Caso Fiat. Depois do referendo, a inquietação de Mirafiori

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19 Janeiro 2011

Maria Domenica tem os olhos cansados, são duas horas da tarde, e ela recém terminou o turno. Uma rotina que se repete há 33 anos, sempre na linha de montagem. Sempre a mesma história feita de parafusos e cansaço. E assim que sai dos portões de Mirafiori não vê a hora de correr para casa. Mas antes de chegar deve sofrer a viagem de ônibus. E é justamente na parada de Tazzoli que a encontramos, enquanto lê o panfleto distribuído pela Fiom [Federação dos Empregados Operários Metalúrgicos, na sigla em italiano]. Ela levanta a cabeça e conta: "O clima dentro da fábrica está tenso. Mesmo depois do referendo, o nosso futuro continua incerto. Felizmente, faltam-me poucos anos antes de me aposentar, mas não o suficiente para evitar as consequências do novo acordo". Baixa a cabeça novamente e sussurra: "Dez minutos na linha de produção não são mais como em outros lugares. Eles pesam". Ela leu a proposta de [Sergio] Marchionne [presidente mundial da Fiat] de compartilhar os lucros com os operários: "Palavras, só palavras. Não confio. Gostaria de ver alguma coisa escrita".

A reportagem é de Mauro Ravarino, publicada no jornal Il Manifesto, 19-01-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nesta terça-feira, os operários da CGIL [Confederação Geral Italiana do Trabalho, na sigla em italiano] voltaram para a Porta 2. "Para desfazer qualquer equívoco, porque nós não fomos embora da fábrica", diz Federico Bellono, secretário da Fiom de Turim. "E estaremos sempre perto dos trabalhadores. Mas somos os únicos. Não existe nem sombra das organizações do `sim`". O panfleto da Fiom – "Ao lado de quem teve a coragem de votar não. Ao lado de quem teve que votar sim" – anuncia a greve do dia 28 de janeiro. Enquanto isso, para os trabalhadores das carrocerias, perfilam-se novas semanas de dispensa remunerada temporária: do dia 21 de janeiro a 1º de fevereiro para quem trabalha nos carros Musa e Idea e a próxima semana para os dos carros Mito, em visto da dispensa extraordinária por um ano. Em dispensa temporária, desde fevereiro, em períodos alternados, estarão os trabalhadores das prensas e os das entidades centrais.

E sobre as acusações dirigidas por Marchionne à Fiom, por ter constituído uma "obra-prima midiática de mistificação", Bellono replica seco: "Tenho a impressão de que ainda precisa elaborar o luto". Para Giorgio Airaudo, da Fiom, "a Fiat faria bem se levasse em conta o voto dos seus operários e reabrisse uma negociação". Depois, acrescenta: "Marchionne se diz pronto para levar as retribuições dos operários italianos aos níveis dos colegas franceses e alemães, mas por enquanto faltam 1.200 euros nos salários dos trabalhadores, porque a Fiat cortou as retribuições empresariais. E se uma empresa vai bem, só nos faltava que não redistribuísse os lucros: acredito que os operários prefeririam dinheiro vivo ao risco das ações".

Por outro lado, as palavras dos trabalhadores foram despedaçadas e muitas vezes se tornam resmungos. Registram uma inquietação que não evaporou depois de um "sim" pouco convicto. "Hoje? Tudo igual, como sempre", comentam os primeiros que deixam o estabelecimento no fim do turno. "O referendo? Sim, falou-se um pouco a respeito, mas aquilo que foi já foi", repete alguém acrescentando: "Agora, só nos resta esperar que a Fiat mantenha as promessas".

Nos portões, também estão os da Cobas [Confederação dos Comitês de Base] que anunciam o nascimento da Coordenação dos Trabalhadores em "Cassa Integrazione Guadagni" [espécie de dispensa remunerada] de Mirafiori. Silvano sai rápido, mas se detém para falar: "Votei `não`. Muitos dos meus colegas marcaram `sim`, mas não quero ceder a uma guerra entre pobres. Cansa muito, e não acredito mais em nenhuma palavra de Marchionne. Agora, ele nos promete a distribuição dos lucros, mas se esqueceu que, em 2010, ele zerou a retribuição empresarial". Marco, ao contrário, votou "sim": "Porque eu tenho família e tenho que trabalhar. Espero que Marchionne seja sincero".

Em meio aos operários, Paolo Ferrero, secretário do PRC [Partido da Refundação Comunista], espera que o resultado do "não" incentive a unidade da esquerda: "Os operários fizeram o possível. Agora, a luta deve ir além dos portões, da greve do dia 28 à unidade entre CGIL e Fiom e à unidade da esquerda. O PD não foi capaz de tomar uma posição, e por isso é preciso reconstruir a unidade entre aqueles que se manifestaram contra o plano de Marchionne. Partimos de um candidato da Fiom para prefeito de Turim". Ferrero não diz o nome, mas é o de Giorgio Airaudo, ao qual até Vendola pediu que se candidate.

 

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