O mundo após a civilização que nega a transparência. Entrevista com Richard Stallman

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02 Fevereiro 2011

Na Rede crescem as insidias de quem quer afirmar a liberdade de cada um em relação ao poder dos estados e das empresas. E, se Wikileaks e Julian Assange revelam a insuportabilidade do segredo industrial e de Estado, os "social network’ recolhem, todavia, informações individuais para transformá-las em mercadoria para vender à melhor oferta.

A reportagem e a entrevista são de Giulia Pacifici e estão publicados no jornal italiano Il Manifesto, 19-01-2010. A tradução é de Benno Dischinger.

O frio deste instável inverno romano não impede Richard Stallman de apresentar-se ao encontro vestindo uma camisa florida de meia manga. Quem o conhece, no entanto, certamente não se espanta com o look. Guru tutelar do software livre, Stallman é atualmente um guru da atitude hacker, papel que recobre desde quando, em 1983, bateu às portas do Massachusetts Institute of Technology para desenvolver um sistema operativo para computador não submetido às normas dominantes sobre o copyright. Desde então fez muitas coisas, entre as quais a de fundar a Free Software Foundation, uma fundação sem fins lucrativos que promove um uso não vinculado à lógica proprietária que regula a produção e a cessão dos programas de informática. A ele se deve a licença GPL (General Public Licence) que garante a livre distribuição do software.

Após trinta anos, você pensa que a difusão de software livre tenha tido efeitos "colaterais" não previstos?

Aconteceram muitas coisas não previsíveis na época. Por exemplo, por certo eu não podia prever que algumas pessoas, em nome de alguns ideais na base do software livre, tivessem dado vida a empresas baseadas em programas "open source’ para obter lucros. Ao mesmo tempo, por certo não podia imaginar que a Microsoft teria impulsionado empresas, governos e Estados a adotarem os seus programas e que depois os tivesse mobilizado contra a adoção de programas de informática "free’. Além disso, os computadores se tornaram sempre mais uma tecnologia secreta: em 1983, de fato, quando eu comprava um computador ou um periférico, eu tinha todas as especificações necessárias para escrever o software a usar, enquanto agora tais informações permanecem secretas. Enfim, há trinta anos não era imaginável que os computadores se tivessem tornado máquinas usadas por centenas, se não por milhões de pessoas. Em todo o caso, penso que as quatro liberdades garantidas pelo software livre ainda sejam um objetivo pelo qual vale a pena bater-se. A liberdade de utilizar o programa para qualquer finalidade; a liberdade de estudar como funciona o programa, e modificá-lo da maneira que se prefere, fazendo alterações; a liberdade de redistribuir as cópias de modo a ajudar quem quiser utilizar o mesmo programa; a liberdade de distribuir cópias da própria versão modificada para tornar partícipes todos os outros das melhorias obtidas: são todos elementos que ainda têm sua validade.

O Wikileaks pode ser um símbolo da liberdade de informação? O que pensa dos problemas que envolvem Julian Assange?

O Wikileaks é o exemplo de como a Internet tem potencialidades para resistir ao perigo da tirania. A suja guerra estadunidense para obscurecer o Wikileaks e bloquear seu financiamento mostra que a tirania é poderosa e a resistência contra ela não tem garantias de sucesso sem nossa ajuda. Penso que aquelas mulheres tenham sido usadas para criar a aparência de um escândalo em torno de Assange. O objetivo é desviar a atenção dos reais escândalos revelados pelo Wikileaks.

A web substituirá a informação em papel?

Não prevejo o futuro. Limito-me a sublinhar alguns dos perigosos desenvolvimentos que estão se verificando no presente. Muitos jornais migraram para a web, e isso tem sido um fenômeno útil para a difusão das informações. Ao mesmo tempo, há o perigo de um aumento das restrições ou da vigilância sobre seu uso. Assim, por exemplo, nem sempre podes pagar as informações sobre a web de forma anônima, porque deves usar o cartão de crédito. Os pagamentos de fato são "tracejados". Além disso, não há regras compartilhadas: atesta-o o modo como PayPal, Mastercard e o Banco da América cortaram as doações ao Wikileaks. Por esta razão quase nunca uso meu cartão de crédito a não ser como último recurso para pequenas despesas inesperadas. E, se um sítio [site] quer um pagamento pelo acesso, não o uso, pelo menos não até que possa pagar de maneira anônima. A publicação digital pode ameaçar os teus direitos também de outros modos. Frequentemente se utilizam formatos com dados propositalmente criptografados para limitar seu uso da parte dos usuários. (A maior parte dos DVDs é disso um exemplo, e assim como muitos dos livros eletrônicos, os assim chamados e-books). E aos usuários pode ser exigido subscrever licenças que impõem restrições maiores do que as normas que regulam os copyright, como acontece com muitas sociedades que produzem e vendem e-books. Eu recuso essas formas de mídia limitantes, porque penso que limitam minha liberdade.

A propósito da difusão de novos suportes tecnológicos, como o iPad ou os novos celulares, que permitem a fruição das informações na web...

Os recentes produtos da Apple, como o iPad, representam um progresso pioneiro na imposição de restrições aos usuários. Com estes malévolos produtos, os usuários não são livres para instalar qualquer aplicação que queiram. Este é o caminho do software proprietário. Um programa não livre cria um sistema de poder injusto. É isto que a Apple fez com o iPhone e o iPad.

A filosofia do software livre é compatível com o novo fenômeno dos social network?

Os homens e as mulheres sempre viveram em social network, isto é, em redes sociais. Não há, pois, nada de fundamentalmente errado nos social network digitais. Uso o email há décadas e esta também pode ser considerada uma forma de sociabilidade digital. O problema é que alguns destes sítios são danosos, no sentido de que não compartilham seus métodos.

Estes sítios [sites] trabalham bem com vários software livre, exceto quando distribuem vídeos em formato Flash Player (que é um programa proprietário), enquanto poderiam funcionar também com o Free Gnash Player. Em todo o caso, o fato de que podes usar Facebook com um free browser não significa que deverias fazê-lo. O Facebook não é um amigo teu. Seu modelo de business é baseado em colecionar informações pessoais de muitíssimas pessoas para disso obter benefícios. Por isso desaconselho seu uso.

Na Europa a crise e as subsequentes medidas governamentais de austeridade estão provocando muitos protestos populares em numerosas cidades, de Atenas a Londres, de Roma a Paris. Na América há uma abordagem diversa dos mesmos problemas?

É um erro chamar estas medidas de austeridade "consequentes" ou "subsequentes", porque não são consequências da crise. São simples instâncias de mau governo. O modo de pôr fim a uma crise econômica é com o déficit da despesa. Porque, então, os governos, ao invés, propõem cortes? Porque os governos traíram os países que declaravam servir. São os governos da ocupação fundados sobre o império do business global. Para restaurar a democracia deveriam desembaraçar-se do império e destruí-lo.

Obama tentou isso no início do seu mandato, no sentido de aumentar a despesa e tirar os Estados Unidos da crise econômica, mas os republicanos não o permitiram. Agora querem cortar os fundos à despesa pública, com uma exceção: requereram e obtiveram desagravos fiscais para os mais abastados. Não se pode dizer que sejam inimigos dos ricos.


Do "computador para o povo" ao ativismo digital

Richard Stallman é uma figura importante na cultura hacker. Pesquisador no Massachusetts Institute of Technology até 1983, ele deixou o laboratório em que trabalhava em situação de polêmica pelo uso de programas de informática submetidos a copyright, fator que considerava lesivo da liberdade individual. Tornou-se, desde então, um globe-trotter daquele eclético movimento que considera que o software deve estar ao alcance de todos, isto é, independentemente de quem for usá-lo, possa modificá-lo e distribuí-lo, acrescentando eventualmente melhorias. Em forte polêmica com a Microsoft, lançou o projeto para desenvolver um sistema operativo "free", em substituição daquele vendido pela sociedade Bill Gates. No interior deste projeto, chamado GNU, foram desenvolvidos alguns programas de informática. Mas, a obra de Stallman mais exitosa foi a fundação da "Free Software Foundation" e a obtenção da licença para o uso "livre" do software chamado General Public Licence (GPL). Na Itália, a casa editora Stampa alternativa publicou Software libero pensiero libero [Software livre pensamento livre], dois volumes que coletam todos os escritos de Stallman.

 

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