O Twitter tem impacto nas causas sociais?

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13 Janeiro 2011

No dia 29 de janeiro, o Twitchange, uma casa de leilões digital que vende presenças de celebridades do Twitter em nome da caridade, irá lançar uma campanha pelo bem social promovida pelo astro da NFL Troy Polamalu. O Twitchange permite que os fãs façam seus lances por uma oportunidade de interagir com suas celebridades favoritas no Twitter ao fazer com que essas celebridades os sigam, mencionem ou retuítem.

A análise é de Zachary Sniderman, publicada no sítio Mashable, 11-01-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Cada leilão dura cerca de um mês, e todo o dinheiro é doado a uma causa escolhida por uma grande celebridade. Polamalu, um astro do time Pittsburgh Steelers, foi escolhido como o porta-voz pelo seu trabalho nas questões dos veteranos de guerra. O leilão irá beneficiar a Operação Once in a Lifetime, uma organizações sem fins lucrativos que presta apoio financeiro e moral gratuito aos membros e veteranos das Forças Armadas dos EUA, independentemente de sua patente, condição física ou ramo de atuação.

A campanha anterior foi liderada por Eva Longoria em apoio à construção de casas no Haiti. Com mais de 35 milhões de acessos, a campanha arrecadou mais de 540 mil dólares e recebeu o apoio de mais de 175 celebridades como Justin Bieber, Shaquille O`Neal e Adrian Grenier.

O Twitchange escolheu Polamalu como seu próximo porta-voz por causa de seu compromisso com as questões dos veteranos. "Cada causa que temos precisa de um porta-voz que acredita nela em sua essência", disse Shaun King, fundador do Twitchange.

A causa tem a ver com a história pessoal de Polamalu. Seu avô, assim como vários de seus tios e primos serviram nas Forças Armadas. "Eu experimentei em primeira mão as tragédias, os efeitos psicológicos e emocionais da guerra por meio dos meus próprios parentes", disse Polamalu em um e-mail. Um dos primos de Polamalu ficou profundamente afetado pela "Síndrome do Golfo" ao retornar do combate. Ele acabou morrendo.

Bem social?

Como o bem social é o foco do Twitchange, King reconheceu que "o pequeno segredo sujo do Twitter é que todo mundo quer que uma celebridade o siga no Twitter". Entretanto, isso remonta a uma das críticas da nova marca da filantropia social . Como disse Malcolm Gladwell em seu muito citado e muitas vezes contestado artigo sobre os méritos relativos do bem social:

"A Internet nos permite explorar o poder desses tipos de conexões distantes com uma eficiência maravilhosa. É ótima para a difusão da inovação, da colaboração interdisciplinar, combinando perfeitamente compradores e vendedores, e as funções de logística do mundo do namoro. Mas os laços fracos raramente levam a um ativismo de alto risco."

Em algum nível, essa informação é precisa: campanhas sociais como o Twitchange são menos suscetíveis de criar momentos revolucionários da forma como o ativismo de alto risco, como o movimento dos direitos civis, pode criar. Além disso, a preocupação é de que as campanhas tem mais a ver com as celebridades do que com a caridade real.

"Eu acho que celebridade vem primeiro e depois a caridade", disse Peter Panepento, editor-assistente do The Chronicle of Philanthropy. "Eu não acho que isso seja necessariamente uma coisa ruim, mas acho que as pessoas precisam reconhecer que isso não deve ser um substituto para outras formas de caridade".

Ben Rattray, fundador do Change.org, defendeu o mesmo sentido de cautela. Organizações sem fins lucrativos como o Twitchange trazem uma certa "sensualidade" ao ato de doar, mas esse mesmo entusiasmo precisa ser temperado por uma perspectiva medida sobre que ajuda o Twitchange pode oferecer, especialmente tendo em conta o impacto desproporcionalmente maior das doações offline.

O argumento de Gladwell, porém, ignora a simples ideia de que qualquer forma de caridade é uma boa forma de caridade. Talvez a doação social não é um "ativismo de alto risco", mas alguém pode ser acusado por apoiar uma causa? Tanto Panepento quanto Rattray concordam que, no final das contas, campanhas como o Twitchange são positivas: dinheiro, conscientização e frisson para causas nobres.

Conclusão

É possível que algumas pessoas possam participar do leilão só para estar perto de uma celebridade, esquecendo a causa por trás disso. Também é igualmente possível que, ao fazer isso, essas mesmas pessoas aprendam sobre um assunto importante ou continuem apoiando algo que, de outra forma, poderiam não ter descoberto. "Finalmente, descobrimos que a maioria das pessoas que fazem seus lances no Twitchange o fazem porque acreditam na causa, e a interação com as celebridades é apenas um bônus muito legal a mais", disse King.

As causas recebem um impulso extra dado pelas celebridades e por suas redes sociais, envolvidos na campanha. Se você tiver uma celebridade favorita, o site Twitchange realmente vai ajudá-lo a procurá-lo e a pedir para que ele (via tweet) subscreva em apoio à causa. "Realmente, é um marketing muito brilhante", disse Rattray. "É difícil que uma celebridade recuse uma oportunidade de fazer o bem".

No caso de Polamalu, seu estímulo parece vir mais do coração. Normalmente de fala mansa, ele gosta de manter seu trabalho de caridade fora da esfera pública, a fim de preservar a autenticidade da experiência e dos seus esforços.

A mídia social derrubou as portas desse modelo para esta única exceção: "Apoiar os veteranos é uma causa nobre que merece publicidade, porque a sociedade às vezes se esquece do enorme impacto que eles tiveram", disse Polamalu. "Essas pessoas são heróis porque fazem o sacrifício supremo para que desfrutemos nossas liberdades diariamente. Uma oportunidade dessa magnitude precisa de toda a publicidade que possa obter".

 

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