Trump enfrenta uma rebelião de prefeitos

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18 Novembro 2016

Em Nova York, Chicago, Los Angeles e outras cidades, os imigrantes ilegais sabem que não serão perseguidos pelas autoridades locais. Os prefeitos pretendem se rebelar, caso tentem obrigá-los a identificar os indocumentados.

A reportagem é publicada por Página/12, 17-11-2016. A tradução é do Cepat.

A prefeita de Washington D.C., Muriel Bowser, afirma que os valores, leis e políticas da capital dos Estados Unidos não mudaram com a eleição presidencial. Membro do Partido Democrata, ela é uma das autoridades que se nega a perseguir os imigrantes indocumentados.

A mesma postura tem o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, o de Chicago, Rahm Emmanuel, e o de Seatle, Ed Murray. Também o intendente de Los Angeles, Eric Garcetti, entre outros. Estes políticos estão à frente de “cidades santuário”, aquelas nas quais os imigrantes indocumentados sabem que não serão perseguidos pelas autoridades locais para ser expulsos. Após a eleição de Donald Trump como futuro presidente dos Estados Unidos, os prefeitos pretendem se rebelar, caso tentem obrigá-los a identificar os indocumentados.

Na campanha, o republicano prometeu acabar com as “cidades santuário” e ameaça cortar fundos federais, caso não cooperem com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas. “Somos uma cidade santuário porque reconhecemos que nossas vizinhanças são mais seguras e prósperas quando não existe o temor de pedir ajuda ao governo e quando a polícia tem como prioridade proteger e servir”, explica a prefeita Bowser em um comunicado oficial publicado nesta semana pelo município de Washington D.C.

O termo “cidade santuário” não surgiu com a vitória de Trump e sua ameaça de deportar milhões de imigrantes indocumentados a partir de 20 de janeiro, quando assumir a presidência dos Estados Unidos. Existe há tempo para designar cidades que se negam a compartilhar com as autoridades federais a informação que possuem a respeito de imigrantes indocumentados, que são principalmente de origem latina e, majoritariamente, mexicanos. Não é que os imigrantes indocumentados não possam ser detidos, nesses lugares, para ser deportados. De fato, eles são, mas sem a colaboração de autoridades locais para isso, o que complica o trabalho das federais. Algumas cidades, como San Francisco, possuem leis que proíbem os empregados municipais de qualquer cooperação com as autoridades migratórias federais para efeitos de deportação. Em Chicago, a polícia tem vetado perguntar o estado migratório.

Trump prometeu deportar os mais de 11 milhões de imigrantes indocumentados que há nos Estados Unidos. Na semana passada, em sua primeira entrevista televisiva como presidente eleito, afirmou que ao chegar à Casa Branca expulsará aqueles que possuem antecedentes criminais. Calculou que são entre dois e três milhões, mas as organizações civis garantem que o número é muito inferior e acreditam que ele tenta apresentar como criminosas pessoas com infrações de tráfico ou outras faltas legais de menor grau.

“É papel dos governos locais e estatais decidir se fazem parte de uma maquinaria para deportar a nossa comunidade ou não, e estamos contentes em ver que vários prefeitos lideram a resistência a estes programas para proteger nossa comunidade”, disse Pili Tobar, diretora de Advocacia e Comunicações do Latino Victory Project, que defende valores latinos na política estadunidense.

O Centro de Estudos sobre Imigração, que busca fazer com que a imigração se reduza nos Estados Unidos, situa no mapa do país mais de 300 lugares (estados, condados e cidades) com políticas que qualifica de “não cooperadoras e obstrutivas à aplicação das leis imigratórias”. Assegura, além disso, que o Departamento de Justiça comprovou que algumas das jurisdições santuário parecem violar a lei federal.

“Sempre seremos San Francisco”, proclamou seu prefeito, Ed Lee. “Sei que há muita gente cansada, frustrada e com medo, mas nossa cidade nunca foi assim. Fomos e continuaremos sendo uma cidade de refúgio, uma cidade santuário, uma cidade de amor”. Também houve pronunciamentos de agentes da lei. “Não participaremos de atividades de repressão baseadas apenas na situação imigratória de alguém. Não trabalharemos com o Departamento de Segurança Interior com fins de deportação. Não é nosso trabalho, nem vou fazer disso nosso trabalho”, manifestou o chefe de polícia de Los Angeles, Charlie Beck, ao Los Angeles Times.

Universidades do país estão recebendo petições para que sigam o exemplo das “cidades santuário” e se declarem seguras para indocumentados, informou o jornal de Washington The Hill. Nelas estudam muitos dreamers (sonhadores), os jovens indocumentados que estão a vida toda nos Estados Unidos e que Barack Obama tentou proteger da deportação com uma ordem executiva que os republicanos paralisaram nos tribunais. Seus dados pessoais estão nas mãos das autoridades universitárias e seu medo é que passem ao governo de Trump e sejam deportados.

De sua parte, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, transmitiu ontem as preocupações de muitos habitantes da cidade a Trump, durante um encontro entre os dois. “Tentei lhe comunicar o quanto de medo se espalha entre as comunidades nesta cidade”, disse o político democrata, após se reunir com o futuro mandatário na Torre Trump. Muitas das mensagens lançadas durante a campanha foram dolorosas, por isso De Blasio transmitiu a Trump seus reparos diante de sua “política de marginalização”.

Apesar das importantes diferenças que há entre ambos, a conversa, de aproximadamente uma hora, transcorreu em um clima de respeito, afirmou o prefeito. De Blasio e Trump falaram sobre uma regulação mais rigorosa para Wall Street, projetos de infraestrutura, planos fiscais e a respeito do anúncio do republicano em expulsar imigrantes indocumentados. Também conversaram sobre a tática de registros arbitrários por parte da polícia introduzida por Michael Bloomberg, predecessor de De Blasio, e que foi declarada inconstitucional.

De Blasio prometeu proteger todos os nova-iorquinos que se sintam atacados ou prejudicados pelas políticas de Trump, sejam muçulmanos, judeus, membros da comunidade LGBT ou mulheres. “Trump deve mostrar aos nova-iorquinos e aos estadunidenses que todos são bem-vindos”, afirmou. O prefeito pretende continuar os contatos com Trump. “As pessoas que possuem diferenças também podem dialogar”, afirmou.

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