Papa: “Os escândalos financeiros são irreconciliáveis com a natureza da Igreja”

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18 Fevereiro 2020

A referência é ao caso do edifício em Londres, um investimento especulativo de 200 milhões de dólares. Certas situações, diz Bergoglio, “geram desorientação e inquietação nos fiéis”.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada por Corriere della Sera, 15-02-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A expressão-chave é “além de qualquer possível ilegalidade”. O Papa Francisco inaugura o 91º Ano Judiciário do Tribunal Vaticano, dirige-se a magistrados e advogados, e explica que os controles internos “recentemente trouxeram à tona situações financeiras suspeitas” que “mal se conciliam com a natureza e as finalidades da Igreja e geraram desorientação e inquietação na comunidade dos fiéis”.

E tudo isso, justamente, “além de qualquer possível ilegalidade”, porque “se trata de casos para a atenção da magistratura”, que “ainda devem ser esclarecidos nos perfis de relevância penal: por isso, não podemos nos pronunciar sobre eles nesta fase”.

Coerência

A referência evidente é ao caso do edifício em Londres, na Sloane Avenue, número 60, um investimento especulativo de 200 milhões de dólares na área mais prestigiada da capital inglesa.

Francisco também falara sobre isso no seu retorno da viagem ao Japão, no fim de novembro, em resposta às perguntas dos jornalistas. E explicara que, por si só, não é ruim investir as somas do óbolo de São Pedro, porque “não é uma boa administração” colocar “o dinheiro na gaveta”, e é justo procurar um bom investimento: “Entre nós, chamamos de um investimento de viúvas, duas aqui, três ali, se um cai tem outro, de modo que não se arruíne e seja sempre seguro e moral”.

Mas o ponto é este: “Se você faz um investimento e, durante anos, nunca toca no capital, isso não está certo. O óbolo deve ser gasto em um ano, um ano e meio, até que chegue a outra coleta que é feita mundialmente, e essa é uma boa administração, naquilo que é seguro. E também se pode comprar uma propriedade, alugá-la e depois vendê-la, mas de modo seguro, com todas as seguranças, pelo bem das pessoas e do óbolo”.

Em suma, nada de especulação em longo prazo. Várias vezes, Francisco advertiu que “o dinheiro não se faz com dinheiro, mas com trabalho”, e a Igreja, em primeiro lugar, deve ser coerente com o que diz.

Mudanças na cúpula

As investigações estão em andamento, mas, enquanto isso, Francisco já mudou a cúpula da Autoridade de Informação Financeira. O presidente, René Brüelhart, deixou o cargo no fim do mandato, e, em seu lugar, foi nomeado Carmelo Barbagallo no fim de novembro.

Enquanto isso, o papa também havia nomeado um novo prefeito da Secretaria para a Economia, um cargo vago há meses após a renúncia do cardeal George Pell, que acabou processado na Austrália por abusos de menores e encobrimentos: agora, na cúpula da economia vaticano, está um coirmão de Bergoglio, o jesuíta espanhol Juan Antonio Guerrero Alves, 60 anos, conselheiro geral da Companhia de Jesus.

Controles

O lado positivo, em tudo isso, é que “os mecanismos internos que o Papa Bento havia iniciado, começam a funcionar”, explicou Francisco em novembro: “Agradeço a Deus por isso, não que haja corrupção, mas que o sistema de controle vaticano funciona bem”.

Agora, ele repete aos magistrados: “Precisamente neste caso, as primeiras indicações partiram de autoridades internas ao Vaticano, ativas, embora com competências diferentes, nos setores da economia e das finanças. Isso demonstra a eficácia e a eficiência das ações de combate, como exigido pelos padrões internacionais”.

Reformas

A legislação vaticana registrou na última década “significativas reformas em comparação com o passado”, explica o papa: “A Santa Sé iniciou um processo de adequação da própria legislação às normas do direito internacional e, em nível operacional, comprometeu-se, de modo particular, em combater a ilegalidade no setor das finanças em nível internacional”.

O principal objetivo das reformas “deve ser inserido na missão da Igreja ou, melhor, é uma parte essencial da sua atividade ministerial: isso explica o fato de a Santa Sé se esforçar para compartilhar os esforços da comunidade internacional para a construção de uma convivência justa e honesta e, acima de tudo, atenta às condições dos mais desfavorecidos e dos excluídos, privados de bens essenciais, muitas vezes pisoteados na sua dignidade humana e considerados invisíveis e descartados”.

 

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