Analistas avaliam que Dilma está mais forte do que Lula

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07 Abril 2011

A presidente Dilma Rousseff está mais forte do que seu antecessor política e economicamente. A análise foi feita ontem por um grupo de economistas reunidos na Fecomercio, em São Paulo, para debater os cem primeiros dias de governo da petista. O diretor da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, Yoshiaki Nakano, avalia que atual gestão surpreendeu suas expectativas ao se apresentar mais técnica e menos ideológica.

A reportagem é de Fernando Taquari e publicada pelo jornal Valor, 08-04-2011.

A relação de Dilma com a base parlamentar nestes primeiros meses de governo, explica o economista da FGV, representa uma ruptura com o método utilizado até então pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria convertido o Congresso Nacional em um "balcão de negócios" para aprovar projetos de interesse do Executivo. A mudança de postura, segundo Nakano, ficou evidente durante a votação do reajuste do salário mínimo, quando o governo descartou propostas que poderiam comprometer o ajuste fiscal e exigiu fidelidade da base aliada.

"Assim, fica mais fácil aprovar projetos importantes. Isso porque o governo de coalizão distribuiu os cargos entre os aliados e cabe à base governista aprová-los. O ex-governador [Mário] Covas fez isso em São Paulo com as privatizações", argumentou Nakano. Do ponto de vista econômico, o governo Dilma se destaca até o momento pela atuação do Banco Central no combate à inflação. O economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, considera que a presidente faz uma gestão racional e pragmática, tendo o mérito de ter optado por uma equipe técnica no comando da autoridade monetária.

"Se um Banco Central idêntico ao atual, com as mesmas políticas macroeconômicas, fosse comandado por uma figura de proa do mercado, todo mundo estaria aplaudindo", afirmou Barros ao classificar a atuação do BC como "estupenda". A opinião também é compartilhada pelo ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, que avalia como injustas as críticas do mercado financeiro contra as medidas macroprudenciais anunciadas recentemente pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, para restringir o consumo e evitar uma escalada nos preços.

"Não tem nenhum país combatendo a inflação com os instrumentos que o Brasil está usando. Tombini está mais antenado com a moderna economia e com o que acontece no mundo do que esses críticos que estão por aí", observou Delfim ao acrescentar que a autoridade monetária está consciente de que os problemas do país, especialmente a inflação, não são resolvidos apenas com o aumento na taxa de juros. Barros e o ex-ministro acreditam que a pressão nos preços ocorre por conta de um desarranjo no setor de serviços.

Na contramão dos demais, Nakano declarou que a política monetária tem sido pouco eficaz para combater a inflação. De acordo com o economista da FGV, os preços não dispararam de forma mais expressiva por causa da apreciação cambial. "Quando você eleva a taxa de juros, os valores dos ativos caem. No Brasil isso é fixado. A elevação da taxa de juros tem muito pouco efeito sobre a taxa de crédito. Precisamos acabar com essa indexação", ressaltou Nakano, para quem Dilma ainda não disse a que veio em termos econômicos.

Ao final do debate, os economistas também discorreram sobre alguns desafios para a economia brasileira continuar em rota de crescimento sustentável. Nakano frisou a necessidade de o país promover um ajuste fiscal e elevar a taxa de investimento de 18,4% para 23% do Produto Interno Bruto (PIB). Já Barros disse que o governo Dilma deveria se concentrar em uma "agenda de destravamento" que reduza a burocracia, a carga tributária e os custos trabalhistas, além de realizar melhorias na infraestrutura e nos portos nacionais.

Delfim, por outro lado, chamou a atenção para o fato de que mudanças profundas, com capacidade de aprimorar a eficiência do gasto público terão que passar pelo Legislativo, o que pode comprometê-las. "Infelizmente, a economia depende da política e o pior argumento que você pode usar no Congresso é a lógica", concluiu.

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