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03 Abril 2011

Os incidentes provocados por greves que se espalharam por grandes canteiros de obras em diferentes regiões revelam que os trabalhadores da construção civil no País têm em comum hoje mais do que a insatisfação com as condições de trabalho.

A reportagem é de Alexandre Rodrigues e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 03-04-2011.

Com os investimentos em infraestrutura e do mercado imobiliário crescendo mais que a oferta de mão de obra em todo o País, os operários do setor ganham poder de barganha e querem dos patrões mais do que reajustes.

A repercussão da revolta dos operários que erguem a hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, há duas semanas, estimulou outros incidentes com vandalismo e incêndios, como nos canteiros das usinas de Santo Antônio, também no Rio Madeira, e de São Domingos, em Mato Grosso do Sul. O episódio de Jirau ainda deu fôlego a movimentos grevistas na termoelétrica de Pecém, no Ceará, e na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que a onda de paralisações de trabalhadores da construção já tinha começado em janeiro, no próprio canteiro de Jirau, com barricadas e piquetes que não reivindicavam aumento, mas melhoria no transporte, alojamento, assistência médica e folga para ver a família.

Em fevereiro, trabalhadores das obras da Arena do Grêmio, no Rio Grande do Sul, pararam 19 dias. Um dos pedidos atendidos foi passagem de avião para visitar parentes nos Estados de origem, a maioria do Nordeste. A greve dos funcionários na construção de habitações populares do programa Minha Casa, Minha Vida na Bahia, iniciada em fevereiro, durou mais de um mês por reivindicações como cestas básicas e cursos profissionais.

"Os movimentos têm reivindicações em comum, que são melhores condições de trabalho. Dentro delas está o salário, mas a insatisfação mais forte é com jornadas excessivas, desrespeito a acordos coletivos, más condições de transporte, alojamento e alimentação", diz José Silvestre Oliveira, coordenador de relações sindicais do Dieese. "As condições sempre foram muito precárias nesse setor. Com a velocidade da informação, essa motivação comum começou a pipocar. E pode ter certeza de que vamos ter mais nos próximos dias."

Pela TV

Quando viram a TV exibir em todo o País as reivindicações dos manifestantes, que deixaram os alojamentos de Jirau em chamas, um grupo de operários das obras do Porto do Açu, no norte fluminense, não teve dúvidas: também queria atenção à sua pauta, há meses entregue à construtora que ergue o porto de R$ 4 bilhões do empresário Eike Batista.

Na madrugada da última terça-feira, bloquearam a entrada do empreendimento com uma barricada de pneus em chamas e pararam 1,2 mil operários. Dois dias depois, reabriram o porto com toda a pauta atendida, incluindo plano de saúde para familiares, adicional de 30% de periculosidade e reajuste.

"O movimento em Jirau nos inspirou, claro, porque aqui também as condições de trabalho são muito ruins. Vimos na TV os companheiros lutando, por que ficaríamos de braços cruzados?", diz José Eulálio, líder sindical dos trabalhadores da construção civil no norte fluminense. "Conseguimos porque a mídia mostrou e o Eike mandou um representante da empresa dele obrigar a construtora a aceitar nossos pedidos. Sem trabalhador, nem tem obra."

A afirmação é cada vez mais verdadeira no setor, confirma Sergio Watanabe, presidente do Sinduscon-SP, sindicato das construtoras paulistas. Com o aumento das obras, falta mão de obra com experiência. Marceneiros, pedreiros e ajudantes, que até pouco tempo formavam uma das categorias mais desvalorizadas do mercado de trabalho, são agora disputados como profissionais qualificados.

"Hoje não tem desemprego na construção em São Paulo, é abaixo de 2%, pleno emprego. Não tem mão de obra para contratar, a não ser tirando de outros setores da economia e treinando no canteiro de obras. No passado, os nordestinos vinham para esse tipo de trabalho, mas o crescimento do setor é igual em todo o País, inclusive no Nordeste. Temo até que possa haver uma inversão no fluxo desse tipo de trabalhador", afirma Watanabe.

Ele admite que o resultado disso é a obrigação das construtoras de aceitar reajustes reais mais elevados e melhoria dos benefícios e condições de trabalho para não perder operários para os concorrentes. "Manter o funcionário hoje é fundamental. As empresas disputam o funcionário das outras pela necessidade de cumprir prazos. É um problema que o setor vai continuar a viver no curto prazo."

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