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09 Janeiro 2011

A inflação está se espalhando pelas maiores economias emergentes do mundo, causando ruído naqueles que têm sido os motores do crescimento global nos últimos anos.

A reportagem é de Alex Frangos, John Lyons e Vibhuti Agarwal, publicada pelo The Wall Street Journal e reproduzida pelo jornal Valor, 10-01-2011.

Os bancos centrais de Brasil, Rússia, Índia e China, os chamados países do Bric, que são agora responsáveis por quase um quinto da atividade econômica mundial, aumentaram as taxas de juros nas últimas semanas e estão testando medidas mais exóticas para estancar o avanço dos preços, especialmente os de alimentos: a Índia e a Rússia proibiram as exportações de cebola e de trigo, respectivamente, enquanto a China prometeu controles de preço para itens como o óleo de cozinha.

O Brasil informou na sexta-feira que a inflação de 2010 ficou em 5,9%, a mais alta em seis anos, o que aumenta as chances de que os já elevadíssimos juros do país subam ainda mais, com possível efeito sobre o crescimento.

É certo que a inflação brasileira ainda está muitíssimo longe dos níveis estratosféricos do início dos anos 90. Alguns analistas também dizem que o temor de uma espiral inflacionária nos mercados emergentes é exagerado, com taxas estando ainda abaixo das do auge de antes da crise financeira de 2008.

Ainda assim, a tendência de inflação está criando dor de cabeça para as autoridades, de Pequim a Nova Déli, como o temor de que a alta dos preços dos alimentos ponha em risco a estabilidade social.

"A inflação é um dos maiores riscos para este ano", disse Nicholas Kwan, economista do Standard Chartered em Hong Kong.

A aceleração na alta dos preços no mundo em desenvolvimento contrasta com os baixos índices de inflação na Europa e nos Estados Unidos e com a persistente deflação no Japão. A divergência é em parte um subproduto das recuperações econômicas mais fortes dos países em desenvolvimento, em comparação com o crescimento anêmico dos países ricos.

Essa disparidade complica as tentativas de combater a inflação no mundo em desenvolvimento, afirmam os economistas.

Os líderes brasileiros e de outros países reclamam que a decisão do Federal Reserve, o banco central dos EUA, de injetar US$ 600 bilhões na economia promove a inflação de commodities e bolhas de ativos, ao enfraquecer o dólar. O presidente do Fed, Ben Bernanke, disse na sexta-feira que a medida não está alimentando a inflação.

Uma recuperação melhor do que o previsto nos EUA pode alimentar a inflação ao provocar um surto de demanda na cadeia global de fornecimento, fazendo com que economias que já operam a plena capacidade superaqueçam, dizem economistas.

"Estamos chegando a um ponto em que as exigências das economias emergentes serão suplantadas pelas políticas das economias avançadas", diz o economista Eswar Shanker Prasad, da Universidade Cornell, dos EUA.

O Brasil estabeleceu uma das taxas de juros mais altas do mundo para conter a inflação, agora que o crescimento econômico se aproxima de 7% e quando houve aumento nos gastos públicos para reduzir a pobreza.

A taxa Selic, de 10,75%, atraiu uma enxurrada de investimento especulativo dos EUA e do Japão, onde a política monetária é de dinheiro barato para estimular o crescimento econômico.

Em consequência disso, o real subiu mais de 35% em relação ao dólar americano desde 2009, o que torna as exportações brasileiras menos competitivas. Para evitar novos aumentos dos juros, o governo brasileiro está tentando outras medidas, como a restrição de crédito com aumento do compulsório no câmbio.

Esse é um grande teste para o novo governo de Dilma Rousseff. Embora Dilma tenha feito campanha em cima do aumento dos gastos sociais, ela está agora avaliando cortes politicamente arriscados nas despesas, para encolher o déficit e esfriar a economia.

A inflação de 5,1% na China, no acumulado de 12 meses até novembro, foi impulsionada principalmente pelos preços dos alimentos, que subiram 11,7%. Mas o núcleo da inflação, que exclui energia e alimentos, também subiu: 1,9% nos 12 meses.

A China lançou uma série de medidas para conter os preços, como duas altas dos juros, uma ligeira valorização da moeda, menor disponibilidade de crédito, controles de preço e iniciativas para erradicar a especulação ilegal com alimentos.

Na Índia, onde os preços dos alimentos impulsionaram a inflação em boa parte de 2010, a expectativa era de que uma sólida safra de arroz e outros produtos básicos amenizasse a pressão. Mas os mais recentes dados do governo mostram que a situação dos alimentos não foi resolvida, e a inflação aumentou recentemente no país.

Economistas dizem que o Banco da Reserva da Índia, o BC do país, que já elevou os juros seis vezes em 2010, vai quase certamente aumentá-los novamente quando se reunir no dia 25.

A previsão é de que a economia indiana cresça 8,75% no ano fiscal que termina em 31 de março, segundo um relatório do Fundo Monetário Internacional divulgado na quinta-feira. Mas a inflação ameaça minar os ganhos econômicos para centenas de milhões de indianos de baixa renda.

Amrith Mathur, um engenheiro de software de 36 anos que comprava verduras e legumes num mercado atacadista de Nova Déli na sexta-feira, disse que as altas de preços praticamente anularam seus ganhos salariais.

"Consegui este ano um pequeno aumento de 5% no salário, depois de dois anos, mas devido aos preços de commodities essenciais que dispararam, o aumento foi a mesma coisa que nada", disse. "Como o governo pode alcançar sua elevada meta de crescimento de 9-10% se o poder de consumo das pessoas diminui a cada dia", disse.

Na Rússia, as secas fizeram com que os preços do trigo disparassem e derrubaram a meta do governo de manter a inflação na faixa de 6% a 7% em 2010. O país informou semana passada que os preços ao consumidor subiram a taxas mais altas que o esperado de 1% em dezembro e de 8,7% ao longo do ano, aumentando a expectativa de altas dos juros nos próximos meses.

Outras grandes economias emergentes também tiveram altas dos preços maiores do que se esperava nos últimos meses. O Peru surpreendeu com um aumento de juros na semana passada, e o México divulgou inflação acima do previsto, de 4,4%. A Tailândia deve elevar os juros esta semana. A Coreia do Sul também informou que vai apresentar medidas para enfrentar a alta dos preços esta semana.

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