Nasce a Livre Universidade Europeia Michel Foucault de Filosofia, Teologia e Ciências Humanas

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04 Agosto 2021

 

Alessandro Meluzzi, psiquiatra, personagem televisivo, político, ensaísta e criminologista italiano, e Diego Fusaro, filósofo, ensaísta e professor, anunciaram o nascimento da Livre Universidade Europeia Michel Foucault de Filosofia, Teologia e Ciências Humanas.

A reportagem é de Martina Mauro, publicada em Beyond the Magazine, 01-08-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A ideia é a de uma instituição que terá o propósito social de criar uma base cultural para um mundo que hoje parece marginalizado e afetado pelo poder dominante, cada vez mais evidente na mídia, no mainstream e nas finanças internacionais. Será uma instituição parceira de outras universidades online regularmente reconhecidas pelo Ministério da Educação italiano, que promoverá cursos de Filosofia, Filosofia Política, Antropologia, Arqueologia Cultural, Psicologia e Psicoterapia.

O professor Meluzzi afirma que o conhecimento da verdade não pode deixar de passar pela cultura. Inicialmente, os professores Alessandro Meluzzi e Diego Fusaro pensaram em batizar a universidade com o nome do filósofo Georg Wilhelm Friedrich Hegel, mas, apesar de um hegelianismo de fundo que inspira a cultura europeia, consideraram, depois, que a figura extraordinária de Michel Foucault, ou seja, o homem responsável pelo nascimento da biopolítica e pela crítica às instituições totalitárias, era mais idôneo para iniciar a sua batalha contra um capitalismo internacional globalizado de polícia sanitária, ao qual o nosso mundo já parece destinado.

O renomado filósofo Diego Fusaro declara que tem a alegria de anunciar o nascimento desse lugar de elaboração do saber crítico, uma verdadeira arqueologia do saber: “Somos historiadores das ideias, como amava Foucault, e tentamos elaborar um saber crítico procedendo contra a corrente”, acrescenta.

“Decidimos nos voltar e nos inspirar idealmente em Michel Foucault, já que ele é o mestre da biopolítica e, sem as categorias desenvolvidas pelo filósofo, dificilmente se poderia entender alguma coisa do cenário atual, em que o bios, ou seja, o vida crua, tornou-se o fulcro central da política na forma de uma verdadeira biocracia, o cratos que se exerce sobre o bios.”

Fusaro recorda ainda a genial intuição de Victor Hugo ao explicar que, segundo ele, o capitalismo tem a ver com o controle e a dominação da vida, dos corpos: “Não se exerce apenas por meio da ideologia, mas também por meio do controle dos corpos. Essa intuição pode muito bem ser conjugada com as de Marx e dos seus estudantes heterodoxos, permitindo-nos lançar luz sobre o nosso presente”. E é por essa razão que eles escolheram se referir a Foucault e aos seus alunos mais geniais, entre os quais se quer relembrar Giorgio Agamben, que esperam que esteja presente entre os docentes da universidade, junto com tantos outros pensadores livres não hegemonizados por um capitalismo e regime totalitário pervasivo que deve possuir os corpos, o sangue, as células.

“Entramos em uma fase semelhante a uma terceira guerra mundial, mas uma guerra mundial que, ao contrário da primeira e da segunda, não é jogada sobre as planícies, as colinas, os mares e os céus, mas sim sobre o sangue, as células, o DNA e os neurônios”, acrescenta Meluzzi.

“Um campo de batalha que põe em causa o corpo, chama-o com os soros, com os microchips e com os campos eletromagnéticos. O corpo é controlado, possuído, reprimido, chantageado e oprimido. Foucault falava frequentemente da necessidade da libertação do corpo das instituições totais, como por exemplo o manicômio, como o leprosário, o quartel e como todos os lugares onde os corpos foram reprimidos e oprimidos por visões pseudocientíficas.”

Meluzzi também lembra que os manicômios de Paris, depois libertados por Philippe Pinel, foram instituídos sob o reinado de Luís XIV, que não queria mais que houvesse aqueles “mendigos” à la Quasímodo, que vagavam livremente pelas ruas da Idade Média e do Renascimento, e declara: “O Novo Manicômio e a nova prisão, a nova instituição total hoje nem precisa de muros ou redes. Ela tem muros de medos, de mídias de massa, de mainstream, de soros genéticos e de 5G pervasivos que querem entrar até mesmo na nossa medula”.

O objetivo de Fusaro e Meluzzi é, assim como Foucault e Basaglia, demolir o colossal manicômio em que estão nos trancando e querem nos trancar.

O pensamento de Meluzzi é que hoje a biologia é o novo manicômio, a nova prisão. Onde se espera que o sujeito ponha em jogo o seu próprio DNA, o seu próprio sistema imunológico em penhor da liberdade. Meluzzi defende que, na sua opinião, nem mesmo a mais horrenda das instituições totalitárias poderia imaginar um cenário foucaultiano dessas características, e o professor Fusaro valoriza essa consideração, enfatizando que é justamente sobre esses pressupostos que foi idealizado o projeto da Livre Universidade Europeia Michel Foucault de Filosofia, Teologia e Ciências Humanas.

 

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