“The Next Pope”, de G. Weigel. Um livro claramente politiqueiro

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17 Julho 2020

"Nessa era atual, saturada de comunicação, talvez seja impossível esperar que não haja nenhuma conversa sobre os futuros líderes eclesiásticos. Mas eu acho que São João Paulo não imaginaria que o seu biógrafo e um dos prelados nomeados por ele faria algo tão grosseiro como enviar um livro claramente politiqueiro a todos os eleitores", escreve Heidi Schlumpf, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 16-07-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

O arcebispo de Nova York, Cardeal Timothy Dolan, está, mais uma vez, sob fortes críticas, desta vez por parecer interferir no processo de escolha de um sucessor papal. Fiquemos, no entanto, atentos: o papa atual continua vivo e está, até onde sabemos, com saúde e não pensa renunciar.

Mas pelo menos quatro cardeais ao redor do mundo disseram, ao correspondente do National Catholic Reporter no Vaticano, Joshua McElwee, que haviam recebido exemplares de um livro que busca dar forma àquilo que o editor do livro chamou de uma “transição de grandes consequências”.

Exemplares de The Next Pope: The Office of Peter and a Church in Mission, de George Weigel, foram enviados junto de uma carta de Dolan, assinada em 9 de junho, em papel timbrado da Arquidiocese de Nova York, carta na qual o cardeal diz a seus irmãos cardeais: “Sou grato à [editora] Ignatius Press por tornar essa importante reflexão sobre o futuro da Igreja disponível ao Colégio Cardinalício”.

“O próximo papa: o ofício de Pedro e uma Igreja em missão”, novo livro de George Weigel. (Foto: Divulgação)

Ainda não li o livro de Weigel, mas Michael Sean Winters, do National Catholic Reporter, em sua resenha, o considerou fraco, não só por causa da atitude “condescendente” do autor e dos ataques “passivos-agressivos contra Francisco”, mas também porque suas “articulações simplistas dos princípios neoconservadores” oferecem uma visão turva do papado.

Uma das ideias de Weigel, segundo a descrição do livro feita pela editora, é que o Concílio Vaticano II não influenciará pessoalmente o sucessor de Francisco, que pode, no início dos anos 1960, ter sido apenas uma criança. “Assim, o próximo papa não terá sido modelado pela experiência conciliar nem pelos debates imediatos sobre seu significado e recepção, como aconteceu com o Papa João Paulo II, o Papa Bento XVI e o Papa Francisco”.

Consigo imaginar o pessoal de marketing da Ignatius Press tendo a brilhante ideia de enviar o livro a todos os 222 cardeais do mundo. Ou ideia foi de Dolan? E, o mais importante, quem pagou pelos livros? Alguém parou para pensar como isso poderia ser percebido? Ou ninguém se importa?

A resposta à reportagem exclusiva do National Catholic Reporter em 14 de julho foi explosiva, com muitos católicos – compreensivelmente – chateados com o fato de um cardeal eleitor parecer estar fazendo lobby por um tipo específico de candidato ao próximo papado: em contradição direta com a constituição apostólica assinada pelo Papa João Paulo II que proíbe expressamente os cardeais de discutir possíveis sucessores papais.

E o cardeal-arcebispo de Nova York não tem mais com o que se preocupar, como com o fechamento maciço de escolas, cortes orçamentários e os desafios contínuos do coronavírus?

Mas Dolan, que parece se enxergar como um político consumado, aparentemente não conseguiu se conter. Como muitos católicos de direita, ele pôde ter confundido o próximo conclave da Igreja com as próximas eleições presidenciais de novembro.

É certo que o livro de Weigel não é tão flagrante quanto um outro tomo de mesmo título, porém subintitulado “The Leading Cardinal Candidates” [os principais cardeais candidatos]. Nesse livro, Edward Pentin perfila 19 papáveis – ou pelo menos 19 que Pentin e outros católicos de direita gostariam de ver eleitos. Esse livro parece seguir a ideia, embora não diretamente relacionada, de “Red Hat Report”, que incentiva pesquisadores independentes a auditar os cardeais antes do próximo conclave vir a ocorrer.

Nessa era atual, saturada de comunicação, talvez seja impossível esperar que não haja nenhuma conversa sobre os futuros líderes eclesiásticos. Mas eu acho que São João Paulo não imaginaria que o seu biógrafo e um dos prelados nomeados por ele faria algo tão grosseiro como enviar um livro claramente politiqueiro a todos os eleitores.

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