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14 Março 2011

"Hawking afirma que a ciência é capaz de refutar a existência de Deus. No entanto, Polkinghorne está convencido de que a ciência explora apenas uma camada da existência. Deus age por meio da da poesia e da arte, dos santos e dos místicos."

A opinião é de Ashleigh Green, acadêmica de mídia e comunicações da Universidade de Sydney, Austrália. O artigo foi publicado no sítio australiano Eureka Street, 06-03-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

No ano passado, Stephen Hawking lançou o seu livro The Grand Design, que pretendia explicar por que um criador é desnecessário. A afirmação se baseia na premissa de que a existência do universo é o resultado da teoria-M, que sugere que a colisão de duas membranas poderia ter causado o Big Bang.

Embora a proposta da teoria-M por Hawking possa ser bem válida, ela levanta a questão de saber se a existência de Deus pode ser refutada pela ciência. Enquanto muitos cientistas apoiam essa visão, outros discordam. Com a evolução da ciência no século XXI, um número crescente de cientistas começou a explorar natureza complementar da ciência e da religião.

John Polkinghorne, teólogo e cientista da Universidade de Cambridge e coautor de Questions of Truth: Responses to Questions about God, Science, and Belief [Questões de Verdade: Respostas às Perguntas sobre Deus, Ciência e Fé], recentemente lançou uma nova luz sobre um modelo novo e harmonizador entre ciência e religião.

Polkinghorne afirma que o século XX viu a morte de uma visão meramente mecânica do mundo, e a ciência do século XXI reabriu a possibilidade de um mundo que é aleatório, imprevisível e nebuloso às vezes, não por causa da ausência de Deus, mas devido ao fato de que Deus projetou um mundo com a capacidade de criar e agir livremente, de acordo com sua natureza.

No entanto, Polkinghorne sugere que esse mundo, com a capacidade de mudança e de criatividade, é indicativo de um deus que não intervém de forma mágica. Por exemplo, a crosta terrestre, como resultado do projeto de Deus, é livre para se comportar de acordo com a sua natureza. Isso pode levar a terremotos e tsunamis, mas, entretanto, a terra é livre para agir à sua maneira, assim como nós somos livres para agir à nossa maneira.

A imprevisibilidade da natureza, portanto, está ligada à própria essência do seu projeto.

Os termos "nebuloso" ou "imprevisível" pode não corresponder à ciência rígida e claríssima que nos foi ensinada na escola. Mas nem sempre a ciência é rígida ou previsível. Como Polkinghorne indica, o mundo quântico é tudo menos isso.

Os quarks são partículas menores do que os prótons e os nêutrons. Suas propriedades são inteiramente aleatórias, e ninguém nunca isolou um único quark em laboratório.

Assim, a descoberta do quark foi uma experiência interessante na fé. Várias propriedades do mundo físico só podiam ser explicados pelo quark invisível. Então, de repente, no marco científico, apareceram essas realidades invisíveis que davam inteligibilidade ao mundo. Aqui, podem ser feitos paralelos entre ciência e religião, particularmente para as passagens da escritura cristã que se referem a "acreditar sem ver".

Polkinghorne afirma que a compreensão da relação entre ciência e religião não pode se basear meramente na antiga teoria do "Deus das lacunas", ou seja, a ideia de que Deus só conta para as coisas que a ciência não pode explicar. Ele sugere que, se Deus é o deus das verdades, talvez quanto mais a ciência avance, mais aprendamos sobre Deus.

A compreensão do século XX de que a luz é tanto uma partícula quanto uma onda gerou dúvidas sobre uma visão de mundo "mecânica". O fato de que a luz poderia exibir tanto as propriedades de uma onda quanto as de uma partícula deixou muitos cientistas perplexos. Alguns se recusaram a acreditar. Alguns aceitaram a proposta, mas a menosprezaram como estranha. Outros pressionaram tanto sobre a natureza dual da luz que o resultado foi um debate acalorado.

Hoje, no entanto, um século mais tarde, há um consenso geral de que várias substâncias do mundo físico realmente possuem uma natureza dual. Polkinghorne questiona se é razoável acreditar que Deus também possa ter uma natureza dupla, que ele possa de fato entrar na Terra como Deus e como humano.

Essa não é uma questão de usar a ciência para provar a existência de Deus, mas, ao contrário, para ilustrar que Deus e a ciência podem coexistir de forma harmoniosa e complementar.

Hawking afirma que a ciência é capaz de refutar a existência de Deus. No entanto, Polkinghorne está convencido de que a ciência explora apenas uma camada da existência. Deus age por meio da da poesia e da arte, dos santos e dos místicos. Você não pode apreciar totalmente uma obra de arte examinando a composição química de sua tinta. Da mesma forma, você não pode entender a função de Deus no universo olhando apenas para a sua natureza física.

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