China alerta sobre "problemas urgentes" na hidrelétrica de Três Gargantas

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20 Maio 2011

O risco de desastres geológicos, admite o gabinete de Estado chinês, está vinculado à erosão do solo, terremotos, secas e levantes sociais.

A reportagem é de Jonathan Watts, publicada no sítio The Guardian, 20-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A barragem de Três Gargantas, o carro-chefe das enormes ambições de hidroengenharia chinesas, enfrenta "problemas urgentes", advertiu o governo. Em uma declaração aprovada pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, o Conselho de Estado disse que a barragem tem problemas geológicos, ecológicos e humanos prementes. O relatório também reconheceu pela primeira vez o impacto negativo que a barragem teve sobre o transporte hidroviário e o abastecimento de água.

Desde o início da construção em 1992, cerca de 16 milhões de toneladas de concreto foram derramados na gigante barragem que atravessa o rio Yang-Tsé, criando um reservatório que se estende por quase todo o comprimento da Grã-Bretanha e impulsiona 26 turbinas gigantes.

A maior usina hidrelétrica do mundo possui uma capacidade total de geração de 18.200 MW e a capacidade de ajudar a domar as inundações que ameaçam o delta do Yang-Tsé a cada verão.

Mas ela se mostrou cara e controversa devido ao realojamento de 1,4 milhões de pessoas e a inundação de mais de 1.000 cidades e vilarejos. Poluição, lodo e deslizamentos de terra têm contaminado a área do reservatório. Dado o custo de 254 bilhões de yuans (cerca de 63 bilhões de reais) e o prestígio político em jogo, o governo se concentrou durante muitos anos nas realizações da barragem e tentou reprimir as críticas internas ao projeto. Mas a sua análise pública tornou-se cada vez mais sóbria.

Uma declaração publicada no site do governo diz: "Ao mesmo tempo que o projeto de Três Gargantas fornece enormes e amplos benefícios, problemas urgentes devem ser resolvidas com relação à serena realocação de moradores, à proteção ecológica e à prevenção de desastres geológicos".

Havia poucos detalhes, mas o gabinete chinês, o Conselho de Estado, admitiu vários problemas que não haviam sido previstos.

"Os problemas surgiram em vários estágios do planejamento e da construção do projeto, mas não podiam ser resolvidos imediatamente, e alguns surgiram devido à crescente demanda provocada por desenvolvimento econômico e social", diz o comunicado.

Quando a barreira de 1,5 milhas foi concluída em 2006, o reservatório começou a ser afetado por algas e poluição que anteriormente teriam sido levados pela água. O peso da água extra também foi responsabilizada pelos tremores, deslizamentos e erosão de encostas.

Para diminuir essas ameaças, o governo disse no ano passado que muitas pessoas poderiam ser realojadas. Nesta semana, ele prometeu estabelecer sistemas de alerta de desastres, reforçar as margens dos rios, aumentar os recursos para a proteção ambiental e melhorar os benefícios para os desalojados.

Rumo à catástrofe

Esse não é o primeiro aviso. Quatro anos atrás, a mídia estatal citou especialistas do governo, que haviam dito: "Há muitos novos e antigos perigos ecológicos e ambientais escondidos relativos à barragem de Três Gargantas. Se medidas preventivas não forem tomadas, o projeto pode levar a uma catástrofe".

No ano passado, os engenheiros in loco recomendaram um movimento adicional de centenas de milhares de moradores e de mais investimento na restauração do ecossistema.

O governo já elevou seu orçamento para o tratamento de água das usinas, mas os opositores da barragem dizem que isso não é suficiente. "O governo construiu uma represa, mas destruiu um rio", disse Dai Qing, um antigo crítico do projeto. "Independentemente de quanto esforço o governo fizer para atenuar os riscos, ele é infinitesimal. O Conselho de Estado está gastando mais dinheiro no projeto do que em investigar plenamente. Não posso ver uma disposição real para resolver o problema".

O momento da declaração – quando o governo prepara para dar vida aos detalhes de seu mais recente plano de cinco anos – gerou especulações de uma possível retrocesso contra os interesses em energia hidrelétrica.

Peter Bosshard, da International Rivers, disse: "Enquanto facções poderosas dentro do governo estão pressionando pela rápida expansão de projetos hidrelétricos, outros estão alertando sobre os custos sociais e ambientais das grandes barragens e sobre os riscos geológicos da construção de tais projetos em regiões sismicamente ativas".

"Ao sublinhar os problemas não resolvidos da barragem de Três Gargantas agora, o primeiro-ministro Wen Jiabao, que parou projetos destrutivos no passado, pode estar enviando uma advertência ao zeloso lobby hidrelétrico que ficaria muito feliz esquecendo as lições do passado".

A franca avaliação dos desafios apresentados e dos benefícios oferecidos pela barragem ocorreu em meio a preocupações crescentes com a seca nos trechos médios do rio Yang-Tsé, que deixou 1.392 reservatórios em Hubei com apenas "água morta" e afetou o abastecimento de água potável de mais de 300 mil pessoas.

A mídia chinesa informou neste mês que os níveis de água do Yang-Tsé perto de Wuhan atingiram seu ponto mais baixo desde que a barragem entrou em funcionamento em 2003. Longos trechos aparentemente foram fechados para o tráfego da água depois que centenas de barcos encalharam nos baixios.

Houve denúncias de que a usina de Três Gargantas agravou o problema ao reter água para a geração de eletricidade, mas os operadores afirmam ter resolvido o problema liberando 400 metros cúbicos de água do reservatório. Como resultado, os níveis caíram para menos de 156 metros – o montante necessário para uma ótima geração de energia.

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