Carta aberta de Inácio de Loyola a José Pagola por ocasião do 20º aniversário da morte de Arrupe

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08 Fevereiro 2011

A autoria da carta, abaixo publicada, é de Juan Masiá, teólogo, jesuíta, e publicada no sítio espanhol Religión Digital, 06-02-2011. A tradução é do Cepat

Cinco de fevereiro, 20º aniversário do nascimento para a vida eterna de Pedro Arrupe, dez anos depois de sua "crucificação" pelo Sinédrio da Cúria.

"De basco para basco, sobre outro basco", diz o assunto da mensagem eletrônica que acaba de chegar do sétimo céu, com uma "Carta aberta de Inácio de Loyola a José Antonio Pagola". Em um arquivo anexo havia um CD com a música de "Ara nun diran mendi maite...", que me emocionou recordando que ouvi o Pe. Arrupe cantá-la em 1974 na Assembleia de Loyola. O texto de Inácio de Loyola para Pagola soa assim:

"Que Deus guarde a vossa mercê longos anos.

Hoje, no refeitório da corte celestial, nos leram algumas páginas de seu livro sobre Jesus, que tanto deleita sua Divina Majestade. Depois, como era dia festivo, o Espírito Santo anunciou: Deo gratias! E brindamos com Patxarán, celebrando a entrada nesta santa mansão de Pedro Arrupe, santo súbito há 20 anos, sem necessidade de financiar milagres.

Certamente, chegam aos nossos ouvidos rumores de querubins, se diz que vossa reverência sofre ataques de inquisidores e que bispos góticos e barrocos não veem com bons olhos seu Jesus, simples e galileu. Entre nós, lhe direi o que me contou João o evangelista (aposentado, para sempre, ao lado de Jesus, fofoqueia "a bonico", como dizem em Múrcia, sobre as travessuras da hierarquia eclesiástica).

João diz que Jesus gosta do Jesus de Pagola, mais que o dos bispos gótico-românicos (Os góticos o estropiam com latins e "capisayos’ longos, e os barrocos – ou ba-rroucos [possível referência ao cardeal espanhol Rouco Varela, presidente da Conferência Episcopal Espanhola] se extraviam pelo "Caminho").

Nosso paisano Pedro Arrupe também ouviu os rumores angelicais e diz que para esses casos a melhor coisa é o que ele aprendeu em meus Exercícios Espirituais: o Inquisidor, assim como o Maligno, "quer que suas palavras e suas ações fiquem em segredo" (Exercícios n. 326) e "usa muitos rostos" e muda o desânimo em esperança fazendo o "opposito per diametrum" [diametralmente o oposto] (id., 325). E diz o bom Maese Pedro que o melhor é o bom humor e colocar o "mas ao contrário", como ele fazia com Paulo VI.

Cada vez que conta isso na tertúlia do céu, todos rimos muito, menos os santos japoneses, que não distinguem "mas" e "pelo" [O autor joga com as palavras "pero" e "pelo"]. Paulo VI disse ao jesuíta: "Padre Arrupe, vão às fronteiras, mas... cuidado com os abusos, não se excedam, freiem diante do perigo...". E na saída perguntamos a Arrupe: "O que o Papa lhe disse?". "Que tenhamos cuidado com os perigos e abusos, mas... que não deixemos por nada do mundo de estar nas fronteiras".

Me parece, amigo Pagola, que se o Inquisidor diz que seu livro é bom, mas pode ser mal-entendido, nós, seus amigos, lhe dizemos: pode ser que seja mal-entendido (por algum mau entendedor), mas convém que seja divulgado, que o bem quanto mais universal, mais divino.

E sem mais nada para comentar por hoje, me despeço desejando-lhe que siga escrevendo para a maior glória de Deus para que aqueles que o lerem possam em tudo amar e servir.

De vossa mercê afetíssimo amigo no Senhor. Agur.

Inácio de Loyola"

 

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