Teólogos alemães: o debate continua

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11 Abril 2011

Publicado no dia 3 de fevereiro e traduzido depois para uma dezena de idiomas, o manifesto Kirche 2011, que exigia reformas de fundo na Igreja Católica, continua provocando debate na Alemanha.

A reportagem é de Jérôme Anciberro, publicada na revista Témoignage Chrétien, n°. 3439, 07-04-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No momento da sua publicação no jornal alemão Südddeutsche Zeitung do dia 3 de fevereiro passado, o manifesto Igreja 2011: uma virada necessária (Kirche 2011: ein notwendiger Aufbruch) estava disponível em alemão. Dois meses mais tarde, apareceram pelo menos uma dezena de traduções espontâneas: em espanhol, francês, inglês, italiano, português, polonês, russo e até chinês... Esse simples fato faz supor que o interesse público não se limite à área de língua alemã.

Porém, o debate sobre a reforma da Igreja Católica exigida pelos signatários do texto sofre para continuar fora dos países de língua alemã. Passado o tempo das primeiras reações ardentes provenientes da imprensa vaticana (L`Osservatore Romano e Rádio do Vaticano) e das invectivas de círculos católicos mais conservadores, são raros aqueles que tentaram continuar a discussão séria e sobretudo publicamente.

Porém, a lista dos signatários, disponível no principal site que divulgou o manifesto (www.memorandum-freiheit.de), compreende, além dos cerca de 240 nomes de teólogos que lecionam nos países de língua alemã, dezenas de nomes de teólogos ativos em outros países, particularmente na Espanha e na América Latina.

Notam-se também algumas personalidades conhecidas do mundo teológico francês, como Jesus Asurmendi (Institut Catholique de Paris), Christoph Theobald (Centre Sèvres) ou também Marie-Jo Thiel (Universidade de Estrasburgo).

O eclesiólogo Jean Rigal (não signatário, professor emérito do Institut Catholique de Toulouse), parece, porém, ser o único que publicou uma apreciação argumentativa positiva sobre o documento, difundido em diversos sites (www.groupes-jonas.com). De resto, a imprensa francesa e particularmente a imprensa confessional permaneceram muito, muito discretas.

Assim, é principalmente na Alemanha que se desenvolveu o debate, particularmente por meio de fortes trocas na imprensa nacional. No dia 11 de fevereiro, o cardeal Walter Kasper (foto) publicou um artigo no Frankfurter Allgemeine Zeitung, no qual se dizia "extremamente desiludido" com o manifesto e com a sua falta de substância teológica.

Para o cardeal, os redatores do manifesto teriam se equivocado de objetivo, tornado a Igreja responsável pela crise que ela está passando na Alemanha. Essa crise, explicava Walter Kasper, não seria tanto uma "crise da Igreja", mas sim uma "crise de Deus", que se manifestaria em uma incapacidade da nossa época de se voltar ao essencial.

Dado que a expressão "crise de Deus" havia sido usada inicialmente pelo teólogo Johann-Baptist Metz, este, favorável ao manifesto, tentou responder pelo mesmo canal, mas a sua carta não foi publicada pelo jornal de Frankfurt... Nesse texto, o professor Metz indicava que o cardeal Kasper esquecia de fazer a pergunta sobre as causas dessa "crise de Deus", dentre as quais era preciso talvez incluir a atitude do Vaticano em certas circunstâncias.

Bispos

O debate continuou em outros lugares, particularmente na Internet. Foram feitas diversas iniciativas em apoio ao manifesto, dentre as quais uma impressionante mobilização de mais de 300 padres e diáconos da diocese de Friburgo (a segunda maior da Alemanha), que se permitiram escrever coletivamente ao seu bispo para informá-lo que compartilhavam as ideias dos seus colegas teólogos.

Por fim, a Conferência dos Bispos da Alemanha, embora mostrando-se prudente, parece ter levado em consideração as questões levantadas pelo manifesto. Por ocasião da sua última reunião plenária, os bispos alemães publicaram, no dia 17 de março, uma carta às paróquias, Crer hoje, que anunciava a abertura de um vasto processo de diálogo para os próximos quatro anos, com um programa preciso de encontros temáticos.

 

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