Novo presidente dos Religiosos do Vaticano não apresenta projeto específico

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09 Janeiro 2011

A escolha do Papa Bento XVI para o novo supervisionador do Vaticano para as novas ordens religiosas, o arcebispo brasileiro de 63 anos, Dom João Braz de Aviz, é vista como uma figura bem apessoada embora pouco conhecida, com reputação de ser moderado a conservador, que aparentemente chega em seu novo trabalho sem uma forte agenda pessoal com relação à vida religiosa.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 06-01-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Se assim for, só isso faria de Braz de Aviz um contraste com o homem ao qual ele substitui, o cardeal esloveno de 76 anos Franc Rodé, um lazarista que passou boa parte de seu mandato de cinco anos como prefeito da Congregação Vaticana para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica batalhando contra aquilo que ele descreveu como uma "crise" na vida religiosa após o Concílio Vaticano II (1962-65).

Entre outras coisas, sob a liderança Rodé, o escritório – popularmente conhecido como Congregação para os Religiosos – lançou uma controversa Visitação Apostólica das religiosas dos Estados Unidos, ainda em andamento.

Braz de Aviz não é membro de uma ordem religiosa, e fontes no Brasil dizem que ele não tem escrito ou falado amplamente sobre as questões da vida religiosa. Ele é visto como alguém mais próximo a alguns dos novos movimentos leigos na Igreja, especialmente o Movimento dos Focolares, um grupo italiano que enfatiza a unidade ecumênica e inter-religiosa.

A maioria dos observadores do Vaticano acreditam que Braz de Aviz foi escolhido principalmente por causa da força da sua nacionalidade e da reputação geral de confiabilidade, ao contrário de qualquer interesse específico na vida religiosa. Com a recente aposentadoria do cardeal Cláudio Hummes como prefeito da Congregação para o Clero, não havia nenhum brasileiro em qualquer posto elevado do Vaticano, apesar do fato de que o Brasil é, em termos de população, o maior país católico do mundo.

Teólogo dogmático que estudou em Roma nas universidades Gregoriana e Lateranense, Braz de Aviz é considerado há muito tempo pelos observadores da Igreja no Brasil como uma estrela em ascensão.

Nomeado em primeiro lugar como bispo auxiliar de Vitória, em 1994, aos 47 anos, Braz de Aviz foi indicado como bispo de Ponta Grossa em 1998, arcebispo de Maringá em 2002 e, finalmente, arcebispo de Brasília, a capital do país, apenas dois anos depois, em 2004. Esperava-se que ele fosse nomeado cardeal no recente consistório, e sua indicação ao novo posto do Vaticano torna o chapéu vermelho praticamente automático da próxima vez.

Apesar desse apelo de intimidade, Braz de Aviz tem mantido um perfil baixo público, mesmo em seu país de origem. O jornal brasileiro O Estado de S.Paulo o descreveu como "discreto e pouco conhecido", e a mídia brasileira em geral enterrou a notícia da sua nomeação nas páginas internas.

Fontes da Igreja no Brasil em geral descrevem Braz de Aviz como um centrista, que não faz parte da progressiva teologia da libertação atual no catolicismo brasileiro, mas que também se afasta da ala da Igreja mais tradicionalista.

Um jornalista brasileiro que cobre os assuntos da Igreja disse ao NCR que, durante a sua estadia em Brasília, Braz de Aviz foi visto pelos defensores da missa em latim mais como um "inimigo".

Apesar do motu proprio de Bento, de 2007, que autoriza uma celebração mais ampla da missa antiga, disse o jornalista, Braz de Aviz não deu permissão para isso "facilmente", e, em geral, "os tradicionalistas não pareceram ter uma vida fácil enquanto ele estava no comando".

Por outro lado, Braz de Aviz também manteve distância dos progressistas.

Em dezembro de 2008, ele ameaçou boicotar um encontro de franciscanos se Leonardo Boff – um renomado teólogo da libertação que deixou a Ordem Franciscana e o sacerdócio em 1992, após confrontar-se com o Vaticano – estivesse no mesmo programa. Fontes da Igreja disseram que o problema de Braz de Aviz não era tanto a defesa de Boff pelos pobres, mas sim a sua defesa de uma "Igreja de baixo" em contraste com a hierarquia.

Nos círculos do Focolare, Braz de Aviz é visto como um amigo. Ele celebrou missas em honra a Chiara Lubich – fundadora italiana dos Focolares que morreu em 2008 – e, em 2007, abriu um processo de beatificação para Ginetta Calliari, uma amiga próxima de Lubich, que ajudou a trazer o Movimento dos Focolares para o Brasil na década de 1960.

O "Focolare", que em italiano significa "forno" ou "lareira", foi criado por Chiara Lubich depois da Segunda Guerra Mundial para promover a unidade e a fraternidade universal. Atualmente, ele opera em 182 países, com cerca de 100 mil membros. Nos Estados Unidos, eles são conhecidos pelo diálogo com a Sociedade Americana dos Muçulmanos, fundada pelo falecido Warith Deen Mohammed.

Os laços de Braz de Aviz com o Movimento dos Focolares pode ajudá-lo a se estabelecer em Roma, já que muitos focolarinos – como os seus membros são conhecidos – atuam em escritórios do Vaticano.

Dada a sua experiência, a maioria dos observadores esperam que Braz de Aviz confie, nas fases iniciais, na autoridade número dois da congregação, o arcebispo norte-americano Joseph Tobin, ex-superior da Ordem Redentorista. Se assim for, isso pode ser uma boa notícia para as irmãs norte-americanas, alarmadas com as possíveis consequências da investigação do Vaticano, já que Tobin tem repetidamente manifestado seu apoio às religiosas dos Estados Unidos.

Braz de Aviz torna-se o quarto brasileiro a chefiar um departamento do Vaticano, depois do falecido cardeal Angelo Rossi, que liderou a Congregação para a Evangelização dos Povos, de 1970 a 1984, e mais tarde o Patrimônio Apostólico da Santa Sé e que, durante um período,foi o decano do Colégio Cardinalício; do falecido cardeal Lucas Moreira Neves, que chefiou a Congregação para os Bispos de 1998 a 2000; e de Hummes.

Se as coisas continuarem do jeito que estão, Braz de Aviz poderia eventualmente despontar como um candidato papal. Cada um de seus antecessores brasileiros como autoridades do Vaticano foram amplamente considerados papáveis no seu tempo, embora nenhum deles, é claro, foi eleito.

 

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