A última batalha de Paulinho Payakan

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20 Junho 2020

Ele é uma das mais de 46.000 vítimas da Covid-19 no Brasil, mas, para os povos indígenas, é uma perda de gravidade incalculável. O líder Kaiapó Paulinho Payakan, 67 anos, estava internado no Hospital Regional Público do Araguaia, no sudeste do Pará, onde lutava contra a morte desde o dia 9 de junho. Era a última das infinitas batalhas travadas durante a sua existência, mas ele não conseguiu vencê-la: seu coração parou de bater na quarta-feira à noite.

A reportagem é de Claudia Fanti, publicada por Il Manifesto, 19-06-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Com base no protocolo da Covid, ele deveria ter sido imediatamente sepultado. Mas o Distrito Sanitário Especial indígena (Dsei) da região Kaiapó permitiu que a família o levasse de volta à sua aldeia de origem, Ulkre, em Ourilândia do Norte, contanto que renunciasse ao ritual de pintar o corpo, para evitar o risco de contágio.

Sem ele, a floresta amazônica permanecerá ainda mais indefesa. Payakan era um líder conhecido internacionalmente, em particular pela sua luta contra a usina hidrelétrica de Belo Monte, a terceira maior do mundo (depois das de Três Gargantas, na China, e de Itaipu, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai), sobre cujos enormes custos ambientais e sociais ele havia contribuído para chamar a atenção, junto com outro líder Kaiapó mais conhecido e admirado, Raoni Metuktire.

Essa batalha também está destinada à derrota. Considerada pelos governos do PT como uma das bandeiras do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, e inaugurada por Dilma Rousseff justamente durante o processo de impeachment, a usina altamente contestada caiu como um desastre sobre o povo do Xingu, deixando-lhe de “presente”, entre muitas outras coisas, a contaminação das águas do rio, o enorme aumento do desmatamento e do comércio ilegal de madeira, a expulsão de famílias, um impressionante aumento no número de suicídios entre os adolescentes. Mas essa não havia sido a sua única luta.

Paulinho Payakan lutou durante toda a sua vida contra os garimpeiros e lenhadores ilegais, conseguindo, ao lado de outras figuras carismáticas como Raoni e Ailton Krenak, chamar a atenção do mundo para a causa da destruição da maior floresta tropical do planeta.

A sua reputação, é verdade, foi manchada pela condenação a seis anos de prisão pelo estupro de uma estudante de 18 anos, cometido em 1992 com a ajuda da esposa, também condenada. Mas o líder Kaiapó sempre se declarou inocente.

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