"Começamos a ouvir de novo", afirma bispo brasileiro no Vaticano

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06 Julho 2011

De tempos em tempos, as autoridades do Vaticano são acusadas de viver em uma bolha, separadas da realidade complexa e às vezes dura que as pessoas comuns enfrentam. Embora seja uma história acurada que pode acontecer em casos individuais, essa certamente não é a história do arcebispo brasileiro João Braz de Aviz, 64 anos, nomeado em janeiro como o novo prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 05-07-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Considerem-se estes detalhes da sua biografia:

  • Braz cresceu em uma família pobre no sul do estado brasileiro do Paraná, com quatro irmãos e três irmãs – a irmã mais nova, hoje com 47 anos, tem síndrome de Down. Seu pai era açougueiro.
  • Sua região era tão rural que, quando uma criança nascia, a família tinha que viajar de carroça puxada por cavalos por 25 milhas para que o bebê fosse batizado. Um padre visitava a sua localidade uma vez por mês. Por isso, líderes leigos do povo eram os encarregados da catequese, dos cultos e da vida devocional.
  • Como jovem padre, Braz estava uma vez a caminho de uma localidade para celebrar a missa quando se deparou com um assalto de um carro blindado. Ele foi baleado durante o tiroteio, e as balas perfuraram seus pulmões, seus intestinos e um olho. Embora ele tenha sobrevivido, e os cirurgiões tenham sido capazes de salvar seu olho, ele ainda carrega os fragmentos dessas balas em seu corpo.

Em uma recente entrevista à prestigiosa revista italiana 30 Giorni, Braz, que é muito próximo do Movimento dos Focolares e da sua espiritualidade da unidade, falou sobre a sua formação, assim como sobre os desafios que ele enfrenta como a pessoa-chave do Vaticano para a vida religiosa. A entrevista foi realizada pelo veterano jornalista Gianni Valente.

Com surpreendente franqueza, Braz se refere a uma quebra de confiança entre o Vaticano e muitas ordens religiosas, por causa de "alguns posicionamentos tomados anteriormente". A referência é ao seu antecessor, o cardeal esloveno Franc Rodé, que repetidamente lamentava uma "crise" na vida religiosa depois do Concílio Vaticano II (1962-1965), relacionada em parte com o que Rodé considerava como correntes excessivamente liberalizadoras em algumas comunidades.

Sem negar que existem problemas, Braz disse que seu principal objetivo é "reconstruir a confiança", ao abordar as questões de uma nova maneira – "sem condenações preventivas", disse, "e ouvindo as preocupações das pessoas".

Braz, cujos primeiros anos como seminarista e sacerdote coincidiram com o surgimento da Teologia da Libertação na América Latina, oferece uma avaliação muito positiva desse movimento e expressa sua admiração por heróis do catolicismo progressista, como o arcebispo Óscar Romero, de El Salvador, e Hélder Câmara, do Brasil. Ele também discute a visitação em curso às religiosas dos Estados Unidos, assim como aos Legionários de Cristo.

Entre outras coisas, Braz revela que, quando era arcebispo de Brasília, ele removeu seus seminaristas dos seminários administrados pelos Legionários, preocupado com o que ele via como uma "falta de confiança na liberdade pessoal".

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