Chile. O encontro entre os denunciantes dos abusos de irmãos maristas e Dom Scicluna

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28 Fevereiro 2018

Durou quase três horas o encontro na nunciatura de Santiago do Chile entre o enviado do papa, Dom Charles Scicluna, arcebispo de Malta (La Valletta), e Isaac Givovich e outras vítimas de abusos por parte de membros dos Irmãos Maristas.

A reportagem é de Luis Badilla, publicada por Il Sismografo, 27-02-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Givovich, ao término do encontro, falando com os jornalistas que aguardavam o fim da reunião não prevista na agenda do prelado enviada pelo Vaticano e ao qual o Papa Francisco pediu especificamente para ouvir informações novas sobre o caso Karadima-Barros, disse: “Saímos com uma boa impressão. Fomos ouvidos pelo arcebispo de Malta. Levamos conosco um importante compromisso dele, e é isso que mais importa. Ele nos disse que transmitirá à Santa Sé, para encontrar uma solução, a questão de que os maristas não podem ser, ao mesmo tempo, uma parte envolvida na denúncia e juízes no processo”.

As declarações de Isaac Givovich referem-se à decisão dos maristas de nomear o salesiano David Albornoz para investigar pelo menos 18 denúncias de ex-alunos do Instituto Alonso de Ercilla e do Colégio Marcelino Champagnant, que acusam 10 religiosos maristas de abusos sexuais desde os anos 1970.

Givovich, ex-aluno do Alonso de Ercilla, disse que Dom Scicluna “escutou com muita caridade cada um dos nossos testemunhos. Não foi fácil para nós. Não é bom lembrar essas coisas, aquilo que sofremos, mas também as nossas lutas. Somos católicos e, por isso, estamos muito agradecidos ao Vaticano por essa sua atitude que consideramos como um passo rumo à justiça. Agora, esperamos a verdade e a reconciliação”.

Jaime Concha, Gonzalo Dezerega e Jorge Franco, outras três vítimas presentes, disseram que, para eles, “é um dia histórico que põe fim ao cerco de ferro levantado para garantir a impunidade de alguns. Agora, abrem-se caminhos de verdade e justiça, e não será possível continuar com as mentiras e os acobertamentos. De algum modo, nós estamos dando uma mão ao papa para acabar com uma Igreja que, diante desses crimes, é cega, surda e muda”.

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