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A COP-15 e outros micos

Foram 2 anos de preparação, 12 dias de reuniões e plenárias, 119 líderes de Estado e mais de 15 mil participantes. No entanto, até os mais céticos saíram frustrados da 15ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-15), que aconteceu em dezembro em Copenhague. Um documento assinado por dezenas de ONGs - como WWF, Oxfam e Friends of the Earth - chegou a qualificar o encontro como um "fracasso histórico".

A reportagem é de Fernanda Fava e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 29-01-2010.

"Com a grande expectativa e a presença de muitos chefes de Estado, a COP-15 foi a perda de uma excelente oportunidade de se tomar decisões realmente incisivas para combater as mudanças climáticas", disse o coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia da WWF no Brasil, Carlos Rittl. "Não houve outro momento assim na história da humanidade. Foi um sentimento de frustração muito grande, no qual falharam negociadores e chefes de Estado."

Ao final de duas semanas, as negociações não tiveram avanços reais nas principais questões da conferência, transformando a COP-15 em um mico ambiental de proporções globais. Entre os momentos que coroaram seu fracasso estão o discurso frustrante do presidente americano, Barack Obama, a confusa administração dos dinamarqueses e a resistência chinesa em permitir a verificação de suas metas de redução de emissões de gás carbônico.

Nos 45 do segundo tempo, Obama e os líderes do Brasil, da China, da Índia e da África do Sul fecharam o Acordo de Copenhague, que não fixava metas e que, mais tarde, não foi aprovado por todas as nações da convenção. "Na prática a gente saiu sem nada", critica Rittl. "Outra questão que ficou pendente é que hoje não há um processo claro sobre o que vai acontecer ao longo de 2010."

DEDOS EM RISTE

Na hora de se apontar culpados pelo fracasso, o que se viu foi um grande jogo de empurra entre os líderes globais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as discussões não avançaram por causa das metas apresentadas pelos Estados Unidos. Ian Fry - negociador das ilhas Tuvalu, que devem desaparecer com o aquecimento global e a elevação do nível do mar - também saiu da conferência reclamando dos americanos.

Já outros delegados mencionaram a falta de gerência da presidência da COP-15, que não teve habilidade para costurar o acordo antes das negociações. Isso acabou submetendo os líderes de Estado à tarefa de reescrever o texto - esforço que deveria ter sido feito por negociadores e diplomatas nas reuniões pré-COP.

A culpa também recaiu sobre a China. O escritor britânico Mark Lynas, que participou da reunião final como conselheiro das Maldivas, afirmou que Pequim foi a grande responsável por minar as negociações. "Foi o representante chinês quem insistiu que as metas dos países industrializados fossem tiradas da pauta", acusou Lynas, em artigo para o jornal britânico Guardian. "A China apostou, corretamente, que Obama seria culpado pela falta de ambição do acordo."

Já as autoridades chinesas fecharam o ciclo das acusações mútuas dizendo que os países desenvolvidos queriam semear a discórdia entre as nações em desenvolvimento.

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