Rebeliões evidenciam paradoxo árabe

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31 Janeiro 2011

A rebelião que varre os países árabes começou em 17 de dezembro, quando Mohamed Bouazizi, de 26 anos, embebeu o corpo em solvente de tinta e se imolou em frente ao palácio do governo em Sidi Bouzid, capital provincial no centro da Tunísia.

A reportagem é de Claudia Antunes e está publicada no jornal Folha de S.Paulo, 30-01-2011.

Ambulante, sua banca de frutas havia sido confiscada. Ao protestar, foi espancado por dois guardas, segundo reconstituição feita na cidade pelo "New York Times". O protesto que se seguiu provocou uma onda que levou milhares de pessoas às ruas de todo o país. O ditador Zine el Abidine Ben Ali caiu 27 dias depois.

Bouazizi personifica uma espécie de paradoxo árabe, evidenciado nos relatórios do Pnud (Programa da ONU para o Desenvolvimento) sobre os 22 países do grupo. O paradoxo vem do fato de que a geração dele tem maior expectativa de vida e maior acesso à educação e à saúde do que as de seus pais e avós, mas as suas expectativas esbarram na falta de oportunidades provocada pelo controle oligárquico da política e da economia.

O grupo árabe, claro, não é homogêneo. No ranking do IDH (índice de desenvolvimento humano), que inclui indicadores de renda, educação e saúde, os Emirados Árabes Unidos, mais bem colocados, estão 104 posições à frente da Mauritânia.

Mas na média, aponta o Pnud, os países árabes tiveram um dos maiores avanços relativos no IDH entre 1970 e 2010, com cinco países, incluindo Tunísia e Argélia, entre os dez que mais evoluíram em todo o mundo.

Avanços

A expectativa de vida no grupo subiu de 51 para 70 anos, a mortalidade infantil diminuiu de 98 para 38 mortes por mil nascimentos, e a proporção da população nesses países em idade escolar matriculada passou de 34% para 64%.

No Egito, por exemplo, a taxa de analfabetismo total é estimada em quase 40%, mas na faixa de 15 a 24 anos ela cai para 10% entre os homens e 18% entre as mulheres. Na Tunísia, a taxa nessa faixa é de menos de 6%, para os dois sexos.

A isso somam-se mais dois dados, visíveis nas imagens dos protestos: a população urbana dos países árabes foi de 38% para 60% de um total de 320 milhões de pessoas, e 60% delas têm menos de 25 anos. A média de idade é de 22 anos, contra a média global de 28.

Enquanto essas mudanças ocorriam, movimentos que no século passado conquistaram a independência ou lideraram revoluções nacionalistas se fossilizaram, assim como as dinastias monárquicas eleitas a dedo pelos antigos colonizadores.

O Egito vive há praticamente 30 anos sob lei de emergência que suspende direitos civis. Há países com mais ou menos liberdade, mas nenhuma democracia.

Liberalização

A liberalização econômica dos anos 1980 e 1990 reduziu os empregos no setor público e na indústria, que é hoje menor do que em 1970, de acordo com o Pnud.

A dependência de petróleo, gás e turismo aumentou. A compra de excedentes europeus baratos reduziu a agricultura local.

Com exceção das monarquias do golfo Pérsico, a taxa de desemprego entre os jovens é o dobro da média mundial, de 14%. No Egito, ao menos 35% estão abaixo da linha nacional de pobreza; no Iêmen, são 59%.

Os protestos vieram de uma síntese de todos esses problemas. "Antes, reivindicações políticas e econômicas estavam separadas. Agora, temas cotidianos alimentaram os chamados à reforma democrática", escreveu Amr Hamzawy, do Centro Carnegie para o Oriente Médio.

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