Bispo afirma que Unesco tornará homossexual metade da população mundial até 2020

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03 Janeiro 2011

"O `ministro` da família no governo do Papa, o cardeal Antonelli, me comentava há poucos dias em Zaragoza que a Unesco programou para os próximos 20 anos fazer com que a metade da população mundial seja homossexual. Para isso, por meio de diversos programas, irá implantando a ideologia de gênero, que já está presente em nossas escolas". Essa é a teoria da conspiração global defendida pelo bispo de Córdoba, na Espanha, Demetrio Fernández (foto).

A reportagem é do sítio Religión Digital, 01-01-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A afirmação foi feita no último domingo, dia 26 de dezembro, na homilia que pronunciou na missa da Sagrada Família. E, além disso, o bispo assinala o cardeal Ennio Antonelli, ministro da Família do Papa, como o autor primeiro da teoria conspirativa.

Na primeira parte de sua longa homilia, o prelado de Córdoba, que é considerado um dos mais conservadores do episcopado espanhol, faz uma fundamentação teológica e espiritual da família como "Igreja doméstica", porque, "no plano amoroso de Deus, a família constitui um pilar fundamental da nossa vida e da nossa convivência".

Um plano de Deus em que, segundo o bispo, "a família consiste na união estável de um homem e de uma mulher, que se amam e se professam amor para toda a vida. União santificada pela benção de Deus no sacramento do matrimônio, cujo vínculo é fonte permanente de graça e é irrompível, isto é, indissolúvel. União que, por sua própria natureza, está aberta à vida e costuma desembocar no nascimento de novos filhos que completam o amor dos pais e constituem como que a coroa dos pais".

Um casamento, sem dúvida, indissolúvel, que se torna possível só em Jesus Cristo. Por isso, nessa união e só nela, "o amor dos esposos deve fluir como a água que corre. Se estancar, apodrece. O amor conjugal deve fluir em uma abertura constante à vida, que recebe de Deus responsavelmente os filhos, como o melhor presente do matrimônio".

Uma doação mútua que, na opinião de Demetrio Fernández, se "expressa inclusive na doação corporal, na linguagem da sexualidade". Mas uma sexualidade que não pode ser entendida "como um jogo de prazer", porque então "esse projeto de Deus sobre o homem se arruína".

Para o bispo, "o prazer que acompanha a relação sexual não pode se converter em valor absoluto das relações do homem e da mulher. Quando o único que se persegue é o prazer, a satisfação de si mesmo, o outro se converte em objeto, e o amor se converte em egoísmo. A sexualidade então é a linguagem do egoísmo, do egoísmo mais terrível, porque utiliza o outro para proveito próprio".

Além disso, assim entendida e praticada, a sexualidade pode acabar em violência. "O que Deus fez – a sexualidade humana – como expressão do amor autêntico, o ser humano (homem ou mulher) pode convertê-lo facilmente em linguagem do mais puro egoísmo, que leva a desfrutar do outro a todo o custo, inclusive até a violência psicológica ou física".

O bispo de Córdoba destacou em seguida que a relação sexual entre os esposos deve estar sempre aberta à vida. "A encíclica `Humanae vitae` ensina claramente essa doutrina, e – ai de nós! – se a distorcermos, dizendo o contrário ou deixando à consciência de cada um que faça o que quiser".

Assim, ele chega a reconhecer que alguns padres não respeitam essa doutrina da Igreja. "Temos que pedir perdão a Deus porque, nesse ponto, bispos, sacerdotes e catequistas não anunciamos com fidelidade a doutrina da Igreja, a doutrina que salva e faz os homens felizes".

Um mea culpa por ter levado o mundo a consequências dramáticas e desastrosas. "No deserto demográfico que padecemos, em que o mundo ocidental morre, todos temos nossa parte de culpa. Não só os legisladores e os políticos por não favorecerem a família verdadeira, mas também os transmissores da verdade evangélica (bispos, presbíteros, catequistas) por terem ocultado ou negado a doutrina da Igreja nesse ponto".

A prova mais evidente é, segundo o prelado cordovês, que "a Espanha tem há muitos anos o índice de natalidade mais baixo do mundo, e, desde que foi introduzido o aborto, há mais de um milhão de mortos por esse crime abominável. Por esse caminho, a Espanha e os países ocidentais tão orgulhosos do seu progresso caminham para a sua própria destruição".

"As facilidades para o divórcio, para a anticoncepção em todas as suas formas, para o aborto inclusive com a pílula do dia seguinte, distribuída gratuitamente como anticoncepcional, são outros tantos ataques à família, ao projeto amoroso de Deus sobre a família e a vida".

Até aqui Demetrio Fernández se limita a repetir, em sua peculiar versão, a doutrina católica sobre a família. A partir desse momento, sua homilia ganha novidade e submerge na teoria da conspiração.

De entrada, assegura que "não pretendemos impôr à ninguém a nossa visão da vida e da família, mas pedimos que se respeite a visão que recebemos de Deus e que está inscrita na natureza humana".

E, em seguida, assegurou que o cardeal Antonelli lhe comentou, há alguns dias, em Zaragoza, que a Unesco quer converter em homossexual a metade da população mundial. E em apenas 20 anos.

Como vai ser realizada essa iniciativa sem precedentes? "Para isso, por meio de diversos programas, irá implantando a ideologia de gênero, que já está presente em nossas escolas".

"Isto é, segundo a ideologia de gênero – explica o bispo –, não se nasceria homem ou mulher, mas escolhe-se segundo sua vontade e poderá mudar de sexo quando quiser, segundo seu desejo".

E conclui: "Eis aqui a última `conquista` de uma cultura que quer romper totalmente com Deus, com Deus criador, que fixou em nossa natureza a distinção do homem e da mulher".

O prelado terminou a homilia afirmando aos seus fiéis: "Não é o momento de se lamentar, mas sim de conhecer quais são os ataques a esse bem precioso e de viver com lucidez e com coerência o que recebemos de Deus, por lei natural ou por lei revelada".

E como costuma ser habitual nos líderes do setor mais conservador do episcopado, Demetrio Fernández arremete contra os próprios católicos dissidentes e assim conclui a sua homilia: "O principal inimigo nesse tema – e em tantos outros – não está fora. Está dentro de nós e entre nós, quando ocultamos ou aguamos o sal e a luz do Evangelho de tal forma que ninguém os reconhece como tais".

Uma homilia que dará muito o que falar inclusive entre os prelados e os fiéis.

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