Suzano Papel e Celulose faz frente à concorrência estrangeira

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03 Janeiro 2011

A Suzano Papel e Celulose deu um passo no projeto de se tornar consolidadora do mercado de papel na América Latina, ao assumir a totalidade do Conpacel (Consórcio Paulista de Papel e Celulose), a antiga Ripasa. A companhia, que já detinha metade do consórcio, pagou R$ 1,45 bilhão pelos 50% da Fibria - empresa resultante da fusão entre Votorantim Celulose e Papel e Aracruz no Conpacel.

A reportagem é do jornal Folha de S.Paulo, 23-12-2010.

Suzano e a então VCP eram sócias no consórcio desde 2005, quando fizeram uma oferta pela Ripasa para frear o avanço de estrangeiros - a sueco-finlandesa Stora Enso e a norte-americana International Paper também tinham interesse nos ativos.

Agora, a Suzano mais uma vez se posiciona contra a concorrência estrangeira. "O mercado de papel é muito competitivo e esse ganho de escala vai aumentar nossa capacidade de disputá-lo com a IP, que é um player mundial e dá prioridade ao Brasil", diz Antonio Maciel Neto, presidente da Suzano.

Líder global na produção de papel, a IP planeja expandir sua fábrica em Três Lagoas (MS) e quer entrar no mercado de embalagens no país - mas ainda não definiu um prazo para as ações.

A fábrica do Conpacel, localizada em Limeira (interior de São Paulo), tem capacidade para produzir 390 mil toneladas de papel e 650 mil toneladas de celulose por ano. A aquisição também abrange ativos florestais, cada vez mais valorizados no mercado. No total, o Conpacel tem 71 mil hectares de plantio, sendo 53 mil hectares em oito áreas próprias e 18 mil hectares arrendados.

Por mais R$ 50 milhões, a Suzano levou ainda a distribuidora de papel KSR. A empresa usará recursos em caixa para pagar R$ 1,5 bilhão à Fibria, que deve usá-lo para reduzir sua dívida. A Fibria informou que pretende concentrar esforços no negócio de celulose. Pelo desinteresse da empresa em papel, a venda do Conpacel para a Suzano já era esperada.

Na segunda-feira, o BNDES liberou um financiamento de R$ 2,7 bilhões para a Suzano, para a construção de uma fábrica no Maranhão. Segundo Maciel, no entanto, a aquisição do Conpacel não tem relação com esse crédito. "Se não tivéssemos estruturado financeiramente a operação no Maranhão, teríamos de esperar para comprar o Conpacel", disse.

O BNDES detém cerca de 4% do capital total da Suzano, mas pode aumentar a fatia para 10% caso opte por converter em ações debêntures que serão emitidas pela empresa, no valor de R$ 1,2 bilhão, previstas na transação com o banco.

 

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