Na Filosofia moderna só tem duas correntes: a que vem do neoplatonismo,monista, que sigo, e a dualista, que surge com Descartes e alcança Kant". Entrevista especial com Carlos Roberto Velho Cirne-Lima

Carlos Roberto Velho Cirne-Lima. Foto: Wikicommons

Por: Márcia Junges | 04 Julho 2020

Uma vida na qual se entrelaçam Filosofia, competência no mundo dos negócios e a coragem de sustentar as ideias nas quais acredita. Assim é a trajetória de Carlos Roberto Velho Cirne-Lima, professor emérito da Unisinos. Na entrevista que concedeu à IHU On-Line em sua residência, ao completar 80 anos de idade, em Porto Alegre, dois dias depois de uma festa que reuniu colegas, ex-alunos, familiares e amigos, o filósofo hoje reconhecido mundialmente pela originalidade de suas pesquisas em Hegel, recordou os anos em que foi sacerdote jesuíta, colega do atual Papa Bento XVI (então apenas o jovem Joseph Ratzinger), e aluno do teólogo Karl Rahner, um dos grandes expoentes do início dos trabalhos do Concílio Vaticano II.

Em função de divergências com Rahner e Ratzinger a respeito do conceito de Deus, Cirne-Lima afirma que decidiu sair da Companhia de Jesus e continuar carreira acadêmica na Filosofia. Após uma arguição de livre-docência sob a mira de metralhadoras, o filósofo foi cassado e se viu na iminência de assumir sua segunda profissão: administrador de empresas. Entre idas e vindas em grandes corporações, apoiado pela companhia constante da esposa Maria Tomaselli, Cirne-Lima venceu os dez anos de silenciamento ao retornar, em 1978, para a UFRGS. O resto dessa história vibrante você confere na entrevista a seguir.

A entrevista foi publicada originalmente na revista IHU On-Line, no. 366, 20-06-2011.

 

Origens

Nasci em 1º de junho de 1931. Para contar minhas origens, é preciso retornar ao nome Cirne. Essa é uma família muito antiga, documentada nos séculos XII e XIII, vinda do Norte de Portugal, e que se radica em Pernambuco e na Bahia. Meu pai se chamava Ruy, era advogado e professor de direito. Meu avô era Elias Cirne-Lima, dentista e professor de odontologia. Era filho de Francisco de Souza Cirne-Lima, juiz de direito nascido em Pernambuco, mas trabalhou por todo Brasil, inclusive no Rio Grande do Sul, onde se casou em terceiras núpcias, pois era viúvo. Com essa esposa, teve filhos aqui nascidos. Meu bisavô é Antônio de Souza Cirne, militar, alferes e depois general, casado com Isabel de Lima, de onde vem para as seguintes gerações o nome Cirne-Lima. Esse Antônio de Cirne provinha de uma família na qual os nomes Antônio e Francisco remontam a Portugal.


Outorga a do título de professor emérito da Unisinos. Na foto: Luiz Leite, Susana Albarnoz, X, X, Luiz Rohden, José Nedel, Olavo da Silva Filho, Marcelo Aquino, Margutti Pinto, Eduardo Luft, Manfredo Oliveira, na frente dele Carlos Cirne Lima, Ernildo Stein, Sofia Stein, Adriano de Brito, na frente dele Anna Carolina Regner, Nelson Gomes, Inácio Helfer. Fonte: Acervo de Cirne-Lima

A palavra Cirne, originariamente, é o nome antigo da Ilha de Córsega no século VI antes de Cristo. A ilha se chamava, na época, Kyrne, e passou a ser chamada de Cyrne. Então, meus antepassados são mercadores gregos que fugiram da ilha grega de Córsega, no Mediterrâneo, rumo à Ibéria, e foram chamados como “aqueles que eram de Cyrne”. O nome sobrevive, mas pouca gente sabe sua origem.

 

Anticlericalismo e fervor religioso

Minha história mais recente começa com algo importante. Meu avô, Elias, meu bisavô Francisco e meu trisavô Antônio eram brasileiros, laicos, moderadamente anticlericais e maçons. Meu avô, maçom e anticlerical, tem dois filhos extremamente religiosos: meu pai e o tio Heitor, católicos fervorosos. Assim, há gerações de Cirne maçons e anticlericais, para a seguir nascer uma geração extremamente religiosa. Isso porque, quando os jesuítas, lá pelos idos de 1880, voltaram para São Leopoldo e criaram o colégio da Companhia de Jesus, trouxeram para o Rio Grande do Sul algo que não havia por aqui e que, lamentavelmente, as pessoas não falam e não sabem.

O catolicismo aqui admitia que o padre fosse casado, tivesse filhos, herança, dinheiro e ter terras. Isso era normal. Com a entrada dos jesuítas em São Leopoldo, é fundado um colégio onde é cumprida a lei do Concílio de Trento. As resoluções do Concílio de Trento, que nunca eram levadas a sério no Brasil católico, passaram a ser a partir de então. O Brasil católico daquela época, antes dos jesuítas, ainda não era tridentino. Assim, se um padre estivesse casado, era ilegal. Os jesuítas firmaram posição de que a religião era algo a ser levado a sério. Essa foi a Contrarreforma levada a cabo pelos jesuítas na Europa, em resposta à Reforma realizada por Martinho Lutero. Essa Contrarreforma entrou em São Leopoldo através dos jesuítas.


Carlos Cirne-Lima com o filósofo Karl-Otto Apel. Foto: Acervo de Cirne-Lima

Essa reforma do cristianismo em São Leopoldo se dá quase ao mesmo tempo em que ocorreu no Colégio Anchieta, em Porto Alegre. Essa instituição foi fundada por jesuítas com a mentalidade da Contrarreforma, e eles vêm para cá numa época em que nem o arcebispo levava as coisas a sério. Depois, os arcebispos passam a ser alunos dos jesuítas, e começam a encarar as coisas de outra forma. O cristianismo Contrarreforma realizado no Colégio Anchieta irá refletir em Ruy Cirne Lima e Heitor Cirne Lima, que ocuparam cargos importantes. Eram alunos do Anchieta e, depois, se tornaram professores de direito e de medicina.

 

Uma continuação do pai

Os jesuítas começaram a treinar seus alunos, como nos cursinhos de pré-vestibular de hoje, para passarem nos concursos da faculdade de direito, e anos mais tarde, em medicina. Depois, foram fundadas as faculdades de filosofia por um aluno dos jesuítas: Armando Câmara. Ele é considerado o pai da filosofia brasileira. Foi professor de direito e fundador da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS e da faculdade de filosofia da UFRGS. Era um solteirão, neto do General Câmara. Morava no prédio que está tombado, ao lado da Assembleia Legislativa, que hoje é um museu. Conheci-o vivendo naquele local, pois era colega do meu pai.

Meu Tio Heitor fundou a faculdade católica de Medicina, depois federalizada. Nesse começo, sou a rigor uma continuação do meu pai. Sou supercatólico, e meu avô, que conheci e com quem convivi, era contra isso. Não entendia como eu poderia estudar para ser jesuíta em Salvador do Sul, depois passar três anos em Pareci Novo, três no Berchmannskolleg Pullach Bei München e outros quatro em Innsbruck. Meu avô não compreendia como eu poderia querer ser padre jesuíta. Ficou furioso comigo. Ele era anticlerical, mas como gostava muito de mim, acabou entendendo. Meu pai compreendeu minha escolha, e nunca nos desentendemos por isso. Ele era completamente a favor do que eu queria fazer. Então, “entrei na onda” do meu pai e, com 14 ou 15 anos, passo um ano em Salvador do Sul, para aprender latim após o colégio. Os outros três anos vivi em Pareci Novo, um dos quais estudando humanidades.

 

Irmão ministro

O que há de mais importante da minha juventude é o fato de que sou uma continuação ideológica do meu pai. Como ele era um católico pós-tridentino que recebeu dos jesuítas a ortodoxia religiosa muito forte e fundamentalista, continuei isso na minha juventude. Quando meus irmãos viram que saí da ideologia que seguia do nosso pai, deixando a ordem jesuíta, perceberam que também poderiam se “libertar”. Atualmente, um deles frequenta a missa com certa regularidade. Os outros são parecidos com meu avô, que ia à missa umas três vezes ao longo da vida. Ninguém é contra a igreja, todos são batizados, se casaram e, provavelmente, irão receber a extrema unção, mas nada muito além disso. Meu irmão Luís Fernando, que foi ministro da Agricultura, é bem laico. Aliás, ele assumiu esse cargo em 1969 por causa do nosso pai. Em 1964, quando houve a revolução, eu estava em Viena, e meu pai apoiou a situação. Ele se tornou secretário da fazenda do governo estadual de Ildo Meneghetti. Nesse período, Paulo Brossard era secretário da Justiça. Outros professores de direito assumiram cargos importantes no começo do regime militar. Eles tinham um compromisso por escrito e promulgado de que a revolução duraria um ano. Inclusive, pelo direito romano, uma ditadura poderia durar somente um ano. Esses advogados queriam que a revolução terminasse em abril de 1965. Meu pai deixou a secretaria antes de um ano, continuando como professor, e foi lançado para a sucessão do governo estadual do Rio Grande do Sul. A ideia era restabelecer a democracia no estado na segunda metade de 1965. Perachi Barcelos, coronel da Brigada, era o outro candidato. Como sou cassado pelo regime militar em 1969, eles convidam meu irmão para ministro, a fim de pacificar a família. Hoje, Luís Fernando é consultor, especialista em agricultura, atuando em grandes fazendas no Mato Grosso. Minha família é de profissionais liberais. Tenho dois irmãos falecidos, que eram advogados, e uma irmã também falecida.

 

 

Estudos

Em 1939 comecei o Primário no Colégio Anchieta. Em 1945 terminei o Ginásio. Em 1946, estive em Salvador do Sul para estudar latim. De 1947 a 1949, estive no Pareci Novo fazendo noviciado e juniorado, além de estudar grego e latim. Então, de 1947 em diante, fui jesuíta e uma continuação do meu pai. Aquilo que os jesuítas tinham feito em 1880 meu pai continuou exacerbado e eu continuei mais exacerbado ainda.

Na continuação desse processo, como eu era bom aluno, em outubro de 1949 os jesuítas me enviaram para cursar Filosofia na Alemanha, numa época em que o país estava destruído pela guerra. Ainda havia fome por lá, e distribuíam aqueles selos de racionamento, porque não havia comida suficiente. Passei três anos no Pullach, com os melhores professores de filosofia que os jesuítas tinham no mundo: De Vries, Lotz, Brugger, autor do famoso dicionário de filosofia.

 

Aluno de Rahner, colega de Ratzinger

Formei-me filósofo e passei meio ano no Brasil. Dei aulas no Colégio Cristo Rei, em São Leopoldo, e voltei à Alemanha em 1949. Em 1950 e 1951 estudo Filosofia. Em 1952 inicio o curso de Teologia. Volto aí a Frankfurt. Lá, os jesuítas tinham começado um curso nessa área, mas não me dei bem com os professores novos. Por isso, fiquei apenas um ano. Em 1953, saí desse colégio de Frankfurt, instalando-me no Colégio de Innsbruck, onde passei três anos. Lá, fui aluno de Karl Rahner, certamente o maior teólogo católico do século XX, e até hoje o é. Por três anos fui seu aluno em praticamente todos os semestres, três horas por semana, no mínimo, além de cursar um seminário de tarde inteira, semanal. Essa convivência com Rahner foi muito boa e amistosa.


Niklas Luhman e Carlos Cirne-Lima. Fonte: Acervo de Cirne-Lima

Foi nessa época em que conheci Joseph Ratzinger, como colega. Ratzinger entrou um ou dois anos antes de mim. Ele se formou e eu ainda continuei. Logo, passa a ser bispo em um lugar pequeno na Alemanha. De lá, ele volta todas as semanas para Innsbruck a fim de participar do seminário semanal com Rahner. Então, no início, participava como teólogo e depois como jovem bispo.

 

Discordâncias teológica

Já naquele tempo, Rahner e eu começamos a discordar teologicamente um do outro. O motivo era o conceito de Deus. O conceito de Deus que os jesuítas tinham naquela época remontava à Idade Média, e era de um Deus transcendente. Então, o mundo estaria aqui, no plano físico, e fora dele havia Deus. Assim, Deus não estava dentro do mundo, e o mundo não era Deus. Rahner e outros começam a dizer teologicamente que esse Deus, além de transcendente, era imanente, e estava aqui, conosco. Essa concepção será muito importante porque todo o Concílio Vaticano II irá girar em torno disso, numa luta de mostrar que a igreja é o Deus imanente. Então, Deus é transcendente mas imanente também, portanto a igreja é o Deus imanente. Só que aí as opiniões começaram a divergir. Comecei a me afastar das concepções de Rahner. Eu pensava que não era possível ser imanente e transcendente ao mesmo tempo. Rahner debatia comigo e eu insistia em minha opinião. No Concílio, Ratzinger tomou outra posição, acentuando ainda mais a imanência contra a transcendência.

 

Saída da Companhia de Jesus

A partir dessa discussão, saio da ordem porque não concordo com esse conceito de Deus. Em 1956 peço demissão aos jesuítas. E o motivo que me fez tomar essa atitude é que Rahner e os jesuítas tinham um conceito de Deus que era, ao mesmo tempo, transcendente e imanente, o que para mim era algo contraditório. E se era só transcendente, estava errado. A imanência é a totalidade, mas não é algo que é contrário à transcendência. Há uma diferença entre uma totalidade e o conteúdo de uma totalidade, mas trata-se de uma diferença muito pequena porque não pode haver uma totalidade sem conteúdo. Então, naquela época eu discordava dizendo que o mundo era uma totalidade, Deus era uma totalidade e esse Deus era o mundo. Sustentava que não era possível separar as coisas. Respondiam-me que eu estava perdendo o Deus transcendente, porque se dizia que Deus é a totalidade, tudo é Deus, então Deus desapareceu. Essa foi a grande discussão que tive com Rahner e Ratzinger e que me fez sair da Ordem. Passei um semestre no Brasil avaliando minha decisão e saí oficialmente em agosto de 1959. Decidi ter a minha religião, o meu Deus. Não tinha compromisso nem com Ratzinger, nem posteriormente com o Concílio Vaticano II. Rahner e Ratzinger continuaram com o Concílio. Rahner disse-me que era preciso fazer concessões, pois, caso contrário, seria impossível aprovar algo no Concílio. Eu respondi-lhe que não se podia fazer concessões erradas sobre coisas tão importantes. Assim, Rahner e eu brigamos. Depois de anos, ambos nos arrependemos, mas não nos encontramos mais. Soube através de Leonardo Boff, que foi seu aluno, que ele perguntava por mim e pedia notícias minhas.

 

Hegel, uma questão de “etiqueta”

Como ex-jesuíta, vou para Universidade de Viena terminar o doutorado. Eu já estudava Hegel nessa época, mas pouco. Naquele tempo os professores já precisavam ter um autor como o seu mais importante. Naquele período escolhi Hegel e continuei o estudado por motivos acadêmicos e intelectuais. Ser hegeliano é um problema muito mais de etiqueta do que de conteúdo. Hegel não é Hegel. Explico. Temos na filosofia moderna, a rigor, apenas duas correntes filosóficas. Uma delas vem de Descartes e chega até Kant. São os analíticos, duramente dualistas. Corpo e espírito são duas coisas diferentes e que não se juntam, dizem. Para juntá-las é preciso usar cola, e mesmo assim, ela não “pega”. A outra corrente vem do neoplatonismo, com Plotino, passa por Espinosa, chegando a Schelling, Fichte, Hegel e Marx, e diz que o universo é uma totalidade em movimento. Tudo é um todo que é diferenciado e está em movimento de evolução. Isso significa que Deus está aqui, ou então Deus não existe.


Da esquerda para a direita: Peter Schmidt, Cirne Lima, Jürgen Habermas, Ute Habermas, Álvaro Valls, Cleofe Valls. Fonte: Acervo de Cirne-Lima

Todos pensadores que defendem a totalidade pensam assim. Eu usava Hegel porque é um dos filósofos melhores nesse período. Mas se não tivesse Hegel, citaria sem problema algum Schelling ou Espinosa, porque são muito parecidos, vêm da mesma escola. Eles são monistas, em oposição a Descartes e Kant. Acreditam numa única substância. Esse monismo está em evolução. As diferenças é que, para um autor, a evolução é necessária, enquanto que para outro há liberdade; isso é o Espírito que se desenvolve. Então, a diferença entre materialismo e espiritualismo é nula. Quando dizemos que tudo ficou matéria, tudo ficou espírito. Só faz sentido falar em espírito e matéria quando se é dualista. No monismo, podemos ser espiritualistas como Hegel, ou materialistas como o Marx original. A rigor, se tirarmos a palavra matéria e colocarmos espírito, tudo fica igual. Dentro desse esquema, sou monista, e não dualista. Meus colegas ficaram mais e mais dualistas, inclusive Ratzinger. Hoje, os jesuítas e o catolicismo são, em sua esmagadora maioria, dualistas, e não monistas. Aprendi o dualismo na escola, mas depois, na Filosofia, fui percebendo que deveria ser monista. Não é possível ligar ambas as coisas. Como fiquei monista, deveria dizer qual o autor que estudo, então escolhi Hegel.

 

Professor em Viena

Quando fui para Viena em 1959, já laicizado, tornei-me professor auxiliar de agosto daquele ano até agosto de 1965. Lá, meu chefe era Erich Heintel. Nesse período, o departamento de filosofia era muito centrado no idealismo alemão. Meus colegas falavam comigo sobre Hegel e Schelling com a maior naturalidade. Eram todos monistas. Assim como tive dificuldades e diferenças com a mentalidade católica, eles passaram pela mesma situação com a mentalidade protestante, uma vez que esta também era dualista. Alguns desses pensadores que saíram de Viena até ficaram dualistas, ma non troppo, como Karl Popper. Ele sai de Viena e não sabe direito se é monista ou dualista.

 

Dualismo mitigado

Dei-me conta de que a Filosofia moderna só tem duas correntes: a que vem do neoplatonismo e é monista, que continuo a seguir, e a dualista, que surge em Descartes e alcança Kant. Do ponto de vista prático, a esmagadora maioria das pessoas continua dualista. Quando dou aulas, as pessoas se confundem e não sabem do que estou falando. Aqueles que professam a religião católica ou luterana têm uma visão dualista e estranham o que falo. Isso é usual também na Alemanha em outras épocas. Só não tem esse sentimento de estranhamento quem é materialista ou idealista. O materialista convicto ficará mais de acordo comigo do que com um dualista tomista. Nos últimos 20 anos, com o aggiornamento que houve, o que aconteceu é que a Igreja Católica tentou se reestruturar com o monismo. Isso é fruto do trabalho de Rahner, que vai para o Concílio fazer a unidade da Igreja. O conceito de Deus e Igreja que Rahner traz dessa perspectiva era não de um monismo duro. Deus estaria lá, mas como totalidade, e Deus não estava transcendente. Foi introduzida a ideia de que imanência e transcendência são iguais, ou seja, crescendo uma, cresce a outra. Elas não seriam excludentes. Essa é a ideia de Rahner e De Lubac, por exemplo. A Igreja Católica naquele período pré-Concílio, e inclusive hoje, admite que deve ser modernizada, e o Deus modernizado em que transcendência e imanência coexistem é postulado. Então, existem dois tipos de católicos: aqueles que dizem que transcendência e imanência são inversamente proporcionais remontam a Ratzinger, e aqueles que dizem que crescendo uma, cresce a outra, sendo diretamente proporcionais, são o grupo moderno. É esse grupo que tentou fazer o Concílio. Já no princípio dos trabalhos esse embate produziu a cisão, e Ratzinger mudou de ideia, levando a igreja para esse lado. Durante o Concílio, esse conceito de Rahner foi derrotado e Ratzinger fica cardeal.

Rahner não consegue voltar à sua cátedra em Teologia. Morreu sem emprego, sem reconhecimento e triste. Ele é proibido de voltar a Innsbruck, onde era professor titular vitalício. Ratzinger e outros católicos transcendentalistas impedem-no de fazer isso. Ele é acolhido por Johann Baptist Metz, em Münster.

 

Ratzinger como papa

O quem vem pela frente com Ratzinger, na verdade “já veio”: ele é “águas passadas”. Ele apenas é papa agora. Quando começa a defender que imanência e transcendência são inversamente proporcionais, era jovem professor, depois bispo, cardeal e então papa. Essa mentalidade entrou no Concílio e teve preponderância. O Deus imanente era Deus, ma non troppo. A rigor essa discussão começa em Santo Agostinho e vem através da história. Tudo que está acontecendo na igreja agora é reflexo do que houve no Concílio Vaticano II. O problema não está resolvido dentro da instituição, mas para mim já está solucionado. Se hoje Ratzinger e eu debatêssemos novamente, continuaríamos discordando, mas hoje com ainda mais força porque ele não tem mais motivos para ter precaução, assim como eu. Na nossa idade, podemos dizer com mais franqueza o que antes recheávamos com sutilezas. Ratzinger está levando a Igreja à beira da morte. Se o seguinte pontífice continuar nesse caminho, a Igreja irá diminuir a tal ponto que irá minguar por falta de conteúdo. É minha honesta opinião.

 

História da Filosofia

O motivo pelo qual no Brasil se faz história da filosofia, e não Filosofia, é bem simples. Isso iniciou na USP, cuja opção política foi levada a cabo por Paulo Arantes. Cada um tem sua opinião particular, mas em termos de currículo, o que vale é a história da filosofia. Há pouca gente com um sistema próprio no Brasil, e que não segue a linha da USP. É o meu caso, que sou fruto da filosofia do Pullach Bei München, Innsbruck e Viena. Mas a filosofia da USP, que se espalhou por todo o Brasil via MEC, é aquela da história da filosofia.

 

Casamento e absolvição das “heresias”

Depois desse período em Viena, volto para o Brasil e me caso com Maria Tomaselli em novembro de 1965. Um mês antes da viagem para o Brasil, nos casamos no civil. Então, embarcamos em uma viagem de navio para cá. Casamos no religioso, numa cerimônia celebrada por D. Vicente Scherer. Como estávamos excomungados, tivemos que ser absolvidos, primeiramente. Recebemos uma licença especial para casar na capela de Dom Vicente, além da absolvição de todas as “heresias”. Apenas a família pôde assistir à cerimônia.

O casal não tinha filhos.

Maria e eu nos conhecemos quando eu era professor em Viena. Ela morava em Innsbruck, sua cidade natal, onde estudou Filosofia com professores católicos, mas muito fracos enquanto filósofos, como ela própria faz questão de salientar. Lá Maria fez seu primeiro semestre na Filosofia. Como todos falavam da boa filosofia de Viena, ela decidiu assistir aulas com Heintel, o professor mais importante da época. Nesse contexto nos conhecemos. Ocorre que Maria voltou a Innsbruck e seguiu lá o curso de Filosofia. Um ano depois, começamos a namorar “de longe”. Seu pai disse-nos que só poderíamos casar depois que ela concluísse seu doutorado em Filosofia, o que aconteceu de 1962 a 1965. Quando concluiu o curso em Innsbruck é que casamos. Depois que terminou a Filosofia, Maria nunca mais quis estudar o tema. Decidiu migrar para a arte. Se alguém diz que ela é doutora em Filosofia, ela desmente e dá risada.

 

“Estragar” a vida

Nunca ataquei a Igreja. Falo a respeito do que aconteceu, mas sem atacar a instituição. Prometi que não iria atrapalhar o Concílio. Quando saio dos jesuítas, brigando pelo conceito de Deus e, portanto, também de Igreja, naquele período Rahner disse que eu iria “estragar” a minha vida e a da Igreja. Então, disse-lhe que iria “estragar” apenas a minha vida. Assim, nunca polemizei contra a Igreja. Nesse meio tempo, Ratzinger ficou bispo, cardeal importante e cada vez mais transcendente. Eu, por outro lado, continuei professor monista.

 

Arguição escada abaixo

Logo depois de casar, fiz concurso para professor auxiliar de ensino, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Iniciei em março de 1966, no prédio ao lado da reitoria. Em agosto de 1968, faço minha livre-docência. É preciso contextualizar que 1968 é o ano das invasões estudantis. Nesse ano os estudantes de Paris invadiram a Sorbonne, e o mesmo aconteceu em Munique, quando as aulas foram canceladas. Em Frankfurt a suspensão das aulas fez com que os professores ficassem magoadíssimos com os alunos. Essa Revolução Estudantil de 1968 provocou grandes mudanças intelectuais no mundo inteiro, e também repicou em Porto Alegre.

Estudantes da UFRGS, em agosto daquele ano, invadiram a universidade. Naquele exato momento, eu estava arguindo minha tese de livre-docência, no prédio ao lado da reitoria, no andar de cima. Minha banca, com cinco professores solenes, entre eles o grande jurista Miguel Reale, estava “atacando-me”, pois não sabia se eu era católico, idealista ou materialista comunista. Meu livro se chamava Dialética e realismo, e eles pensavam que a palavra dialética era mais marxista do que hegeliana. Por causa desse livro, Reale queria me “trucidar”. As notas que ganhei eram algo como 3 e 4, sendo que o 7 era o mínimo para passar.

 

Stein e eu fizemos nossas arguições na mesma época. Ele não teve problemas de ser acusado de comunista porque estudava Heidegger . Mas eu tinha, por causa da dialética. Além disso, os estudantes invadem o prédio e a polícia do DOPS entra com escada magirus, pela janela. As luzes tinham sido apagadas pelos estudantes. O presidente da banca disse que eu não deveria interromper a arguição, caso contrário a sessão perderia a validade. Miguel Reale continuou o exame no escuro. Uma luz surgiu, vinda de uma lanterna. Era o diretor Ângelo Ricci, que passa uma lanterna em nossos rostos e fala, apontando para a janela: “A faculdade foi invadida pelos alunos revoltosos. Para que esta arguição não perca a validade, a banca não pode ser interrompida. Deve continuar arguindo e vocês devem sair por ali”. Dois policiais de metralhadora em punho guarneciam a escada. Todos, então, descemos pela magirus, arguindo. Fomos acompanhados, no escuro, pelos policiais, rumo à Escola de Belas Artes. Levamos uns 15 minutos caminhando e arguindo, até chegar ao Instituto. Lá a sessão foi encerrada. Isso consta em ata até hoje arquivada na Faculdade de Filosofia da UFRGS. Torno-me, então, livre-docente.

 

Cassação

Não tive atuação política nem antes, nem depois desse momento, mas eu era um filósofo, e em 1968 acontece essa revolta estudantil e o AI-5. A revolução militar iniciada em 1964 sofre uma revolução interna em 1969. O presidente Arthur da Costa e Silva fica doente e uma junta militar assume o governo e tudo fica mais “apertado” ainda. Havia listas de cassações. Professores da Universidade de São Paulo – USP de Sociologia e Filosofia eram cassados em grupos de 30 a 40 pessoas por vez. No Rio Grande do Sul, cassaram de 20 a 30 professores, sobretudo da Sociologia e Arquitetura. Da Filosofia, apenas dois foram cassados: Gerd Bornheim e Ernildo Stein. Nessa época eu ainda não tinha sido cassado. Os não cassados, como eu, se manifestam dizendo que aquilo era uma vergonha. Um grupo, capitaneado pelos dois Brito Velho (Carlos de Brito Velho, deputado, católico, e Vitor de Brito Velho, professor de Filosofia) fez um abaixo-assinado pedindo ao governo militar a revisão dessa postura. Assinei esse manifesto, ao lado de inúmeros outros colegas. Depois de um tempo, um assessor do ministro da Educação, Tarso Dutra, nos instou a retirar nossa assinatura. Instruiu-nos a nos retratarmos e afirmarmos o contrário. Recusei-me, junto de Bento Velho e Maria da Graça, hoje professora da PUCRS.

Em 1969 fui cassado, mas continuei dando aulas em Caxias de Sul. Só que isso não durou nem dois meses. Veio um ato complementar do governo militar dizendo que aqueles cassados pelo AI-5 não poderiam dar aula em nenhum lugar no Brasil. Então, fiquei desempregado e sem dinheiro. Nessa situação, apelei para minha segunda profissão, que aprendi em Viena.

 

Um filósofo executivo

Quando fui fazer o doutorado em Viena, já laico, Heintel perguntou-me que outra profissão eu tinha. Respondi que queria ser professor de Filosofia. Ele insistiu: “Com o que você ganha dinheiro? Professor não é emprego, não é profissão. Você precisa ter uma profissão; caso contrário, não irei orientá-lo”. Ele falou-me sobre vários dos filósofos do departamento que tinham outras profissões paralelas. Então, mandou-me arranjar um emprego e só depois procurá-lo para o doutorado. Procurei o aconselhamento na universidade de Viena e pedi que me ajudassem a encontrar algo com o que pudesse ganhar dinheiro o quanto antes. Aproveitei os créditos que já tinha cursado e, em um ano e meio, concluí o curso de Administração de Empresas. Assim, sou graduado nessa profissão pela Universidade de Viena. Então, fui procurar Heintel para fazer o doutorado.

 

No Brasil, quando revalidei o diploma em Filosofia, pensei em revalidar o de Administração também, por via das dúvidas. Foi justamente o que me salvou na época da cassação. Meu diploma de administrador foi validado na UFRGS e tenho registro de número 42 no Conselho Regional de Administração – CRA.

Quando vem a cassação e sou proibido de lecionar, pego meu curriculum vitae, tiro a formação filosófica e apresento-o como administrador para possíveis empregadores. Em dezembro de 1969 torno-me funcionário do Banco Nacional do Comércio como escriturário no Departamento de Operações de Crédito Anormal – Deoca. Nesse departamento, o chefe precisa de novos colaboradores. Como eu sabia idiomas e contabilidade, fui contratado. Ninguém sabia que eu era filósofo, pois a pior coisa na época era ser filósofo, e sobretudo cassado.

 

Administrando a Borregaard

Um ano e meio depois, começa meu ano de peregrinações. Como tive sucesso no Deoca, a diretoria do banco enviou-me como representante dos bancos do Rio Grande do Sul para ser diretor do Dominium Café Solúvel, em São Paulo, na Avenida Interlagos. Era uma empresa que enfrentava problemas com intervenção federal, inclusive. O Banco Central colocou como interventor um senhor de nome Barbosa. Outro diretor, chamado Alvarez, era representante do Bradesco. Os três Bancos do Rio Grande do Sul (Sulbanco, Banco do Comércio e Banrisul) indicaram a mim como representante deles na Dominium. Assim, fiquei diretor dessa empresa por um ano em meio.

Ainda como funcionário, começam as negociações para trabalhar na Borregaard, pois o governo em 1972 inicia a desapropriação dessa empresa. O ministro do Planejamento, Reis Veloso, ficou impressionado com o trabalho que eu tinha feito no Banco e na Dominium. Junto do ministro Delfim Neto, ficou meu amigo e apreciou o trabalho que havia feito. Então, ambos pediram-me para entrar em contato com a Borregaard, cuja fábrica brasileira situava-se em Guaíba, aqui no Rio Grande do Sul. Contudo, antes de entrar para essa empresa, passei todo o ano de 1973 numa missão ainda mais espinhosa: salvar e reestruturar o Diners Club do Brasil. O Diners era o grande cartão de crédito da época.

Então, saí da Dominium, fui para o Rio de Janeiro e atuei nessa empreitada. Termino o trabalho e assumo na Borregaard em janeiro de 1974. Após estudar o caso da empresa por um mês, vejo que o grande problema era que os noruegueses, seus donos, quando projetaram a planta fabril, fizeram algo muito engenhoso, mas meio perverso. A fábrica de celulose no Brasil usava de árvores e solo baratos, e a celulose era produzida não branqueada e, principalmente, não peneirada. Os fardos de celulose que saíam de Guaíba, se fossem vendidos em outro lugar do mundo, quebrariam as máquinas ao serem processados. Isso porque esses equipamentos são compostos por rolos, que não resistiriam aos fardos repletos de nós. Então, esses fardos deveriam ser peneirados antes de serem prensados. Entretanto, apenas na Noruega é que ocorria a peneiragem e o branqueamento. Assim, metade da fábrica estava situada no Brasil, e a outra na Noruega. O produto daqui só poderia ser vendido na Noruega em função de questões técnicas. Reis Veloso se dá conta disso e convoca-me para mudar a situação.

Primeiramente tive que fazer um contrato com os noruegueses para que eles branqueassem a celulose. Como estavam amargurados com esses dois ministros, eu servia de intermediário entre o governo e a Borregaard no Brasil e na Europa. Passado um tempo, começamos a branquear e peneirar a celulose aqui e vender em Amsterdam. Meu escritório funcionava em Frankfurt. Nesse período de 1974-1977, sou diretor da Borregaard em Guaíba, com casa nessa cidade e em Frankfurt, onde a Maria ficava a maior parte do tempo. Aliás, todo nosso casamento foi marcado por constantes viagens e mudanças, e muito companheirismo nessas situações de deslocamento. Nossa vida sempre foi bem atribulada. Quando acabei minha tarefa na Borregaard, o pessoal ficou bastante bravo comigo porque contrariei uma porção de coisas. A defesa que poderiam ter feito para mim deveria partir de Reis Veloso e Delfim, mas que a essas alturas já não tinham mais muita expressão política. Então, fico desempregado outra vez. De 1977 a 1979, o senador Severo Gomes convidou-me para ser diretor na Tecelagem Paraíba, no Nordeste. Então, mudamo-nos para Olinda-PE.

 

Retorno à UFRGS

Em 1979 vem a Lei da Anistia e recebo uma carta do reitor da UFRGS. Recebo a permissão para voltar e redijo uma carta aceitando o convite. De 1979 a 1983, como eu não tinha dedicação exclusiva à universidade e ganhava pouco dinheiro, empreguei-me numa companhia de seguros que depois foi engolida por uma grande companhia paulista. Assim, mantive paralelos a docência e o trabalho nessa empresa. Estava contratado como professor assistente e adjunto na UFRGS. Em 1985 faço concurso para professor titular e dedico-me exclusivamente à universidade. Aposento-me em 1990 na UFRGS e inicio carreira na PUCRS. Em 2000 encerro a carreira nesta universidade e começo na Unisinos, diariamente, até 2007. Em 2008, sou nomeado professor emérito e professor visitante dessa instituição. Agora estou aposentado. Também tive um período como professor em Kassel, dei conferências em Aachen e Praga.

 

Reconhecimento filosófico

O reconhecimento ao meu trabalho filosófico veio agora, na velhice. No início da minha carreira sou apenas um professor talentoso. Depois, sou cassado e ninguém pode nem falar a respeito da minha trajetória filosófica. Por dez anos dedico-me a administrar empresas e construo fama de bom executivo. Quando volto à Filosofia oficialmente, estou quase na estaca zero. Na UFRGS, inclusive, não me consideravam filósofo, mas um cassado anistiado. Quando entro na PUCRS, convidado por Jayme Paviani, é que vem o reconhecimento. Na época em que entrei na PUCRS o curso não era bem visto, e era preciso uma revitalização em sua pós-graduação, missão para a qual foram chamados Hans Georg-Flickinger, Ernildo Stein e eu.

Depois, a Unisinos chamou-me para fundar o curso de pós-graduação em Filosofia. Ocorre que lá em 1952 eu dava aulas por um semestre em São Leopoldo, no Cristo Rei, migrando da Filosofia para a Teologia. Nessa época a Unisinos fundou no papel uma faculdade de Filosofia e como não tinha quase nenhum professor doutor, colocaram-me como um dos fundadores do curso de graduação. Então, sou um dos fundadores da graduação e da pós-graduação em Filosofia da Unisinos.

 

Lazer

Maria e eu gostamos de teatro e cinema. Assistimos a filmes quase todos os finais de semana. Como Maria é artista, está sempre pintando, fazendo gravuras e envolvida em atividades com seus alunos. Eu gosto muito de ler, e aproveito meu tempo para isso. Já naqueles dez anos como administrador, mantinha minhas leituras filosóficas em dia, porque caso contrário estaria desatualizado e liquidado. Hoje, continuo essa prática, e em ritmo mais intenso: a cada dois ou três dias leio um livro diferente. Estou atualizado em Filosofia, sei o que meus colegas estão fazendo e debatendo. Além disso, escrevo artigos.

 

Instituto Humanitas Unisinos

O IHU tem enormes méritos, mas está naquela ambiguidade que caracteriza a Igreja Católica. O IHU não sabe, ao certo, se é monista ou dualista. Essa posição de indecisão é a de muitos teólogos católicos contemporâneos, e inclusive da Unisinos em termos gerais.

 

Professor emérito da Unisinos

Quando recebi o título, ocorreu algo curioso. O reitor, Pe. Marcelo Aquino, meu amigo e colega, proferiu uma conferência na qual apontou a posição neotomista contemporânea. Não fica clara, contudo, se sua posição é pelo monismo ou pelo dualismo. Face ao discurso dele, reiterei minha posição monista. Não usei a palavra panteísta, que é “feia”. Mas essa divergência ficou clara na solenidade. No público, havia alguém que ligou para o provincial dos jesuítas daqui reclamando que estava sendo prestigiado alguém que não era suficientemente católico.

 

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Prof. Dr. Cirne-Lima, no Pátio de Heráclito
Foto: IHU

 

Carlos Roberto Velho Cirne-Lima é professor emérito do PPG em Filosofia da Unisinos, com o título de doutor honoris causa, concedido em 6 de junho de 2008. É graduado em Filosofia, pelo Berchmannskolleg, em Pullach (Alemanha), doutor em Filosofia, pela Universität Innsbruck (Áustria), e obteve livre-docência pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Entre seus livros publicados, citamos Realismo e dialética. A analogia como dialética do Realismo (Porto Alegre: Globo, 1967), Sobre a contradição (Porto Alegre: Edipucrs, 1993) e Dialética para principiantes (São Leopoldo: Editora Unisinos, 2002). Seu livro mais recente chama-se Depois de Hegel. Uma reconstrução crítica do sistema neoplatônico (Caxias do Sul, RS: Editora da Universidade de Caxias do Sul, 2006). Conheça, ainda, o site oficial.

 

 

 

 

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