Humala inicia campanha para o segundo turno

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15 Abril 2011

Ollanta Humala mostra-se disposto a fazer concessões em suas propostas para chegar a um consenso com outras forças políticas. Sua rival, Keiko Fujimori, reivindica o governo de extrema-direita de seu pai.

A reportagem é de Carlos Noriega e está publicada no jornal Página/12, 15-04-2011. A tradução é do Cepat.

Ollanta Humala, que venceu o primeiro turno das eleições de domingo passado com 31% dos votos, não perdeu tempo e esta semana iniciou suas viagens de campanha em vista do segundo turno, dia 5 de junho. Desta forma, tomou a dianteira em relação à sua rival, Keiko Fujimori, a filha do ex-ditador preso Alberto Fujimori (1990-2000), que passou para o segundo turno com 23% e abriu a possibilidade do retorno do obscuro passado fujimorista ao poder.

Humala esteve em Junín e Huancavelica, zonas andinas onde ganhou com ampla margem de votos, no domingo. O candidato progressista encheu a praça principal de Huancayo, capital de Junín, e repetiu a importante convocatória em Huancavelica. Neste fim de semana viajará a Iquitos, a principal cidade da Amazônia. Keiko ficará em Lima durante toda a semana.

Na quinta-feira, Ollanta Humala e Keiko Fujimori se reuniram com o derrotado candidato da direita, Pedro Pablo Kuczynski, que ficou em terceiro lugar, com 18% dos votos. Em nenhum dos dois casos houve anúncio de aliança. Kuczynski se mostrou mais disposto a um entendimento com a filha de Fujimori. "Humala é mais perigoso", disse, dando a entender que não tem dúvidas sobre para que lado pende a sua simpatia. O economista neoliberal parece não ver problemas em apoiar uma candidatura como a de Keiko Fujimori, que traz na mochila uma pesada carga de autoritarismo, violações dos direitos humanos, controle da imprensa e corrupção, se isso lhe trouxer garantias de que o modelo neoliberal não será tocado.

Luis Castañeda, quinto colocado, com 10% dos votos, se reuniu com Humala na terça-feira, mas um acordo parece distante. Castañeda, que foi diretor da Seguridade Social durante o governo autoritário de Alberto Fujimori, não ocultou sua aproximação maior com a filha do ex-ditador.

Humala estendeu pontes para o ex-presidente Alejandro Toledo, que obteve nada desprezíveis 15% dos votos. Não se reuniu pessoalmente, mas houve aproximações entre ambas as agrupações políticas. Perú Posible, o partido de Toledo, decidiu não votar em Keiko Fujimori, ainda que não tenha decidido apoiar formalmente a Humala, possibilidade que, assinalaram, estão analisando. "Keiko representa a corrupção e a ditadura", afirmou o porta-voz da coalizão Perú Posible, tomando clara distância de sua candidatura.

Mas, além das possíveis alianças que forem seladas por estes dias, todos os analistas concordam em dizer que nenhum dos três candidatos derrotados tem capacidade de endossar seus votos. Keiko Fujimori espera colher votos entre as classes médias e altas, especialmente de Lima, que no primeiro turno votaram em Kuczynski. Mas nessas camadas sociais também pesa a péssima lembrança do regime fujimorista. Os eleitores de Toledo, por sua vez, têm uma forte carga antifujimorista, o que os coloca mais próximos de Humala. Não é menos significativo que a luta contra o regime autoritário de Fujimori em 2000 tenha projetado Toledo para o centro do cenário político nacional e que um ano depois o levou à presidência.

Humala iniciou sua campanha do segundo turno com um discurso conciliador. Mostrou-se disposto a fazer concessões em suas propostas para alcançar um consenso com outras forças políticas. Mas foi claro em precisar que a redistribuição dos benefícios do crescimento econômico é um tema fundamental em sua proposta de governo e que um consenso com outras forças deve "ter como objetivo conseguir a redistribuição da riqueza no país".

Mas se o candidato nacionalista começou a campanha do segundo turno com uma linguagem conciliadora que tende para o centro, inclusive para a centro-direita representada por Toledo, sua rival Keiko Fujimori fê-lo reivindicando o governo de extrema-direita de seu pai, que qualificou, sem ruborizar, como "o melhor da história". Sua passagem para o segundo turno recolocou no centro do debate político os sequestros e assassinatos cometidos pelas forças de segurança, o fechamento do Congresso, o controle da imprensa e uma corrupção sem precedentes no país, que caracterizaram o governo de Alberto Fujimori, que agora ameaça voltar ao poder encarnado em sua filha. Esta semana, as lembranças da corrupção fujimorista vieram à memória com a entrega à Justiça, depois de dez anos na clandestinidade, do ex-ministro da Economia fujimorista, Juan Carlos Hurtado Miller, acusado de corrupção.

Em sua prisão vip, Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de prisão por crimes de lesa humanidade e corrupção, comemorou com lágrimas – segundo confessou seu filho Kenji, eleito deputado – a passagem para o segundo turno de sua herdeira política. Sabe que sua esperança de sair da prisão passa pela vitória de sua filha. E poucos duvidam que se Keiko Fujimori chegar à presidência, quem teria as rédeas do poder seria seu pai.

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