"Vamos corrigir a política econômica’, afirma Ollanta Humala

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08 Junho 2011

O presidente eleito do Peru, Ollanta Humala conversou com o jornal Página/12, no hotel Los Delfines, onde recebeu a notícia da sua vitória no domingo e de onde despacha desde então. Percebe-se que está cansado, as poucas horas de sono dos últimos dias se refletem em seu rosto. Na terça-feira, teve outro dia agitado. Reuniu-se com os parlamentares do seu partido, com seus principais colaboradores, recebeu as visitas dos ex-candidatos presidenciais Pedro Pablo Kuczynski e Luis Castañeda, derrotados no primeiro turno e que no segundo apoiaram a Keiko Fujimori, e continuou atendendo telefonemas do exterior, entre eles a da secretária de Estado norte-americano, Hillary Clinton.

Nesta quinta-feira [hoje], Humala iniciará um giro pela região, que começará no Brasil e depois o levará à Argentina, Uruguai, Chile e Bolívia, e numa segunda etapa ao Equador, Colômbia e Venezuela. Na entrevista fala da reação dos mercados à sua eleição, o que será sua política econômica, sua relação com a imprensa, a possibilidade de transferir o ex-ditador Alberto Fujimori para um cárcere comum, o Mercosul, a agenda de sua visita à Argentina. "Nesta Copa América vamos ganhar da Argentina. Temos uma seleção muito boa, mas temos que avaliar o dano emocional que poderíamos causar", brinca Humala. Se acomoda na cadeira, respira fundo como para expulsar o cansaço e se prepara para responder as perguntas.

A entrevista é de Carlos Noriega e está publicado no jornal argentino Página/12, 08-06-2011. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Na segunda-feira, a Bolsa de Valores teve uma significativa queda, que se atribuiu à sua eleição. Como vê esta reação dos mercados à sua vitória?

O que vi foi um buraco na Bolsa de Valores. A economia peruana é sólida, tem um crescimento sustentado nos últimos oito anos. Essa é a realidade. Por esta razão, o buraco na Bolsa não é um problema estrutural. As agências de riscos, os bancos internacionais, bancos de investimentos como GP Morgan, disseram que é preciso continuar a investir no Peru, que as eleições já passaram e a economia vai bem.

Desde a sua eleição, no domingo, houve pressões dos setores empresariais e da direita para que indique o mais rápido possível o seu chefe de Gabinete e seu ministro de Economia e lhe enviaram a mensagem de que essas nomeações devem tranquilizar os investidores. Como toma essas pressões?

As declarações do presidente da Confiep (Confederação Nacional de Instituições Empresariais Privadas, que reúne as principais empresas do país) e de outras personalidades pedindo nomes para o gabinete, eu as respeito, mas creio que não é o momento oportuno para dar os nomes do gabinete. Como vou apresentar o gabinete se até agora o Jurado Nacional de Eleições não nos entregou as credenciais de presidente da República? Vencemos as eleições de domingo, mas a contagem da ONPE (Oficina Nacional de Processos Eleitorais) ainda não foi fechada. Tudo tem seu momento e o gabinete será apresentado no seu devido momento.

Como vê o comportamento das empresas privadas?

Há empresas que na questão do trabalho têm um comportamento bastante adequado, mas há outras que não e seus trabalhadores denunciaram maus tratos trabalhistas. Essas denúncias de maus tratos trabalhistas serão vistas pelo Ministério do Trabalho para que todas as empresas, peruanas e estrangeiras, respeitem os direitos dos trabalhadores.

Seu governo mudará o modelo econômico neoliberal ou continuará com o mesmo modelo, mas dando maior atenção à redistribuição?

A pobreza no Peru se deve a uma má distribuição da riqueza e a riqueza está sendo distribuída segundo uma determinada política econômica. Temos que corrigir a política econômica. Não estamos falando de mudar o modelo capitalista, o modelo de uma economia aberta de mercado. Nós defendemos essa economia de mercado. O que estamos dizendo é que a política econômica atual tem uma série de imperfeições que não permite que o crescimento sustentado de oito anos se traduza em desenvolvimento e uma melhora da qualidade de vida. Isso é o que temos que corrigir.

Como vão fazer isso? Quais são as correções à política econômica que seu governo vai implementar?

As políticas sociais são fundamentais. Vamos criar o programa Cuna Más (creches gratuitas para crianças menores de três anos) nos 600 distritos mais pobres do país; implementar gradualmente o programa Pensión 65 (pensão de cerca de 90 dólares para os maiores de 65 anos que não têm esse tipo de ajuda); construiremos através de organizações público-privadas um hospital em cada província do país. Na questão tributária, vamos cobrar o imposto sobre os lucros minerais.

Há muita expectativa nos setores pobres por sua eleição. Está preocupado com o fato de haver um desborde de demandas sociais que complique o seu governo?

Vamos nos dedicar fortemente para solucionar os conflitos sociais em base à cultura do diálogo. Essa é a melhor maneira de resolver a alta conflitividade social que agora existe. Dessa maneira, vamos permitir que os investimentos que se fizerem no Peru sejam no menor custo e com tranquilidade para todos.

Seu governo será de esquerda?

Meu governo será para o povo.

Vai renegociar o contrato com o consórcio Camisea, que explora e exporta o gás peruano e que pertence à petroleira argentina Plus Petrol?

Sim. O que vamos fazer é procurar que se cumpra o contrato original. Esse contrato original diz claramente que a prioridade do gás do Lote 88 da Camisea é o mercado interno e não a exportação. Por interesses particulares isso foi modificado para exportar esse gás, e há também a questão da satisfação da demanda interna. Isso é um problema, porque atualmente o botijão de gás custa 11 dólares, sendo o Peru um país produtor de gás.

Nesta campanha, você foi duramente atacado pela mídia e os dirigentes de seu partido foram muito críticos com o comportamento da imprensa durante a campanha. Como será sua relação com a imprensa?

É preciso defender e promover a liberdade de expressão como um princípio inalienável. O que aconteceu nesta campanha é que obviamente eu não fui o candidato dos meios de comunicação, mas é importante entender que, de acordo com o que nos ensinou o povo peruano, os meios de comunicação não necessariamente fazem o presidente.

Esta semana inicia um giro pela região e que inclui a Argentina. Qual será a agenda de seu diálogo com a presidenta Cristina Kirchner?

Há muitos temas para avançar com a Argentina. Somos dois povos irmãos. Analisaremos com a Presidenta o avanço das relações entre o Peru e a Argentina nos âmbitos comercial, econômico, político, de migrações. Conversaremos sobre o que fazer para melhorar estas relações.

Qual será a relação de seu governo com o Mercosul?

Olhamos com interesse o Mercosul. Sabemos que os Tratados de Livre Comércio não facilitam que o Peru tenha maior participação no Mercosul. Interessa-nos consolidar a Comunidade Andina de Nações e participar da Unasul. Minha prioridade é a Unasul.

Alberto Fujimori deve ir a uma prisão comum?

Esse não é um tema de agenda para nós. Para nós, o importante é entender que esse não é um tema que une os peruanos e atualmente necessitamos unir os peruanos, gerar confiança nos mercados e nas famílias e, portanto, não é nossa prioridade estar tocando esse tipo de questões.

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