As raízes espirituais do Papa. “Santo Inácio e Nossa Senhora de Luján”

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • O testamento de Dom Jacques Noyer, bispo francês. “O celibato eclesiástico é uma falsa aventura”

    LER MAIS
  • Uma heresia pós-moderna: o uso distorcido da religião para sustentar teorias da conspiração

    LER MAIS
  • As grandes mulheres por trás das vacinas contra o Covid

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


Por: André | 03 Junho 2014

Um Papa inaciano e mariano. Nas raízes espirituais de Francisco unem-se os Exercícios Espirituais e a devoção a Nossa Senhora de Luján. O Vatican Insider conversou com os quatro principais estudiosos do pontificado de Jorge Mario Bergoglio para entender as peculiaridades da sua fé.

 
Fonte: http://bit.ly/1kpT9uI  

A reportagem é de Giacomo Galeazzi e publicada por Vatican Insider, 02-06-2014. A tradução é de André Langer.

Andrea Riccardi, historiador do cristianismo e fundador da Comunidade de Santo Egídio, destaca a figura de Santo Inácio de Loyola, que teve uma influência evidente no caminho espiritual do jesuíta: Bergoglio, tanto em seu discernimento como em seu “homem da Bíblia”. E se deve acrescentar, indicou o professor Riccardi, a “profunda devoção mariana”, que encontrou expressão sobretudo na experiência no Santuário de Luján e, em particular, na convicção de que Maria é a mãe nos momentos difíceis.

Alberto Melloni, professor de História do Cristianismo na Universidade de Módena e titular da Cátedra Unesco sobre a pluralidade religiosa e a paz na Universidade de Bolonha, dirige a Fundação para as Ciências Religiosas João XXIII de Bolonha. Segundo Melloni, em Francisco é evidente “a marca mariana, forte e sóbria, de todo o catolicismo sul-americano; ou seja, uma devoção baseada nos afetos mais que nas aparições: uma Virgem maternal e não milagrosa”. Para Bergoglio, “reflete uma piedade popular pelos sacramentos e tem uma sensibilidade litúrgica pós-conciliar”, esclareceu Melloni. De fato, Jorge Mario Bergoglio “foi ordenado sacerdote em 1969, razão pela qual é o primeiro Papa que nunca celebrou com o Missal de São Pio V”.

O também jesuíta Antonio Spadaro, diretor da revista La Civiltà Cattolica, relaciona os dois pontos de referência da espiritualidade de Francisco: “Nos Exercícios Espirituais, a referência a Maria é fundamental – observa o padre Spadaro. Santo Inácio exorta constantemente a dialogar com a Virgem e, nos momentos mais importantes, sempre está a referência a Nossa Senhora. Francisco é particularmente devoto de “Nossa Senhora Desatadora dos Nós”, e sempre foi como peregrino parra Santa Maria Maior, lugar da memória para os jesuítas, porque ali Santo Inácio celebrou sua primeira missa”.

Jorge Mario Bergoglio, explicou Spadaro, faz sua a “tradição da devoção do povo” e está muito vinculado à adoração cotidiana, “tempo de alimentação espiritual e de gestação para decisões e reflexões”. Ou seja, uma espiritualidade “baseada no povo e não somente no sujeito”, defendeu Spadaro. “À tradição puramente ascética da Companhia de Jesus, prefere a tradição mais mística de raízes francesas: o silêncio e a prática exterior servem para o diálogo com Deus, mas não têm um valor em si”. Por isso, insistiu Spadaro, “compreende-se quão radicalmente Jorge Mario Bergoglio segue a profundidade da meditação jesuíta”.

Giovanni María Vian, historiador do cristianismo e diretor do L’Osservatore Romano, falou sobre a gratidão de Francisco para com a “transmissão feminina da fé”. Não é por acaso que o Pontífice, relacionando-a com os primeiros tempos, “tenha citado uma passagem do epistolário paulino no qual se fala de mulheres que transmitiram a fé”. O último gesto que o confirma, explicou Vian, foi o bilhete que o Papa deixou no Muro das Lamentações, no qual Francisco escreveu “a oração do Pai Nosso e especificou que a tinha escrito na língua em que a havia aprendido da sua mãe”. Compreende-se, continuou, “sua espiritualidade mariana e a devoção pelas imagens da Virgem, que era própria também de Santo Inácio”, pois “Maria é o melhor exemplo de discípulo do Senhor e expressa cabalmente o vínculo entre o judaísmo e o cristianismo”. De fato, Maria é a nova Eva, segundo os Padres da Igreja, e o Papa Francisco retoma a riquíssima simbologia que identifica a Virgem com a Igreja”. Vian concluiu: “Maria é o tipo de crente mais perfeito e o ponto de união entre Israel e a Igreja”. A espiritualidade de Francisco está “impregnada dela”.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

As raízes espirituais do Papa. “Santo Inácio e Nossa Senhora de Luján” - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV