Arcebispo de Paris encerra a “experimental paróquia do Vaticano II”

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18 Fevereiro 2021

O arcebispo Michel Aupetit fechou o Centro de Pastoral Saint-Merry, o qual foi estabelecido em 1975 como lugar de acolhida para pessoas marginalizadas na Igreja.

A reportagem é de Christophe Henning, publicada por La Croix International, 16-02-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O arcebispo Michel Aupetit, de Paris, anunciou que está fechando a comunidade católica que por muito tempo foi conhecida como a mais progressista da capital francesa, aparentemente, porque seus membros recusaram os padres que recentemente foram transferidos para lá.

“Estou anunciando que a partir de 1º de março de 2021, a missão confiada pelo cardeal Gabriel Auguste François Marty em 1975 para o Centro de Pastoral Saint-Merry será encerrada”, anunciou o arcebispo em uma carta à comunidade, datada de 07 de fevereiro.

Ele disse que estava fechando o centro devido ao clima difícil em Saint-Merry, especialmente devido às atitudes do povo para com os últimos padres que assumiram a paróquia.

“Essa é a segunda vez em menos de três anos que um padre da vossa paróquia é forçado a deixar a missão abruptamente devido aos violentos ataques contra ele”, afirmou Aupetit, que assumiu a Arquidiocese de Paris em janeiro de 2018.

O povo de Saint-Merry reagiu incrédulo, triste e com raiva.

Eles tiveram uma particular celebração eucarística no último domingo, e muitos concordavam que a decisão de fechar a comunidade era “infundada, excessiva e brutal”.

A paróquia de Saint-Merry era conhecida como Centro de Pastoral Les Halles-Beaubourg.

Mas em 1975, na sequência do Concílio Vaticano II, 1962-1965, o cardeal Marty confiou esse espaço, próximo ao Centro Pompidou, a uma equipe leiga junto ao padre Xavier de Chalendar.

O cardeal, que foi arcebispo de Paris entre 1968 e 1981, confiou ao centro recém-fundado a missão de “inventar novos caminhos para a Igreja do futuro”.

Acolhida incondicional

A comunidade de Saint-Merry tornou-se uma espécie de laboratório pastoral.

Ela foi desenvolvida em parceria com pessoas do mundo artístico, trabalhando para acompanhar migrantes e acolher incondicionalmente as pessoas que estão à margem da Igreja, como gays e lésbicas, divorciados e recasados, entre outros.

Essa “ousadia” pode ter preocupado alguns dos fiéis.

Os padres e leigos de Saint-Merry, desde o início, experimentaram a “corresponsabilidade” do centro, algo que foi reforçado pelas palavras do Papa Francisco sobre a sinodalidade.

Mas tem havido atrito entre alguns dos membros leigos de longa data do centro e os padres transferidos para lá mais recentemente.

O ex-jornalista Daniel Duigou, que mais tarde foi ordenado padre, serviu pouco mais de três anos como pároco da comunidade. Ele saiu em 2019 quando as pessoas sentiram que ele não se adequava mais ao projeto.

O arcebispo Aupetit então designou o padre Alexandre Denis, outro padre carismático e muito conhecido na França como mágico, como sucessor de Duigou. No entanto, ele também recebeu o mandato de pastor.

As duas posições estavam divididas anteriormente.

De fato, a comunidade Saint-Merry reúne cristãos de toda a região de Paris, que se reúnem todos os domingos pela manhã para a missa das 11h15.

Uma petição online contra o fechamento

Mas a comunidade nunca estabeleceu um bom relacionamento com o padre Denis.

Por causa de alguns mal-entendidos dolorosos e alguns problemas de saúde, o padre renunciou em dezembro passado.

O arcebispo Aupetit disse que esta foi a gota d’água que o levou à decisão de encerrar o Centro de Pastoral Saint-Merry.

“É minha responsabilidade lidar com as consequências desses eventos profundamente tristes e injustificáveis”, ele insistiu em sua carta de 7 de fevereiro.

“As divergências que podem ser expressas não justificam de forma alguma a mesquinhez, a ausência de caridade e o desejo de destruir o que foi manifestado contra seus pastores”, disse ele.

Os responsáveis do centro de pastoral disseram estar “surpresos e entristecidos” pelo arcebispo e pelo fato de ele ter tomado a decisão sem sequer os consultar.

Eles lançaram uma “petição” para manter o centro aberto, e nas primeiras 48 horas online cerca de 2 mil pessoas a assinaram.

“Embora possamos lamentar que tenha havido comportamento agressivo por parte de alguns, não há justificativa para condenar a comunidade”, disse um membro da congregação indignado.

“Mas é esse o único motivo? Se é realmente a experiência de Saint-Merry que está sendo alvo, deve ser dito”, insistiu essa pessoa.

“O que está em jogo é a proclamação do Evangelho a um mundo complexo e diverso. Além das disputas entre padres e leigos mesquinhos, há um lugar na diocese para uma comunidade que leva a sério os convites do Papa para sair de nossos espaços fechados?”, a pessoa continuou.

Muitos membros da comunidade ficaram chocados com o momento do fechamento anunciado.

“Poucos dias antes da Quaresma, estamos sendo privados deste caminho que conduz à Páscoa”, disse um.

A arquidiocese permaneceu calada sobre o assunto.

“A decisão obviamente não é arbitrária”, disse Karine Dalle, diretora de comunicações arquidiocesanas.

“O arcebispo de Paris recebeu muitos testemunhos e a situação se complicou durante vários anos”, disse ela.

O arcebispo Aupetit nomeou o seu Vigário Geral, dom Benoist de Sinety, para dirigir a continuação das atividades relacionadas com o Centro de Pastoral Saint-Merry.

Quanto à própria comunidade, seus dias estão contados, a menos que o diálogo seja restabelecido.

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