Vaticano deve criar modelo para ética empresarial baseado nos Princípios Sullivan

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02 Março 2011

Alguns esforços para tentar convencer empresas a terem uma maior noção de responsabilidade social têm sido mais efetivos desde que os "Princípios Sullivan" foram elaborados, no final de 1970, pelo ministro afroamericano Leon Sullivan, que, naquele momento, pressionava economicamente a África do Sul a rever e abandonar o seu sistema de apartheid.

A reportagem é de John Allen Jr. e foi publicada no sítio do National Catholic Reporter. A tradução é de Anne Ledur.

Por consenso, os "Princípios Sullivan" funcionaram porque eles condensaram grandes volumes de linguagem teórica sobre solidariedade global e direitos humanos em um pequeno conjunto de compromissos concretos e práticos, que tiveram um impacto visível no mundo real.

Com base nesse modelo, o Vaticano está se preparando para desenvolver algo semelhante para a ética empresarial no século XXI - uma espécie de versão católica dos "Princípios Sullivan" - baseado na encíclica social do Papa Bento XVI 2009, Caritas in Veritate.

Isso, pelo menos, é uma proposta concreta que deve sair do simpósio sobre a encíclica, intitulado "A Lógica do Dom", em Roma, pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz . O evento foi copatrocinado pelo John A. Ryan Institute for Catholic Social Thought of the Center for Catholic Studies, da Universidade de St. Thomas, de St. Paul, Minnesota.

Um grupo de trabalho do Conselho para Justiça e Paz foi formado para elaborar um projeto, composto por um grupo de especialistas sobre o pensamento social católico e dois funcionários do Conselho, o bispo italiano Mario Toso, como secretário; e o americano Dom Anthony Frontiero.

O objetivo desses novos "Princípios Sullivan" seria ainda mais audacioso do que o original - não para derrubar um sistema racista de uma nação – e, sim, remodelar uma economia amorfa que se estende por todo o globo, muitas vezes desafiando o controle de qualquer pessoa, no sentido de consagrar o "dom" lado a lado com o lucro como valor central da economia.

O simpósio "A Lógica do Dom" reuniu acadêmicos especializados no ensino social da Igreja com profissionais de negócios. O objetivo foi o de expandir noções que tiveram grande importância na encíclica do Papa, quando aplicadas à execução de um fundo de participações privadas ou à gestão de uma empresa internacional de bens de varejo, como, por exemplo,  gratificações.

Subjacente a essas discussões, foi uma frustração que as nobres aspirações do ensinamento social católico, muitas vezes evaporou quando já era hora de passar da teoria à prática.

Como um participante colocou: "Parece que temos uma noção do que ansiamos, mas a especificidade comportamental é estreita."

Andreas Widmer, um ex-guarda suíço, que agora dirige um fundo privado em Boston promovendo soluções empresariais para a pobreza, provocativamente sugeriu que os capitães da indústria deveriam se testar: "Se vocês fossem presos por serem líderes empresariais cristãos e a polícia fizesse uma auditoria das práticas e políticas das suas empresas, eles encontrariam evidências da tradição social em seus negócios?"

Widmer ressaltou como indicadores-chave um salário mínimo, procedimentos justos para as demissões, e a organização de trabalho (prova da participação e da subsidiariedade no local de trabalho).

Esse é o tipo de coisa que subjaz à proposta de uma versão católica dos "Princípios Sullivan", lançados durante o simpósio por três líderes do pensamento social católico: André Habisch, professor alemão de Ética Social, Robert Kennedy e Michael Naughton, da University of St. Thomas.

Como indicou Naughton, a ideia seria produzir uma “cartilha” curta sobre princípios sociais católicos que se aplicariam a desafios empresariais concretos - talvez dez páginas, concebidos para apelar aos empresários que não leram a "Caritas in Veritate” ou o recém-publicado "Compêndio" do ensino social católico, mas que desejam trazer as suas convicções morais e espirituais para dar suporte a sua atividade empresarial.

Embora os “Princípios Sullivan” sejam provavelmente o melhor modelo conhecido para tal projeto, disse Naughton, existem outros exemplos a aproveitar, incluindo o Pacto Social das Nações Unidas e os princípios da "Mesa Redonda de Caux", uma organização internacional de executivos de negócios que visa para promover a prática ética.

Como Naughton colocou o argumento, a Igreja Católica tem recursos exclusivos para fazer o trabalho. Três em particular se destacam:

- Provavelmente é a tradição mais ampla do pensamento social, ensino e prática de qualquer corpo religioso no mundo.

- Tem uma extensa rede de grupos e associações de profissionais católicos, partindo, por exemplo, da União Internacional Cristã de Executivos de Negócios de Bruxelas, fundada por católicos no início do século XX, agora ecumênico;

- Mais de mil faculdades e universidades católicas ao redor do mundo, a maioria das quais as escolas de negócios - apesar de que muitas, conforme afirmou Naughton, não recorrem à tradição social católica de forma sistemática.

Naughton disse que Pontifício Conselho de Justiça e Paz é a égide lógica em que um conjunto católico de "Princípios Sullivan" deve ser elaborado. O negócio é uma realidade mundial, e o Vaticano é uma instituição global. Além disso, ele disse, como uma "cartilha", um grande modelo de como a Igreja pode se envolver.

O simpósio "A Lógica do Dom" foi parte de uma série de eventos organizados pelo Conselho de Justiça e Paz para explorar a aplicação da Caritas in Veritate, incluindo um encontro em outubro passado, em Roma, para analisar a encíclica de recepção nos Estados Unidos, e um pan-africano sobre a encíclica encenada em Gana.

Em maio, o Conselho de Justiça e Paz também pretende organizar um congresso mundial que marca o 50º aniversário da encíclica do Papa João XXIII, Mater et Magistra, considerada um marco na evolução da doutrina católica social contemporânea.

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