Hans Küng pede revolução pacífica contra absolutismo romano

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13 Junho 2011

"Poucas pessoas percebem quão poderoso o papa é", disse Küng.

A reportagem é de Jerry Filteau, publicada no sítio National Catholic Reporter, 11-06-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O renomado teólogo Hans Küng pediu uma revolução "pacífica" dos católicos do mundo contra o absolutismo do poder papal. Ele fez esse apelo em uma mensagem de vídeo, no dia 10 de junho, na primeira noite da conferência do Conselho Católico Norte-Americano - ACC, em Detroit, nos EUA.

"Acho que poucas pessoas percebem quão poderoso o papa é", disse Küng, comparando o poder papal hoje ao poder absoluto dos monarcas franceses contra os quais o povo francês se revoltou em 1789.

"Temos que mudar um sistema absolutista sem a Revolução Francesa", disse. "Temos que ter uma mudança pacífica".

Küng, que foi talvez o mais famoso dos peritos teológicos do Concílio Vaticano II há quase 50 anos, nasceu na Suíça, mas passou a maior parte de sua vida lecionando na Universidade de Tübingen, na Alemanha.

Agora, aos 83 anos, Küng é professor emérito de ecumenismo em Tübingen e raramente viaja por motivos de saúde. Por isso, sua mensagem ao ACC foi dada sob a forma de uma entrevista em vídeo, de meia hora, com teólogo norte-americano Anthony T. Padovano, realizado no ano passado na casa de Küng.

John Hushon, copresidente do ACC, disse que a conferência, que será realizada nos dias 10-12 de junho, no Cobo Hall de Detroit, teve mais de 1.800 inscrições, de pelo menos 44 estados e de 13 países estrangeiros.

Na entrevista com Küng, exibida em dois telões em uma das principais salas do centro de convenções, o teólogo previu mudanças na igreja, apesar da resistência de Roma. O Vaticano II "foi um grande sucesso, mas apenas em 50%", disse ele.

De um lado, ele disse, muitas reformas foram realizadas, incluindo a renovação da liturgia, uma nova apreciação da Escritura e outras mudanças significativas, como reconhecimento da importância dos leigos e da Igreja local e as diversas modificações na disciplina da Igreja.

"Infelizmente, o Concílio não foi autorizado a falar sobre a questão do celibato, sobre a questão do controle de natalidade e da contracepção. Claro, a ordenação de mulheres estava muito longe de todas as discussões", disse.

"Muitos documentos do Concílio são ambivalente, pois a maquinaria de Roma – a Cúria Romana – foi capaz de impedir qualquer movimento de reforma, de impedi-lo não completamente, mas pela metade".

"O que eu também não esperava", acrescentou, "foi que pudéssemos ter um tal movimento de restauração com o papa polonês e com o papa alemão agora".

Quando questionado sobre que razões ele tinha para ter esperança de reformas na Igreja hoje, ele respondeu que a esperança hoje é "muitas vezes um pouco difícil", perante uma hierarquia restauracionista, mas "o mundo está se movendo, indo em frente, com ou sem a Igreja" e "eu acredito que o Evangelho de Jesus Cristo é mais forte do que a hierarquia".

Referindo-se à atual crise na Igreja – o abuso sexual clerical de menores, a escassez de padres, a alienação das mulheres e dos jovens –, ele disse: "A humanidade aprende mais com o sofrimento" – seja na Igreja ou na recente crise econômica dos EUA. Mesmo que muitos economistas e outros viram a crise econômica se aproximando, "não foi possível aprovar uma lei no Congresso antes da catástrofe", disse.

Ele disse que acha que pelo menos algumas autoridades do Vaticano também estão reconhecendo que a mudança é necessária na Igreja.

"Se não aprendermos agora, teremos que sofrer mais – mais padres estarão abandonando, nas paróquias ficarão sem párocos, mais igrejas ficarão vazias" e mais jovens e mulheres vão deixar a Igreja ou se dissociar internamente dela, afirmou. "Tudo isso são indicações, creio, de que temos que mudar agora".

Tenda de diálogo

Os principais promotores do Conselho Católico Norte-Americano são três grupos católicos independentes que buscam mudanças na igreja: Voice of the Faithful, Corpus e FutureChurch.

Hushon disse que, quando o ACC foi formado há três anos, ele buscava criar uma "grande tenda de diálogo entre todos" os setores da Igreja norte-americana, independentemente das linhas partidárias ou ideológicas, mas "grupo após grupo, bispo após arcebispo disseram que não ou nos ignoraram".

A divisão foi destacada em outubro passado, quando o arcebispo de Detroit, Allen Vigneron, alertou seus padres e seu povo contra a participação na conferência do ACC. Ela foi agravada ainda mais no dia 3 de junho, quando Vigneron ameaçou laicizar qualquer padre ou diácono que participasse da liturgia de encerramento do ACC no domingo de Pentecostes, dia 12 de junho, dizendo: "Há boas razões para acreditar que a concelebração proibida irá ocorrer por parte dos leigos e daqueles que não estão em plena comunhão com a Igreja".

Antes do evento, Hushon negou a acusação e documentou-a com a correspondência em que o ACC disse à arquidiocese que "haverá apenas um celebrante, um padre de boa reputação".

O ACC escolheu o Cobo Hall como seu lugar de encontro, porque este ano é o 35 º aniversário da conferência Call to Action, um encontro nacional do laicato católico promovido pelos bispos dos EUA, que foi realizado lá, com o cardeal John Dearden, de Detroit, como presidente e anfitrião.

A conferência de 1976, apesar de suas falhas, recebeu crédito por ter fornecido base e ímpeto para a pastoral econômica e de paz dos bispos na década de 1980, assim como uma maior atenção para o racismo, para as minorias, para a vida familiar, para as pessoas com deficiência, para o respeito pela vida humana e para uma ampla gama de outras iniciativas pastorais e de justiça social desenvolvidas nacionalmente ou nas dioceses nos anos seguintes.

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