produto Interno Bruto.

Reflexo

A redução da classificação de risco de Portugal, nesta semana, diminuiu ainda mais a perspectiva de a Grécia e de outras economias europeias em crise fiscal resgatarem a confiança dos mercados. Por isso, insistiu Polina, o acordo sobre a rolagem de cerca de 120 bilhões da dívida grega, a vencer em 2014, terá uma dimensão mais ampla do que impedir a moratória grega.

"A questão essencial diz respeito à criação de mecanismos na zona do euro para prevenir e lidar com as crises fiscais de seus membros", afirmou. "É preciso saber se a região quer adotar um modelo com inspiração federalista ou se está disposta a inventar a roda a cada nova crise."

Internamente, o governo socialista de Papandreou busca o consenso com a oposição conservadora da Nova Democracia em temas específicos, como foi o caso do novo pacote de medidas fiscais e de privatização, aprovado no dia 30 pelo Parlamento. Porém, considera impossível obter uma aliança mais profunda para formar um governo de união nacional. O próximo tema da agenda de consenso será a composição de uma comissão encarregada de conduzir o processo de privatização de empresas e de terrenos para arrecadar 50 bilhões.

Segundo Polina, mesmo que a venda desse patrimônio venha a resultar em demissões em curto prazo, esse processo tende a ser percebido como um remédio amargo e inevitável pela população. Para ela, há uma "maioria silenciosa" ciente de não haver alternativa senão a da austeridade fiscal, da reforma do Estado, do cumprimento de compromissos da dívida e da permanência na zona do euro.

"A privatização será percebida como uma luz no fim do túnel pela população e ajudará o governo a criar um melhor ambiente para a atração de investimentos e para reformar a máquina pública", afirmou. "Os discursos em favor de cessar o pagamento da dívida, valendo-se do exemplo do Equador e da Argentina, e de abandonar o euro são populistas. Não têm fundamento."

Medidas

O governo Papandreou, por enquanto, conseguiu reduzir o déficit primário em cinco pontos porcentuais e iniciou algumas reformas, como a lei de investimento, para reduzir as barreiras burocráticas ao investimento produtivo, a limitação das concessões de licenças para corporações, como a dos taxistas, e o corte de benefícios para o funcionalismo público. Em setembro, além do início das privatizações, deverá começar a demissão de 150 mil servidores. "Vamos tocar todas essas reformas ao mesmo tempo."

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