Roma descarta o impacto de Maciel na beatificação de João Paulo II

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12 Janeiro 2011

O caso do fundador dos Legionários de Cristo e responsável por diversos crimes, Marcial Maciel Degollado, não terá impacto no processo de beatificação de João Paulo II, segundo revelaram documentos reservados do Vaticano.

A reportagem é da agência Notimex, 12-01-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A Congregação para as Causas dos Santos, responsável pelo "caminho aos altares" de Karol Wojtyla, descartou um possível envolvimento do pontífice nos atos imorais cometidos pelo sacerdote mexicano, entre eles abusos sexuais de menores.

Uma uma carta datada do dia 17 de novembro de 2007 e com número de protocolo 147/05-14478, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, William Joseph Levada, respondeu a uma solicitação informativa da seção para os Santos sobre o caso Maciel e João Paulo II.

"A respeito, a única resposta que esta Congregação é capaz de oferecer é a seguinte: existem algumas cartas e súplicas dirigidas a João Paulo II por parte dos denunciantes", escreveu Levada.

"Porém, não resulta nenhum envolvimento pessoal do servo de Deus no procedimento contra o padre Marcial Maciel", acrescentou nessa missiva interna, reproduzida em um livro reservado "sub secreto", parte dos documentos do processo de beatificação de Wojtyla.

A carta em questão foi publicada no livro Ataque a Ratzinger. Acusações e escândalos, profecias e complôs contra Bento XVI, dos jornalistas italianos Andrea Tornielli e Paolo Rodari.

Segundo Tornielli, o livro "sub secreto" incluiu não só o caso do fundador dos Legionários de Cristo, mas também todos os aspectos "delicados" do pontificado de João Paulo II, aqueles que deviam ser revisados a fundo e esclarecidos.

"A Santa Sé não considera que Maciel possa obstaculizar a beatificação: de fato, esse não foi um dos problemas mais discutidos quando os bispos e os cardeais trataram da causa", afirmou.

"Esse não é um problema neste momento para la causa de beatificação, porque já foram declaradas as virtudes heroicas. Então, significa que o processo está concluído", insistiu.

Referia-se assim à primeira fase do itinerário realizado por Wojtyla em seu caminho aos altares, que concluiu no dia 19 de dezembro de 2009 com a publicação de um decreto de Bento XVI, no qual certificou que seu antecessor viveu as virtudes cristãs "em grau heroico".

Nessa etapa inicial, foram analisadas todas as atuações do falecido bispo de Roma, incluindo suas decisões com relação aos temas delicados e se chegou à conclusão de que nenhum desses assuntos pôs em dúvida sua santidade pessoal.

Tornielli lembrou que o próprio João Paulo II disse, no ano 2000, que quando a Igreja beatifica uma pessoa não subscreve toda as suas opções históricas, nem considera que a totalidade de suas decisões foram corretas, porque até um Papa pode se equivocar.

Ele indicou que o Vaticano se assegura de que, em seu tempo, as posturas tomadas se basearam em uma reta consciência e que, em seu ponto de vista, o interessado acreditava estar fazendo o seu dever.

"A canonização de um Papa não é a canonização de um pontificado, 27 anos de história da Igreja. Sempre é a canonização de uma pessoa, propô-la como modelo de santidade pessoal em sua vida, inclusive apesar de seus erros", assegurou.

Para Tornielli, no Vaticano, sabe-se "muito bem" que o Papa polonês não exerceu cumplicidade e nunca quis encobrir os escândalos, como por exemplo nos casos de abusos contra menores.

"Não há nada que se possa dizer a respeito de sua suposta cumplicidade ou não atenção ao problema. Então, temos que acreditar que ele não foi correta e devidamente informado da gravidade das acusações e da credibilidade das testemunhas", ponderou.

Atualmente, a causa de beatificação de João Paulo II está em sua segunda fase, e o Vaticano analisa a veracidade de um "milagre", supostamente concedido a instâncias suas: a cura inexplicável de uma freira francesa de uma forma grave do mal de Parkinson.

Após o visto positivo de uma comissão média e de um grupo de teólogos, só falta a revisão por parte de bispos e cardeais. Se se manifestarem positivamente, o expediente será submetido ao Papa Bento XVI, que poderá aprovar a beatificação.

Nota da IHU On-Line:

Segundo o jornal La Stampa, de ontem, dia 12-01-2011, a Comissão do Colégio Cardinalício aprovou a beatificação de João Paulo II após analisar os documentos da Comissão médica e teológica sobre o milagre de cura da doença de parkinson de uma irmã religiosa francesa.

Segundo o jornal italiano, falta somente definir a data da beatificação, que será feita em Roma. As datas possíveis são o dia 3 de abril, domingo, um dia depois do data do seu falecimento, ou 16 de outubro, dia em que foi eleito Papa.

 

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