Entrevista do Dia

Estado e neoliberalismo: a aliança que sustenta o capitalismo. Entrevista especial com Alysson Leandro Mascaro


Estado e neoliberalismo: a aliança que sustenta o capitalismo. Entrevista especial com Alysson Leandro Mascaro


“Pensa-se que o neoliberalismo é a retirada do Estado da economia. Pelo (...)

Leia mais

Notícias do Dia

''Não se iludam: decisões a respeito de valores e do uso da ciência não são decisões científicas'', diz a filósofa
"Abordar a filosofia da ciência a partir da perspectiva de Paul Feyerabend, é um tema que sempre me é muito caro", disse a Profa. Dra. Anna Carolina Regner na abertura da palestra "Razão, método e ciência em Feyerabend", que (...)

Universidades serviram como centros de tortura na ditadura
No balanço de seu primeiro ano de funcionamento, a Comissão da Verdade constatou que a tortura teve início logo após o golpe de 64, e era uma prática comum de interrogatórios conduzidos pelos agentes do Estado nos primeiros momentos (...)

  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8
  • 9
  • 10
  • 11
  • 12
  • 13
Banner
23 May

Quando tudo muda o tempo todo

Algumas empresas no Brasil decidiram encarar de forma permanente uma questão que, à primeira vista, mereceria atenção apenas eventual: a gestão das mudanças. Por conta disso, criaram áreas e nomearam executivos para discutir e disseminar as práticas para tentar gerir as rupturas - grandes ou pequenas - da melhor forma possível. A decisão, compartilhada por gestores de setores tão diferentes como indústria, varejo e serviços, tem por trás, pelo menos, duas justificativas. A primeira delas é a certeza de que nada dura muito tempo. Como diz Gregory Shea, professor adjunto da escola de negócios americana Wharton, a única constante no mundo corporativo nos dias de hoje é a inconstância. "A única constante é a mudança. Vivemos esse paradoxo", afirmou Shea em entrevista ao Valor. "Isso ocorre porque a velocidade com que as coisas acontecem no ambiente de negócios é cada vez maior", disse o co-autor do livro Leading Successful Change (Liderando mudanças de sucesso, numa tradução livre), lançado em fevereiro nos Estados Unidos e ainda sem data para ser publicado no Brasil.

A reportagem é de Karla Spotorno e publicada pelo jornal Valor, 23-05-2013.

A outra justificativa para entender a formalização da gestão de mudanças nas empresas é o fato de a maioria dos projetos e reviravoltas corporativas simplesmente fracassarem. Shea e a consultora americana Cassie Solomon, co-autora do livro, revisitaram nove pesquisas realizadas entre 1994 e 2010 e se depararam com o número do fracasso. Segundo os estudos, entre 50% e 75% das iniciativas de mudança não dão certo. Ou seja, se a ideia é ter sucesso com alguma alteração, seja a troca de um sistema de TI, a aquisição e a integração de uma empresa ou mesmo o lançamento de uma nova linha de produtos, a história manda pensar nisso direito.

No Walmart Brasil, o jeito para enfrentar esse paradoxo corporativo foi criar uma área permanente para gerir as mudanças. "Entendemos como fundamental ter uma organização preparada para reagir rapidamente a projetos, alterações estruturais", afirma Marcus Prianti, diretor de capital humano e gestão de mudanças. Para isso, o Walmart Brasil adquiriu uma metodologia de implantação de mudanças, constituída de objetivos técnicos, como cumprir prazos e orçamentos; objetivos de negócios, como metas de melhoria de resultado, e objetivos comportamentais. Neste último, o gestor tem como missão adequar o comportamento das pessoas aos novos processos, ambientes e ferramentas de trabalho. "Optamos por deter o conhecimento de como montar um plano de mudanças, em vez de contratar uma consultoria externa, porque trabalhamos com a única certeza de que tudo muda o tempo inteiro", diz Prianti. Entre as atribuições atuais do executivo e de sua equipe estão dar suporte para os gestores de 19 projetos em andamento e cumprir as duas principais missões: educar os executivos sobre como conduzir as transformações em suas unidades de negócios e elaborar os planos de mudança para projetos estratégicos que impactam a companhia como um todo.

Na siderúrgica Gerdau, a gestão de mudanças ganhou esse nome e o status de prática de recursos humanos há dois anos. Segundo Denise Casagrande, diretora de desenvolvimento de pessoas, a empresa entende que gerenciar adequadamente as mudanças, utilizando metodologias específicas, ajuda a reduzir eventuais impactos, prepara melhor as pessoas para enfrentar as rupturas e aumenta a agilidade na condução das novas rotinas e realidade. "Toda alteração, por mais simples que possa parecer, poderá refletir nos processos, estrutura, tecnologia e, consequentemente, nas pessoas. Por isso, acreditamos que esse momento não possa ser tratado de forma isolada ou pontual. Gerir mudanças adequadamente deve ser uma competência dos líderes e das empresas. Dependendo da maneira como são administradas, podem influenciar positiva ou negativamente os resultados do negócio", diz Denise.

Segundo Lyrian Faria, sócia da consultoria Dynamica, nem todas as empresas chamam de gestão de mudanças a estrutura criada para gerir as rupturas e cuidar do engajamento das pessoas e da perpetuação dos valores da companhia. "Há quem use o termo em inglês, 'change management'. Há quem chame de desenvolvimento organizacional", diz. O nome é o de menos. Segundo Lyrian, o que importa é que é essa estrutura sustente as alterações na forma de trabalhar, no comportamento dos profissionais depois da implantação de um novo processo, projeto ou chefia. "As pessoas tendem a voltar para a sua zona de conforto", diz.

No grupo de seguros e previdência privada Porto Seguro, esse foi o nome dado. Criada no segundo semestre de 2012, a gerência de desenvolvimento organizacional fica sob a tutela de Simone Navarro, gerente responsável por essa e por outras duas áreas, a de educação e a de consultoria de RH. "O posicionamento desses três departamentos sob uma mesma gerência mostra o entendimento da direção sobre como desenvolver a organização e as pessoas para perpetuar a empresa", afirma.

A experiência das três companhias ainda não é regra no Brasil. Até dá para entender. Imagina, abrir a agenda e ver que a primeira reunião do dia é com o diretor de gestão de mudanças? Qualquer um sentiria pelo menos um desconforto. "Falar em mudança assusta as pessoas. Qualquer um se sente ameaçado", diz o consultor Walter Machado de Barros, da WMB Consultoria em Gestão. Segundo Marco Land, sócio da consultoria Dextera, e João Lins, sócio-responsável pela área de gestão de capital humano da PwC Brasil, a gestão de mudanças ainda é um assunto relativamente novo no país. Land percebe que somente as empresas mais maduras optam por montar uma área específica para esse assunto. Lins concorda. "Tenho a percepção que as empresas globais são mais sensíveis a esse assunto. É comum ver um 'due dilligence' de recursos humanos antes de uma aquisição a ser feita por uma grande companhia", diz Lins.

Com ou sem uma estrutura responsável por gerir as rupturas, as empresas terão sucesso em suas mudanças quando conseguirem modificar o comportamento das pessoas, na opinião do professor Shea, da Wharton. Para isso, diz, o ambiente corporativo também precisa mudar. "O ser humano se adapta ao ambiente em que está inserido. Se mudam as ferramentas de trabalho, as tarefas, os processos, as recompensas e reconhecimentos, as pessoas também mudam", afirma. No livro, ele lista oito fatores-chave para o sucesso de uma mudança: a organização da empresa e seu organograma; a configuração do ambiente físico; o fluxo de trabalho; as pessoas e suas habilidades profissionais; o sistema de recompensas; as métricas de avaliação; a distribuição das informações e também das tomadas de decisão. Munido dessas oito "alavancas da mudança", como se refere Shea, dificilmente, o gestor vai corroborar as estatísticas das mudanças fracassadas.

E-mail
Imprimir
PDF
23 May

Para especialista, xisto depende de infraestrutura

Responsável pelo principal levantamento sobre o potencial de reservas recuperáveis de gás de xisto do Brasil, de 6,4 trilhões de metros cúbicos, a Energy Information Administration (EIA), agência de energia do governo dos Estados Unidos, avalia que, para que o Brasil replique o modelo de sucesso de exploração americano, é preciso uma combinação de fatores, desde a oferta do recurso energético até a mão de obra qualificada e uma rede de distribuição extensa.

A reportagem é de Rodrigo Polito e publicada pelo jornal Valor, 23-05-2013.

"A indústria petrolífera dos Estados Unidos está bem estabelecida e tem acesso favorável a recursos energéticos, além de ter infraestrutura e tecnologia consolidadas", afirmou Michael Schall, diretor da Divisão de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis da EIA, que veio ao Brasil para participar hoje de um debate sobre gás natural não convencional, em evento promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), em comemoração ao Dia da Indústria, em 25 de maio.

Segundo Schall, a aplicação de subsídios governamentais pode ajudar a reduzir o custo e ampliar a rentabilidade na exploração e produção de gás de xisto. Ele, porém, ressaltou que há muitas outras questões para o desenvolvimento dessa atividade. A principal delas, na sua opinião, é o acesso a recursos logísticos. "Nos Estados Unidos, por exemplo, em muitos locais as rodovias não eram adequadas para suportar o tráfego em grande quantidade de caminhões pesados. Indústria e governo trabalharam juntos então para assegurar que uma melhoria nas rodovias fosse feita", disse.

Apesar de admitir que o baixo custo do gás de xisto é um fator de competitividade expressivo para a indústria química americana, o diretor da EIA é cuidadoso ao comentar sobre possíveis mudanças no cenário global desse setor.

"A vantagem competitiva da indústria química dos Estados Unidos, baseada em um custo mais baixo da matéria-prima, é significativa, mas não representa uma virada no tabuleiro para os principais produtores químicos do mundo", afirma. Para ele, países do Oriente Médio, Rússia, China e Índia continuam tendo vantagens no custo de matéria prima para a indústria química, em relação aos Estados Unidos.

O Brasil, porém, não tem a mesma condição. A indústria química nacional é baseada em nafta, que hoje possui grande desvantagem competitiva em comparação com o produto americano, diz Schall.

Com relação ao setor de biocombustíveis, Schall prevê uma maior relação de interdependência entre Brasil e Estados Unidos, nas áreas de produção, consumo e regulação. "Fatores relacionados ao clima, que resultam na oscilação da produção agrícola, têm influência nos preços dos biocombustíveis, o que estimulará o comércio bilateral", avalia.

O diretor da EIA acredita que a demanda por etanol de cana-de-açúcar e de biodiesel nos Estados Unidos vai crescer significativamente nos próximos anos, porque os dois combustíveis têm baixo nível de emissão de gases do efeito estufa e atendem às crescentes exigências regulatórias americanas.

E-mail
Imprimir
PDF
23 May

Vaticano admite sinais de fraude em seu banco

O Vaticano confirmou seis casos de suspeita de fraude em suas instituições financeiras em 2012. Numa atitude inédita, a Igreja decidiu ontem publicar seu primeiro relatório sobre as ações para combater a lavagem de dinheiro e a corrupção em seus bancos, algo que era considerado um tabu e negado pelos cardeais.

 A reportagem é de Jamil Chade e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 23-05-2013.

Fontes confirmaram ao Estado que a iniciativa faz parte do esforço do papa Francisco para garantir mais transparência e começar a mudar a imagem da Igreja.

Em um documento de dez páginas escrito por um advogado suíço - especialista em lavagem de dinheiro que atua hoje no Vaticano -, a Igreja admite que, no ano passado, identificou os casos de transações suspeitas no Instituto de Obras Religiosas, conhecido como Banco do Vaticano.

Dois deles já seguiram para investigações por procuradores. Outros três governos estrangeiros fizeram pedidos formais ao Vaticano para a abertura de uma colaboração para identificar transações que teriam saído de seus bancos e o destino teria sido a instituição financeira da Igreja.

Apesar do reconhecimento da existência dos casos suspeitos, o Vaticano rejeitou dar qualquer tipo de detalhe.

Ainda assim, a publicação da informação foi considerada por observadores em Roma como uma "pequena revolução", abrindo as portas da entidade que por séculos foi mantida em total sigilo.

Os dados ainda apontam que, no ano, 598 declarações de transações entre países estrangeiros e contas no Vaticano foram realizadas com valores acima de 10 mil. Outras 1,7 mil transferências do Vaticano para fora no valor de mais de 10 mil também foram feitas.

As informações são resultado de um trabalho que começou em 2012. Permeado por escândalos financeiros e pela revelação na imprensa de escândalos de corrupção dentro da Igreja, o então papa Bento XVI decidiu nomear o suíço René Bruelhart como diretor da Autoridade de Inteligência Financeira do Vaticano e solicitou uma varredura. O suíço ganhou reputação quando, em 2010, foi justamente contratado pelo governo do paraíso fiscal de Liechtenstein para reformar o sistema bancário e limpar a reputação do país, afetado por escândalos.

Decisão de expor parte de investigação foi tomada pelo papa

A decisão de tornar pública pelo menos parte da investigação das operações do Banco do Vaticano foi tomada diretamente pelo papa Francisco. Ontem, na apresentação do primeiro relatório, as autoridades da Igreja insistiam em apontar que essa era a prova de que a Santa Sé seria uma "parceira" na luta contra o crime financeiro.

"Os dados mostram que o sistema está melhorando e funciona", disse o advogado suíço Rene Bruelhart, contratado como diretor da Autoridade de Inteligência Financeira. "O Instituto de Obras Religiosas não é um banco comercial e o Vaticano não é um paraíso fiscal", insistiu.

Se a ação foi considerada histórica, Francisco ainda terá de convencer as autoridades europeias de que o Vaticano está disposto a colaborar.

Transparência

O Conselho da Europa, em 2012, fez duras críticas à falta de transparência do Vaticano em termos financeiros e à falta de um órgão independente que pudesse investigar casos de lavagem de dinheiro ou mesmo de financiamento de ações de terrorismo. Dos 16 critérios que o grupo tem para medir a transparência de um país, o Vaticano foi reprovado em 7 deles.

Os escândalos que envolvem o Banco do Vaticano não são novos e remontam aos anos 70, quando o Banco Ambrosiano, que pertencia a Igreja, quebrou.

Investigações em 2011 apontaram ainda para suspeitas de que o banco estaria sendo usado pelo crime organizado, e não apenas para manter as contas de congregações e departamentos no Vaticano.

O caso deixou o banco por meses sem um diretor. Entre os cardeais que também fazem parte do grupo que fiscaliza o banco, está o cardeal-arcebispo de São Paulo, o brasileiro d. Odilo Scherer.

E-mail
Imprimir
PDF
23 May

O boato do fim do Bolsa Família e a percepção popular

"Há um elemento pouco explorado nesta história do boato do fim do Bolsa Família. Trata-se da percepção popular a respeito das políticas públicas que conformam o lulismo. Em outras palavras, a corrida que gerou mais de 900 mil saques das contas do programa na CEF indica que há insegurança em relação à situação econômica do país. Interessante que tal percepção aparece aqui e acolá".

O comentário é de Rudá Ricci, sociólogo, e publicada no seu blog, 23-05-2013.

Ontem, a Country Ratings Pool divulgou os dados da pesquisa anual sobre percepção da imagem externa de 25 países.

A percepção sobre o Brasil melhorou levemente (de 45% para 46%) entre os 26 mil entrevistados que afirmaram que o Brasil tem imagem positiva. Mas houve aumento daqueles que indicaram imagem brasileira negativa, principalmente em relação às nossas dificuldades econômicas (de 18% para 21%).

Não chega a ser um desastre, mas uma tênue nuvem cinza. No mesmo caminho, a revista Forbes, que acaba de indicar a presidente Dilma Rousseff como a segunda mulher mais poderosa do planeta, ressalva que ela tem a "tarefa de levar o país adiante após dois anos com as taxas de crescimento mais lentas em mais de uma década".

Novamente, a Forbes explicita uma percepção com sinais trocados: embora tenha poder, sua perfomance na área econômica gera desconforto.

Um boato tem que ser crível ou será motivo de chacota ou descaso. Algo como "onde há fumaça, há fogo". Se a fumaça sair de um pequeno cinzeiro, será difícil alguém, em sã consciência, acreditar que se trata do início do incêndio de todo um quarteirão ou o surgimento de um novo Nero.

E-mail
Imprimir
PDF
23 May

Pragas já resistem ao milho transgênico

As vendas de pesticidas estão crescendo nos Estados Unidos após anos de declínio à medida que o cultivo do milho aumenta e uma modificação genética concebida para protegê-lo das pragas começa a perder o efeito.

A reportagem é de Ian Berry, publicada pelo The Wall Street Journal e reproduzida pelo jornal Valor, 23-05-2013.

As vendas estão beneficiando fabricantes de pesticidas como American Vanguard Corp. e Syngenta AG. Mas organizações de defesa do meio-ambiente e alguns cientistas estão preocupados com o fato de que um dos benefícios mais alardeados do milho transgênico - que ele reduz a necessidade do controle de pragas - está se esgotando. Ao mesmo tempo, o ressurgimento dos pesticidas poderia trazer riscos tanto para agricultores quanto para insetos que são benéficos para a lavoura.

Até recentemente, grande parte dos produtores de milho nos EUA havia abandonado os pesticidas de solo graças principalmente à adoção generalizada de uma modificação genética, desenvolvida pela Monsanto Co., que faz as sementes do milho gerar suas próprias toxinas contra as pragas - mas que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (ou EPA, na sigla em inglês) afirma não ser nociva aos seres humanos.

As sementes modificadas foram introduzidas pela primeira vez em 2003 e se mostraram altamente eficientes contra a diabrotica speciosa, a larva de um besouro voraz também conhecida como larva-alfinete, que é o pior inimigo dos produtores de milho do país. Hoje, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, dois terços de todo o milho cultivado inclui um gene contra essa larva chamado Bt.

À medida que mais agricultores adotavam a semente modificada, a proporção da área plantada com milho que era tratada com inseticida caiu para 9% em 2010, ano mais recente para o qual há dados disponíveis, comparado com 25% em 2005, segundo o Departamento de Agricultura. E os produtores que continuaram a usar inseticida fizeram menos pulverizações em 2010, segundo os dados.

Em 2011, no entanto, entomologistas da Universidade do Estado de Iowa e da Universidade de Illinois começaram a identificar larvas que eram imunes ao gene da Monsanto e descobriram que essas pragas resistentes haviam se espalhado pelo chamado Centro-Oeste. Agora, muitos produtores já concluíram que precisam aplicar pesticidas no solo para matar as larvas que se tornaram resistentes ao Bt, assim como uma crescente população de outras pragas.

Scott Greenlee, que cultiva 688 hectares em Iowa, disse que pretende começar a usar inseticidas este ano depois que as larvas destruíram parte de sua lavoura em 2012. Greenlee, que havia plantado o chamado milho Bt, da Monsanto, disse que a área afetada produziu somente cerca de 120 a 150 bushels por hectare, perto de um terço da produção normal.

Outro fator que está impulsionando o uso de pesticidas é o aumento da área plantada com milho, resultado dos altos preços do grão hoje, cerca do dobro dos seus níveis históricos. Os agricultores americanos plantaram 39,3 milhões de hectares de milho no ano passado, a maior área desde os anos 30, comparado com 30,6 milhões em 2001.

O governo americano não mede o uso de pesticidas anualmente, mas a American Vanguard e a FMC Corp., dos EUA, e a suíça Syngenta, que respondem por mais de três quartos do mercado americano de pesticidas de solo, divulgaram vendas maiores em 2012 e no começo de 2013.

A Syngenta, um dos maiores fabricantes de pesticidas do mundo, informou que as vendas de seu principal inseticida para o milho mais do que dobrou em 2012. O diretor financeiro, John Ramsay, atribuiu o crescimento à "consciência maior do produtor" sobre a resistência da larva nos EUA. As vendas de inseticidas da Syngenta subiram 5% no primeiro trimestre, para US$ 480 milhões.

A American Vanguard comprou uma série de tecnologias e empresas de inseticidas durante os últimos dez anos, apostando que a demanda por pesticida voltaria quando o Bt começasse a perder a eficácia. Essa aposta deu resultado nos últimos anos.

A empresa, que tem sede na Califórnia, divulgou que seu faturamento com inseticidas de solo saltou 50% em 2012 e seu lucro, 70%. Suas vendas de inseticidas subiram 41% no primeiro trimestre, para US$ 79 milhões, crescimento que foi alimentado pelo pesticida do milho.

Já a FMC, de Filadélfia, registrou um aumento de 9% nas vendas do primeiro trimestre no seu segmento agrícola, que inclui inseticidas e herbicidas, depois de ter tido um salto de 20% no quarto trimestre.

"O setor inteiro está vendo um ressurgimento", disse Aaron Locker, diretor de marketing da FMC, que tem uma receita anual de mais de US$ 3 bilhões.

No Brasil, as vendas de defensivos agrícolas em geral vêm crescendo na esteira do aumento da produção. Para o milho, em particular, as vendas no ano passado subiram 23,5% em relação a 2011, para US$ 915 milhões, segundo dados do Sindag.

Embora já tenham sido identificados alguns focos de resistência da larva no Brasil, o fenômeno ainda não atingiu a mesma proporção que nos EUA porque o milho Bt foi introduzido mais tarde no país, em 2008, diz Flavio Hirata, da consultoria de agronegócio Allier Brasil.

"Quanto mais você usa [o transgênico], mais você propicia o desenvolvimento da resistência", diz Hirata, que calcula que 80% das lavouras de milho do país usam hoje sementes transgênicas.

A Monsanto - que foi a primeira, dez anos atrás, a vender um milho resistente à larva do milho e licenciou o gene Bt para outros fabricantes de sementes - informou que continua recomendando aos produtores que façam o revezamento do milho com outras lavouras, como a soja, para "romper o ciclo da larva". A empresa americana também afirmou que ela e outros fabricantes estão vendendo sementes com mais de um fator de resistência às pragas e que está substituindo as sementes Bt convencionais pela versão com múltiplos fatores.

A empresa afirmou ainda que está desenvolvendo uma tecnologia para combater a larva do milho e que espera colocá-la no mercado até o fim da década.

Mas alguns cientistas dizem que a resistência poderia ser um problema persistente. A EPA já alertou que as larvas que desen-volveram resistência às primeiras sementes transgênicas da Monsanto provavelmente vão também se tornar resistentes a outros fatores. Consultores agrícolas e pesquisadores dizem que a população de outras pragas além da larva-alfinete aumentou em muitas regiões nos EUA porque os agricultores estão plantando milho todo ano e porque alguns pararam totalmente de usar pesticidas quando adotaram o milho da Monsanto, mesmo que ele não tenha sido feito para matar outras pragas.

"Quando os híbridos com Bt foram lançados, uma vantagem foi a diminuição dos inseticidas para o solo", diz Michel Gray, entomologista da Universidade de Illinois. "Mas alguns desses ganhos estão sendo rapidamente revertidos."

E-mail
Imprimir
PDF

Blog

Mais Lidos

Enquete

Proposta de emenda constitucional dá ao Congresso poder de rever decisões do Supremo Tribunal Federal

 
 
 
 
 

 

Cadastre-se

Quero receber:


Refresh Captcha Repita o código acima:
 

Twitter @_IHU

Novos Comentários

"O lindo nessa imagem são os protagonistas da ação: coleta das folhas do chá.

Atividad..." Em resposta a: Foto do dia
"Toda prática criminosa tem um elemento físico/causal e um elemento subjetivo. A redução da maior..." Em resposta a: Bento XVI discute a portas fechadas teoria da evolução
"Uma religião q n olha para os mais desamparados,buscando melhorar sua condição de vida,é uma rel..." Em resposta a: O absoluto é Deus, e o coabsoluto são os pobres. Entrevista especial com Jon Sobrino

Conecte-se com o IHU no Facebook

Siga-nos no Twitter

Escreva para o IHU

Adicione o IHU ao seus Favoritos e volte mais vezes