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14 Abril 2011

O sociólogo e líder do Partido Socialista, pelo qual se candidatou à presidência nas eleições de 2006, Javier Diez Canseco, é o mais reconhecido dirigente da esquerda histórica peruana, a que integra a coalizão Gana Perú, liderada por Ollanta Humala, vencedor das eleições presidenciais com 31% dos votos. Diez Canseco, eleito deputado nas eleições de domingo passado, conversou com o Página/12 sobre o segundo turno entre Humala e Keiko Fujimori, a filha do ex-ditador Alberto Fujimori, o medo que Humala desperta em alguns setores, as possíveis alianças da candidatura progressista e suas principais propostas de governo.

A entrevista é de Carlos Noriega e publicada no jornal Página/12, 14-04-2011. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Como vê o segundo turno entre Ollanta Humala e Keiko Fujimori?

Keiko Fujimori assumiu o ativo e o passivo da gestão de seu pai, que foi condenado a 25 anos de prisão por crimes de lesa humanidade e corrupção, e tem em sua lista parlamentar ex-ministros e ex-congressistas de seu pai, que encobriram crimes de lesa humanidade e participaram, no conjunto, de fatos de gravíssima corrupção. Com o fujimorismo há uma história de violações aos direitos humanos e fundamentais. O divisor de águas neste segundo turno tem a ver com temas relacionados aos direitos humanos e à corrupção, e com um crescimento que seja capaz de incluir efetivamente um amplo setor que agora está excluído e, portanto, tocar o tema da redistribuição da riqueza afetando os interesses daqueles que têm enormes rendas e não contribuem adequadamente com o país, essencialmente o setor da mineração. Estou absolutamente certo de que temos ótimas possibilidades de ganhar.

Ollanta  Humala venceu o primeiro turno, mas para chegar ao governo necessita do voto da direita que apoiou Kuczynski, Toledo e Castañeda. Como esperam conseguir isso?

Temos que ter o voto de candidatos de direita, que não é o mesmo que ter o voto da direita. Há diversos setores de camadas médias e populares que foram presas de uma campanha de terror e demolição contra a coalizão Gana Perú e Ollanta Humala. Creio que esse medo será deixado de lado.

E o que farão para afastar esse medo de Humala?

Devemos levar adiante um processo de convencimento de que o que representamos não apenas não é uma ameaça, mas que beneficia e atende às necessidades das grandes maiorias. Os grandes grupos de poder que incidem sobre os principais medos pretenderam impor um enorme temor de Humala. Criou-se medo dizendo que vamos estatizar tudo, que com Humala haverá uma economia centralmente planificada, ou seja, que estaremos na Rússia dos anos 1950. Isso não tem nada a ver com a realidade. Esse temor, que foi semeado sobre a base de uma série de falsidades, irá se desfazer. Vamos ampliar a explicação das propostas que temos como alternativa de governo.

Para vencer, Humala terá que se mover mais para o centro do que já é de fato?

Creio que não. Humala tem que manter os eixos do que prometeu. Isso é, em primeiro lugar, acabar com a impunidade em relação à corrupção, o que implica investigação e processos, e mudanças legais para criar sanções enérgicas e promover a vigilância cidadã. Segundo, crescimento com redistribuição para que esse crescimento seja sentido nos salários das pessoas e em suas condições de vida. Terceiro, um significativo investimento em uma revolução educativa, que é o eixo e o objetivo do processo que Humala levanta. É preciso duplicar o orçamento em educação e combinar a educação com atenção médica e apoio alimentar para as crianças. Isso passa por uma reforma tributária para aumentar a arrecadação fiscal, aumentando os impostos das grandes empresas, particularmente da renda da mineração. Em quarto lugar, necessitamos fortalecer o mercado nacional com mecanismos de apoio aos produtores nacionais e de crédito barato aos micro e pequenos empresários e aos agricultores, não somente aos que exportam, mas àqueles que produzem para o mercado interno.

Humala propõe uma mudança do modelo econômico neoliberal ou reajustes ao modelo para uma maior redistribuição?

Nossa perspectiva é uma mudança do modelo econômico. Este modelo torna os ricos mais ricos e mantém uma ampla maioria da população em condições de pobreza, com serviços públicos paupérrimos. Não queremos continuar sendo um país que dependa exclusivamente das exportações de matérias-primas e do mercado internacional, queremos caminhar na direção de um país que aponte para a industrialização, que fortaleça seu mercado e proteja e apóie os produtores nacionais, o que a Constituição atual não permite. O modelo econômico reinante, implantado no Peru por Alberto Fujimori (1990-2000), produziu brechas sociais enormes. Nós nos propomos a acabar com estas distâncias sociais. Como diria o Lula, oxalá, em nosso país todos possam tomar café da manhã, almoçar e jantar.

Humala disse que está disposto a fazer concessões. Que concessões faria?

Isso implica em compartilhar o desenvolvimento desta gestão e deste projeto, que está aberto aos melhores profissionais e técnicos para implementar as propostas para um Peru com oportunidades e direitos para todos. Nas propostas centrais nós não podemos mudar a oferta que fizemos ao eleitorado. Podemos mudar procedimentos, os mecanismos para conseguir objetivos, mas os objetivos centrais se mantêm.

É com Toledo que estão mais perto de chegar a um acordo para este segundo turno?

Das forças políticas, creio que Toledo é a figura mais viável para esse entendimento. Mas nosso primeiro acordo busca ser com os cidadãos. O Peru é um país desarticulado politicamente, os partidos não têm a representação necessária para pretender garantir um endosso de votos.

Caso chegarem ao governo, não terão maioria no Congresso, que estará dominado pelas diferentes forças da direita. Como vão fazer para governar com um Congresso que é majoritariamente de oposição?

Há pessoas decentes em vários dos grupos políticos. Qualquer congressista com um pouco de juízo entenderá que há coisas que devem ser aprovadas em prol do país, como uma reforma tributária, o enfrentamento da corrupção para acabar com a impunidade, priorizar uma reforma educacional, renegociar os contratos da Camisea para que o gás seja destinado prioritariamente ao mercado interno.

Especula-se que Humala convocaria personalidades ligadas ao empresariado para que formem um eventual governo seu. Será assim?

Alguém que quer ser maioria no país e criar um governo que seja capaz de governar com estabilidade e não com um país dividido, que tenha a capacidade de fazer a mudança com firmeza, mas também com serenidade e estabilidade, tem que construir uma maioria consistente. Estamos dispostos a uma ampla convocação.

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