Conferência Eclesial da Amazônia, “uma contribuição oportuna para a continuação do caminho sinodal”

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06 Julho 2020

A Conferência Eclesial da Amazônia pretende ser um instrumento que ajude a incorporar na realidade local tudo o que vem sido desenvolvido ao longo de todo o processo do Sínodo para a Amazônia, uma experiência iniciada na região, especificamente em Puerto Maldonado, com a visita do Papa Francisco em janeiro de 2018, que alcançou todos os seus cantos em um extenso processo de escuta, como nunca havia sido realizado até então, que da periferia chegou ao centro e agora volta ao território.

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

Estamos diante de uma novidade que visa estabelecer laços entre a Amazônia e o Vaticano, como demonstrado na assembléia constitucional da Conferência Eclesial da Amazônia, onde representantes de diferentes dicastérios e organismos vaticanos se juntaram à Igreja e às vozes do território, incluindo os cardeais Baldisseri, Oullet, Tagle e Czerny.

Conforme declarado na página oficial do Sínodo para a Amazônia, o cardeal Baldisseri, secretário do Sínodo dos Bispos, destacou em seu discurso a importância de se colocar, seguindo o que o Papa Francisco diz em Querida Amazônia, "escutando a voz da terra e dos povos, para dar vida aos grandes sonhos que moldarão a realidade amazônica nos próximos anos, social, cultural, ecológico e eclesial”. Esses sonhos, reunidos na exortação pós-sinodal, devem ser "o fundamento de um forte esforço para encarnar a pregação, a espiritualidade e as estruturas da igreja", segundo o cardeal italiano.

A partir dessa ideia apontada por alguns, que veem nesta nova conferência um teste para toda a Igreja, as palavras do cardeal Tagle fazem sentido. Segundo ele, “as situações da Amazônia estão presentes em outras partes do mundo. Os sofrimentos do povo da Amazônia são os mesmos de todos os pobres do mundo, da família humana, da criação e da casa comum.

Nesse sentido, o presidente da Congregação para a Evangelização dos Povos não esconde que "os olhos das igrejas de outras partes do mundo estão abertos, aguardando esta assembléia da Conferência da Amazônia". Acima dos fundamentos teológicos, pastorais, missionários e canônicos da Conferência Eclesial da Amazônia, o cardeal Tagle destaca “a comunhão na diversidade, uma comunhão que é o dom, o dom do Espírito Santo, a pessoa divina que é a fonte dos diferentes dons e que abraça todos os dons, em comunhão ”.

A partir daí, torna-se necessário, segundo o cardeal, "a necessidade de escutar os convites, os sinais do Espírito Santo, numa postura de oração, liberdade interior, criatividade, colaboração, paciência, abertura a espaços, surpresas e os sonhos de Deus”. Essas atitudes podem ser encontradas na Virgem Maria, que ele define como "mulher cheia do Espírito Santo, modelo de discernimento, coragem e caridade missionária", a quem o Papa Francisco pede para reinar na Amazônia, “para que ninguém mais se sinta dono da obra de Deus”.

É o Senhor que “se Ele quiser, pode nos ajudar a abrir novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral na Amazônia e além. É evidente que o Senhor quer”, segundo o cardeal Michael Czerny. Após o diálogo de Jesus com o leproso, recolhido no capítulo 8 de Mateus, o cardeal afirma que "hoje estamos plenamente nesse diálogo salvador entre o povo sofredor de Deus na Amazônia e o Senhor Jesus encarnado em sua Igreja", diálogo secular, mas intensificado nos últimos anos.

Isso será possível, enfatiza o cardeal Czerny, através da encarnação, "de uma maneira original em todas as partes do mundo, para que a Esposa de Cristo adquira múltiplos rostos que melhor manifestem a inesgotável riqueza da graça", como recolhe Querida Amazônia, algo que agora, estruturalmente, se torna realidade na Conferência Eclesial da Amazônia, uma proposta nascida do Sínodo.

Essa necessidade de inculturação do Evangelho e encarnação da fé para a vitalidade e renovação de toda a Igreja é um elemento que o cardeal Baldisseri também destaca. Ele vê "a inesperada situação criada pelo Covid-19, que abalou especialmente a Amazônia" como uma oportunidade para a Igreja da região "exercitar com caridade pastoral o cuidado de doentes, famílias, pobres e todos os afetados pela pandemia”, algo que ele aprecia, pois mostra “que amar o próximo é estar servindo-o no espírito do bom samaritano”.

O Secretário do Sínodo salienta que os passos dados para a criação da Conferência Eclesial da Amazônia "constituem uma contribuição oportuna para a continuação do caminho sinodal", algo que ajuda "a dar passos adiante na implementação da Exortação Apostólica Querida Amazônia" Em seu discurso, o cardeal Baldisseri quis destacar "meu sincero desejo de que todos aqueles que trabalham pelo bem da Amazônia sejam abençoados, aqueles que lutam pela justiça social, pela preservação de seu patrimônio cultural e pela renovação abrangente da ecologia, continuando a dar à Igreja e ao mundo, hoje e sempre, novos rostos com rasgos amazônicos”.

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