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18 Abril 2011

"Os preços energéticos precisam passar a refletir toso os custos e benefícios para a sociedade, e não somente os considerados pela monetarista contabilidade tradicional. Se as externalidades sanitárias e ambientais deixarem de ser ignoradas, os americanos pagarão no mínimoo triplo por quilowatt elétrico ou litro de gasolina. E se todas as modalidades de geração de energia forem obrigadas a pagar seguro integral - em vez de mamarem subsídios - aí sim suas reais vantagens e desvantagens serão reveladas", escreve José Eli da Veiga, professor da pós-graduação do Instituto de Relações Internacionais da USP (IRI/USP) e do mestrado profissional em sustentabilidade do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), em artigo publicado no jornal Valor, 19-04-2011.

Eis o artigo.

O besteirol lido e ouvido no Brasil sobre energia nuclear desde a tragédia de Fukushima Daiichi só é digno do festival idealizado há 47 anos por Stanislaw Ponte Preta. Em vez de escarnecê-lo, é melhor destacar três referências fundamentais. Mesmo porque, esclarecimentos sobre as 24 mais frequentes bobagens antinucleares estão em quadro que ocupa sete páginas do segundo capítulo do livro "Energia Nuclear: do anátema ao diálogo" (Senac, 2011, p. 64-70), dos engenheiros Leonam dos Santos Guimarães, da Eletronuclear, e João Roberto Loureiro de Mattos, do Centro de Desenvolvimento da Energia Nuclear (CTDN).

A primeira das três referências fundamentais é o relatório "Lighting the way - Toward a sustainable energy future", publicado em outubro de 2007 pelo Conselho Mundial das Academias de Ciência, o InterAcademy Council. Obra de 15 especialistas de primeira linha, coordenados por dupla acima de qualquer suspeita: o agora ministro de energia do governo Obama, Steven Chu, e o querido ex-reitor da USP, José Goldemberg.

A quinta das nove conclusões dessa formidável análise da transição energética em curso afirma que a opção nuclear é parte importante da solução, apesar dos cuidados e precauções que ela exige. Principalmente a substituição de boa parte dos 440 reatores que estão em operação (ou em desligamento de longo prazo) por modernos, muito mais seguros.

A segunda referência fundamental é o recém-lançado segundo volume do relatório do Comitê Científico da ONU sobre os Efeitos da Radiação Atômica (UNSCEAR, na sigla em inglês), intitulado "Sources and Effects of Ionizing Radiation". Ele desnuda os alucinantes exageros sobre as consequências da radiação provocada por desastres em centrais nucleares. Chernobyl, o pior deles, causou 47 mortes. Altas doses de radiação foram fatais para 28 dos 134 funcionários e socorristas diretamente afetados ("acute radiation syndrome", ARS). Mais 19 óbitos foram provocados por absurda, e inteiramente evitável, contaminação de leite ingerido por pessoas que eram crianças e adolescentes em 1986.

Em 6 anos (1945-2007), 32 acidentes nucleares mataram 93 pessoas. Nem um terço da mortalidade de um único acidente da aviação comercial, considerada a média dos dez piores desde 1977. Por esse prisma, haveria muito mais motivo para se cercear a expansão de tão útil meio de transporte do que se pretender impedir a geração de eletricidade por reatores. Pior, o número de mortes em acidentes nucleares chega a ser irrisório se comparado ao que resulta do mero uso de carvão para gerar eletricidade: 30 mil por ano nos EUA e 350 mil por ano na China.

A terceira referência fundamental é o recentíssimo artigo intitulado "Can Nuclear Power Be Part of the Solution?", de dois professores universitários de sustentabilidade, Robert Costanza (Portland) e Cuttler Cleveland (Boston); de um professor universitário de matemática, Bruce Cooperstein (Califórnia - Santa Cruz); e de Ida Kubiszewski, editora da excelente revista "Solutions", (vol. 2, nº 3, abril/2011).

O repto do quarteto é tão singelo quanto incômodo: os preços energéticos precisam passar a refletir toso os custos e benefícios para a sociedade, e não somente os considerados pela monetarista contabilidade tradicional. Se as externalidades sanitárias e ambientais deixarem de ser ignoradas, os americanos pagarão no mínimoo triplo por quilowatt elétrico ou litro de gasolina. E se todas as modalidades de geração de energia forem obrigadas a pagar seguro integral - em vez de mamarem subsídios - aí sim suas reais vantagens e desvantagens serão reveladas.

No Brasil, o melhor argumento antinuclear é lembrar que o país tem o privilégio de ainda dispor de imenso potencial hidrelétrico na Amazônia, capaz de expandir a oferta de eletricidade por muitos anos. Todavia, os que incansavelmente repetem essa verdade nunca demonstram preocupação com os custos e benefícios para a sociedade da completa artificialização das bacias amazônicas. Nem mesmo consideram os custos socioambientais das hidrelétricas já em operação para justificar o veredito de não competitividade da energia gerada em Angra.

Em outras palavras, esse ótimo argumento antinuclear é muito suspeito para quem dá importância à conservação da ecossistêmica amazônica. Se no planejamento energético houver debate público transparente e democrático, poderá emergir consenso de que alguns reatores nucleares mais próximos dos centros de consumo venham a poupar parte dessas longínquas bacias, que constituem inestimável patrimônio socioambiental.

É verdade que ainda não há solução definitiva para a estocagem dos rejeitos chamados de "lixo atômico". Todavia, em 175 anos sua alta radioatividade cai a um bilionésimo. Depositá-los em rochas que estão a centenas de metros da superfície certamente será a melhor saída até que uma inovação radical no âmbito da energia solar torne obsoletos os atuais dilemas energéticos.

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