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Brasil ganhou sem a Alca, diz Amorim

O chanceler brasileiro Celso Amorim discursou ontem em um seminário sobre segurança internacional para militares e estrategistas americanos e europeus em Genebra e disse que a rejeição do acordo para a formação da Área de Livre Comércio das Américas, a Alca, deu lugar a um novo arranjo regional. Amorim destacou a relevância do Mercosul e o fato de ter fechado acordos comerciais com os demais países da região.

A reportagem é de Jamil Chade e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 12-09-2010.

Para ele, o projeto da Alca foi substituído por uma área efetiva de comércio na América do Sul. Citando um recente artigo da revista The Economist, Amorim insistiu que a região "não é quintal de ninguém".

A avaliação do chanceler é de que as opções comerciais tiveram um papel central na nova realidade. Uma das provas da mudança, disse, é o fato de que a Argentina poderá fechar 2010 superando os Estados Unidos e transformando-se no segundo destino das exportações brasileiras. O primeiro lugar é da China.

A estimativa do governo é de que, em 2010, o comércio bilateral com a Argentina bata um recorde histórico, com mais de US$ 33 bilhões de fluxo de bens.

Há oito anos, os Estados Unidos eram o destino de 26% de exportações do País. Hoje, representam menos de 10%.

A eventual aceitação pelo Brasil da Alca, segundo Amorim, teria "consolidado" a posição da América Latina como "quintal dos Estados Unidos".

Amorim usou o evento para mandar um recado duro aos países ricos: quanto menos intervenções externas houver nos assuntos políticos da América do Sul, mais a região será pacífica.

"O projeto da Alca que os americanos promoviam teria consolidado a região como quintal americano", alertou Amorim, que aproveitou o encontro para fazer um exame da política externa do governo, a poucos meses de seu fim.

No início do governo Lula, os EUA tentaram pressionar para uma aceleração do acordo de livre comércio hemisférico. Mas o projeto foi bombardeado pelo Itamaraty ao ponto de o ex-representante comercial da Casa Branca, Robert Zoellick, insinuar que, sem a região, o Brasil teria de exportar para a Antártica. Zoellick hoje é presidente do Banco Mundial.

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