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29 Aug

Sábios muçulmanos condenam o Estado Islâmico por “violar a sharia”

A União Internacional dos Sábios Muçulmanos, dirigida pelo influente pregador Youssef al-Qaradawi (foto), do Catar, disse, na quarta-feira, 27 de agosto, que as ações do Estado Islâmico violam a sharia. A União Internacional dos Sábios Muçulmanos acredita que o grupo jihadista comete “um ato criminoso” e “viola a sharia” na Síria e no Iraque.

 
Fonte: http://bit.ly/1vSKIMe  

A reportagem é por Fait Religieux, 28-08-2014. A tradução é de André Langer.

"O assassinato de inocentes, muçulmanos ou não-muçulmanos, por alguns grupos como o Estado Islâmico e sob o pretexto de considerações religiosas repugnantes é um crime e viola a sharia”, indica esse grupo em um comunicado publicado em Doha, onde mora Youssef Al Qaradawi.

"A União Internacional proíbe categoricamente tais ações cometidas por grupos desviantes", acrescenta o texto do pregador controverso de origem egípcia considerado como a eminência parda da Irmandade Muçulmana.

A ONU acusou, na segunda-feira, dia 25 de agosto, de "limpeza étnica e religiosa" o Estado Islâmico, conhecido por suas atrocidades e suas opiniões radicais, e exortou a comunidade internacional para não deixar que esses crimes fiquem impunes.

O xeique Qaradawi afirmou em julho que o estabelecimento de um califado pelo Estado Islâmico que abrange o Iraque e a Síria não era conforme a sharia.

O Estado Islâmico, um ramo da Al-Qaeda que adquiriu uma reputação de extrema brutalidade, reivindicou, no dia 19 de agosto, a decapitação do jornalista americano James Foley e ameaçou matar outro em retaliação a ataques aéreos americanos no Iraque.

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29 Aug

“Não há uma comprovação das causas do aumento de casos de depressão observado nas últimas décadas”. Entrevista especial com Miguel Roberto Jorge

“Não se pode interpretar diretamente que os suicídios sempre representem mortes relacionadas à depressão na medida em que se estima que cerca de 50% dos suicídios estão relacionados à depressão e o restante a outras causas”, adverte o psiquiatra.

Foto: www.adalagoas.com.br

Os dados divulgados pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde – DATASUS, indicando que o número de mortes relacionadas com depressão cresceu 705% nos últimos 16 anos, reiteram que “a depressão já é considerada um problema de saúde pública em todo o mundo tanto pela frequência com que se manifesta entre as pessoas como pela incapacidade que nelas provoca”, pontua Miguel Roberto Jorge, na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por e-mail. Apesar do número de mortes ser surpreendente, o psicanalista esclarece que ainda não há “uma comprovação das causas do aumento de casos de depressão observado nas últimas décadas”.

Segundo ele, “diversos fatores são citados como contribuintes para este aumento, dentre os quais se destacam: o fato de que hoje em dia se fala mais abertamente de doenças mentais, pessoas com depressão procuram mais os serviços de saúde, os profissionais de saúde estão mais atentos para identificar os sintomas da depressão, as pessoas vivem mais estressadas e submetidas a maior competição em grandes centros urbanos, há individualismo, as mulheres estão mais sobrecarregadas por dupla jornada de trabalho (familiar e profissional) e frente a ideais de beleza feminina, há mais abuso de substâncias psicoativas, maior instabilidade política e econômica. Observa-se mais frequentemente a dissociação dos núcleos familiares e menor tempo de convivência entre pais e filhos, menos religiosidade e crença em vida após a morte, e até mesmo o maior consumo de produtos industrializados que podem conter neurotoxinas são suspeitos de se relacionarem com depressão”.

Miguel Roberto Jorge pontua ainda que apesar de a situação em relação às doenças mentais ter melhorado nas últimas décadas, “o estigma” em torno delas “ainda contribui para a dificuldade de acesso das pessoas afetadas aos serviços de saúde. As pessoas ainda se preocupam em não serem tomadas por ‘loucas’”. A depressão está entre as doenças mais estudadas nas últimas décadas pela medicina e pela psiquiatria, na tentativa de encontrar tratamentos mais seguros e eficazes, contudo, “muito progresso foi feito no que diz respeito aos tratamentos, mas o diagnóstico ainda se baseia quase exclusivamente em seus sintomas, com base em critérios confiáveis, mas não validados, e sua etiologia ainda não foi elucidada”, pondera.

Miguel Roberto Jorge é Professor Associado do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, onde formou-se em Medicina e completou a Residência Médica em Psiquiatria. Doutorou-se em Psicofarmacologia pela EPM e cursou pós-doutorado no Western Psychiatric Institute and Clinic da Universidade de Pittsburgh, EUA. É membro do "Panel of Experts" em Psiquiatria, Saúde Mental e Abuso de Substâncias da Organização Mundial da Saúde desde 1994. Ocupou a Diretoria de Relações Internacionais da Associação Médica Brasileira no período 2008-2014.

Foto: www.bv.fapesp.br

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Segundo dados do Datasus, em 16 anos o número de mortes relacionadas à depressão cresceu 705%. Como o senhor interpreta esse dado e o que ele significa?

Miguel Roberto Jorge - Não se pode interpretar diretamente que os suicídios sempre representem mortes relacionadas à depressão na medida em que se estima que cerca de 50% dos suicídios estão relacionados à depressão e o restante a outras causas. Por exemplo, em termos de doenças mentais, além de depressão grave, estão associados com suicídio o transtorno bipolar, a esquizofrenia, o transtorno de personalidade borderline, a anorexia nervosa, o alcoolismo e o abuso de drogas.

IHU On-Line - É possível vislumbrar as razões do aumento da depressão na população, especialmente nos grandes centros, como o senhor evidencia?

Miguel Roberto Jorge - Não temos ainda uma comprovação das causas do aumento de casos de depressão observado nas últimas décadas. Diversos fatores são citados como contribuintes para este aumento, dentre os quais se destacam: o fato de que hoje em dia se fala mais abertamente de doenças mentais, pessoas com depressão procuram mais os serviços de saúde, os profissionais de saúde estão mais atentos para identificar os sintomas da depressão, as pessoas vivem mais estressadas e submetidas a maior competição em grandes centros urbanos, há individualismo, as mulheres estão mais sobrecarregadas por dupla jornada de trabalho (familiar e profissional) e frente a ideais de beleza feminina, há mais abuso de substâncias psicoativas, maior instabilidade política e econômica. Observa-se mais frequentemente a dissociação dos núcleos familiares e menor tempo de convivência entre pais e filhos, menos religiosidade e crença em vida após a morte, e até mesmo o maior consumo de produtos industrializados que podem conter neurotoxinas são suspeitos de se relacionarem com depressão.

IHU On-Line - O senhor menciona que hoje, como o assunto é mais discutido e há mais procura por parte dos pacientes, é possível diagnosticar mais casos de depressão do que antigamente. Nesse sentido, houve alguma mudança em relação ao diagnóstico feito hoje com o de 16 anos atrás? Trata-se simplesmente de uma maior procura por parte dos pacientes, ou há outras causas relacionadas à depressão e ao diagnóstico da doença?

Miguel Roberto Jorge - Os sintomas de depressão não se modificaram de forma significativa nas últimas décadas, ainda que, hoje em dia, estamos mais capacitados para identificar casos que não sejam típicos. O conhecimento sobre os sintomas, as causas e fatores de risco para a depressão estão mais disseminados não apenas entre os profissionais de saúde, mas também na população em geral, o que contribui enormemente para mais identificação de casos da doença.

IHU On-Line - Como os pacientes lidam com a doença hoje comparando com 16 anos atrás? É mais fácil identificar a doença e procurar ajuda nos dias de hoje, ou de modo geral os pacientes ainda encontram dificuldades para identificar os sintomas e buscarem ajuda médica?

Miguel Roberto Jorge - Ainda que a situação tenha melhorado muito nas últimas décadas, o estigma em relação às doenças mentais ainda contribui para a dificuldade de acesso das pessoas afetadas aos serviços de saúde. As pessoas ainda se preocupam em não serem tomadas por “loucas”.

"Muito haveria o que falar sobre a relação entre depressão e cultura, mas em síntese há um consenso entre especialistas de que a cultura molda a apresentação dos sintomas"

IHU On-Line - Como é feito o diagnóstico da depressão? Essa doença se confunde com outras, por exemplo, por ter uma série de sintomas parecidos?

Miguel Roberto Jorge - O diagnóstico de depressão é realizado fundamentalmente através do reconhecimento dos seus sintomas. Os mais importantes são o humor deprimido e a perda de interesse ou prazer em atividades que anteriormente eram prazerosas para o indivíduo.

Não há necessidade de se apresentar os dois, mas pelo menos um deles é necessário juntamente com alguns outros sintomas acessórios como mudanças no apetite ou no peso, distúrbio do sono, agitação ou lentificação motora, fadiga ou perda de energia, sentimentos de inutilidade ou de culpa, dificuldade de raciocínio, de concentração e em tomar decisões, pensamentos de morte e suicídio ou tentativa de suicídio, estes últimos presentes apenas em casos mais graves de depressão. Há necessidade de os sintomas estarem presentes por pelo menos duas semanas e provocarem uma mudança (para pior) no funcionamento do indivíduo. A existência de uma causa identificada para a depressão — como uma doença física grave ou uma perda importante — deve ser considerada, mas de forma alguma compreender a depressão afasta a necessidade de tratamento.

IHU On-Line - Quais são as respostas da psiquiatria à depressão, que parece ser o mal do século? Como esse tema tem sido tratado na área?

Miguel Roberto Jorge - A depressão, assim como as doenças mentais em geral, tem sido objeto de muito estudo nas últimas décadas, tanto do ponto de vista de se identificarem suas causas como dos tratamentos mais seguros e eficazes. Muito progresso foi feito no que diz respeito aos tratamentos, mas o diagnóstico ainda se baseia quase exclusivamente em seus sintomas, com base em critérios confiáveis, mas não validados, e sua etiologia ainda não foi elucidada.

IHU On-Line - Como a depressão tem sido tratada?

Miguel Roberto Jorge - O tratamento mais eficaz da depressão, cientificamente validado por pesquisas, é aquele que associa a administração de medicamentos antidepressivos com uma abordagem psicossocial, particularmente a psicoterapia.

IHU On-Line - O tratamento da depressão causa dependência química? Nesse sentido, quais são e como o senhor avalia os tratamentos oferecidos hoje em dia? É eficaz utilizar instrumentos padronizados para tratar uma doença como essa?

Miguel Roberto Jorge - Os antidepressivos não são medicamentos que causam dependência química. Em relação ao uso de instrumentos padronizados para diagnosticar a depressão, tais instrumentos sistematizam a pesquisa dos critérios definidos para identificar-se a doença, mas, a meu ver, não suplantam a experiência de um bom clínico ao considerar a presença e relevância dos sintomas apresentados pelos pacientes.

IHU On-Line - É possível estabelecer alguma relação entre o aumento de mortes por depressão e o aumento do suicídio no país que, segundo o Mapa da Violência, aumentou 62,5% entre 1980 e 2012?

Miguel Roberto Jorge - Na medida em que se estima que metade dos suicídios se deve à depressão, o aumento de casos de depressão explica pelo menos parcialmente o aumento observado no número de suicídios.

"Os critérios diagnósticos ora prevalentes em todo o mundo são baseados em padrões ocidentais de comportamento que influenciam a identificação de casos e, consequentemente, a frequência da doença em diferentes populações"

IHU On-Line - No caso de mortes relacionadas à depressão, os maiores índices estão concentrados em pessoas com mais de 60 anos e depois dos 80 anos, segundo os dados do Datasus. O que essa faixa etária evidencia?

Miguel Roberto Jorge - Antigamente observava-se um pico na frequência de suicídio entre pessoas mais idosas. Nos últimos anos, outro pico se acrescentou na faixa etária correspondente à adolescência. Como a expectativa de vida tem crescido nas últimas décadas, mais pessoas têm se tornado idosas e apresentado doenças próprias desta faixa etária, em geral crônicas e incuráveis, doenças estas que se relacionam com um sentimento de desesperança que podem explicar boa parte dos suicídios observados nesta faixa etária. Já na adolescência, há indícios de que um dos fatores importantes para os suicídios observados relaciona-se ao abuso de drogas.

IHU On-Line - Em que consiste uma análise transcultural da depressão? Nesse sentido, há diferenças nos casos de depressão no Brasil e em outros países do mundo?

Miguel Roberto Jorge - Muito haveria o que falar sobre a relação entre depressão e cultura, mas em síntese há um consenso entre especialistas de que a cultura molda a apresentação dos sintomas — por exemplo, a depressão em populações de países anglo-saxões se manifesta mais através de sintomas de natureza psicológica, enquanto em países latino-americanos e não ocidentais através de sintomas físicos — e que os critérios diagnósticos ora prevalentes em todo o mundo são baseados em padrões ocidentais de comportamento que influenciam a identificação de casos e, consequentemente, a frequência da doença em diferentes populações.

IHU On-Line - A depressão já é entendida como um problema de saúde pública? Nesse sentido, quais os principais desafios para tratar a doença?

Miguel Roberto Jorge - A depressão já é considerada um problema de saúde pública em todo o mundo tanto pela frequência com que se manifesta entre as pessoas como pela incapacidade que nelas provoca.

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28 Aug

Frases do dia

Fórmula - 1

“A situação do mineiro é parecida com a de um piloto de Fórmula-1 que vai bem nos treinos, mas sofre um problema inesperado e começa a corrida quase sem chances de vitória. Em 1988, Ayrton Senna deixou o motor morrer na largada do GP do Japão, que decidiria o título, e caiu do 1º para o 14º lugar. Numa atuação épica, voou sobre as zebras, foi para cima dos adversários e ganhou a prova. Dois detalhes atrapalham a comparação. Aécio não demonstra o arrojo de Senna, e o PSDB, assim como a McLaren, não é mais o mesmo” – Bernardo Mello Franco, jornalista – Folha de S. Paulo, 28-08-2014.

Agronegócio

“Depois de Aécio Neves (PSDB) confirmar Armínio Fraga como seu nome para a Fazenda, Marina Silva (PSB) se esforça para adiantar o nome para a Agricultura. Ela se (re)aproxima de Roberto Rodrigues, com quem já se bicou nos tempos de Lula” – Carolina Bahia, jornalista – Zero Hora, 28-08-2014.

Nicho sem ídolo

“A volta de Vargas em 1951 foi um caso raro de ditador que retoma legalmente o poder, de certa forma legitimando retroativamente o seu governo de exceção. Mas o Getúlio foi uma caso raro em todos os sentido. Surpreendia que tantas contradições coubessem numa figura tão pequena. Foi um produto da oligarquia rural responsável pela legislação social mais avançada da sua época e líder de um Estado filofascista na origem que se aliou rapidamente à guerra ao fascismo. Nada representa suas contradições, ou a sua esperteza política, melhor do que o que se dizia dele durante seu apogeu, que era o pai dos pobres e a mãe dos ricos. Também podia agradar à esquerda e à direita ao mesmo tempo. A campanha para a sua volta do exílio foi feita em cima de uma marchinha nostálgica que pedia para botarem o retrato do baixinho na parede outra vez. O fim do Estado Novo tinha deixado um branco insuportável nas paredes da nação. Um nicho sem ídolo” – Luís Fernando Verissimo, escritor – Zero Hora, 28-08-2014.

Pijama

“Sempre me intrigou o fato de o Getúlio ter vestido um pijama para se matar. Não era exatamente um traje adequado para deixar a vida e entrar na História tão dramaticamente. Talvez fosse apenas outra contradição: um símbolo de cálida domesticidade e velhos hábitos prestes a ser furado por uma bala no coração. Vá entender” – Luís Fernando Verissimo, escritor – Zero Hora, 28-08-2014.

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28 Aug

Tuitadas

Cristovam Buarque ‏@Sen_Cristovam
Marina é uma candidata sem partido, exatamente o que deseja o eleitor cansado dos partidos.Ela não é PSB e o Rede não existe.

Idelber Avelar ‏@iavelar
Meu momento favorito do debate foi freudiano. Aécio Neves tascou a frase: "os programas sociais serão mentidos". O inconsciente não perdoa.

Anarquista Verde ‏@NaTransversal
A galera acha que sendo antropólogo ligado à questão indígena automaticamente é ambientalista e não é bem assim

Anarquista Verde ‏@NaTransversal
Dizer que Ecossocialismo é só socialismo diz muito sobre o grau de completa ignorância das pessoas sobre o assunto

Anarquista Verde ‏@NaTransversal
Galera faz um malabarismo fudido pra desqualificar a esquerda e evitar falar de André Lara Rezenda,Gianetti e neo liberalismo,né Marinistas?

Anarquista Verde ‏@NaTransversal
Se Ecosocialismo é a mesma conversa fiada de capitalismo verde: é só socialismo, como esse é só capitalismo. Marina faz econeoliberalismo

Cecília Olliveira ‏@Cecillia
Dilma é muito "popular" no Rio. Apoia Pezão, Lindbergh e agora até Garotinho. http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/08/1506625-fiscais-do-tre-acompanham-visita-de-dilma-a-restaurante-popular.shtml … Definitivamente, Rio não é pra amadores

Vito Mancuso ‏@VitoMancuso
Il 28 agosto 1749 a Francoforte nasceva Goethe. La sua memoria dentro di me è accanto a quella di Sant'Agostino di cui oggi è la festa.

ANSA Brasil ‏@ansa_br
#PapaFrancisco toma chimarrão na Audiência Geral. Veja galeria: http://bit.ly/1sDWI1P  

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28 Aug

Evangélicos turbinam projeto da 'terceira via' com Marina

Se o 2.º turno da eleição fosse nesta quinta-feira, Marina Silva (PSB) seria eleita presidente graças, sobretudo, ao voto dos eleitores evangélicos. É o que revela a pesquisa Ibope divulgada pelo Estado.

A reportagem é de José Roberto de Toledo e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 28-08-2014.

Há empate técnico entre Marina e Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, entre os católicos: 42% a 40%, respectivamente, na simulação de 2.º turno. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro. Ou seja, apesar de serem o maior contingente do eleitorado (63%), os católicos teriam impacto quase insignificante no resultado da eleição, pois dilmistas católicos anulariam marinistas da mesma fé.

O voto decisivo seria dos evangélicos. Com 22% do eleitorado, eles têm praticamente o dobro de preferência por Marina. Na média, 53% dos eleitores pentecostais, de missão e de outras denominações evangélicas declaram voto na candidata do PSB, ante apenas 27% que dizem preferir a atual presidente.

Os 15% de eleitores que não são católicos nem evangélicos (ateus, agnósticos, outras religiões) também pendem mais para o lado de Marina. Mas, além de terem um peso menor, a distância que separa Dilma da sua principal adversária é menor entre eles: 27% a 45%. É um grupo heterogêneo e, entre eles, não há líderes com a influência de pastores e bispos entre os evangélicos.

Não é novidade a preferência do eleitorado evangélico por Marina. Em 2010, Dilma não venceu no 1.º turno por causa de campanha movida por pastores e seguida por padres. O motivo: a hipotética defesa da legalização do aborto pela petista. A maior parte dos eleitores que abandonaram Dilma migrou para Marina, dobrando seu eleitorado na reta final.

Dilma negou defender o aborto, mas não adiantou. Só foi recuperar parte dos eleitores evangélicos quando se revelou que a mulher de seu adversário no 2.º turno, José Serra (PSDB), fizera um aborto quando jovem.

O eleitor evangélico sempre desconfiou da presidente. Em maio, uma nova onda tomou a internet quando o governo Dilma regulamentou a execução de abortos autorizados pela lei (casos de estupro, por exemplo) na rede de hospitais públicos do SUS. A reação foi tão grande que o governo voltou atrás.

A intenção de voto em Dilma entre os evangélicos cai desde então. Era 39% em maio, é 27% agora. Entre os católicos, no mesmo período, a intenção de voto na presidente oscilou muito menos, de 42% para 39%.

Já a entrada de Marina na corrida eleitoral provocou uma revolução no eleitorado evangélico. No começo de agosto, Eduardo Campos, então candidato do PSB, tinha 8% de intenções de voto entre eleitores dessa fé - a mesma taxa do Pastor Everaldo (PSC). Marina já entrou com 37%, abrindo uma vantagem de 10 pontos sobre Dilma.

O impacto foi tão grande que pulverizou as intenções de voto no até então mais notável candidato evangélico. O pastor caiu de 3% para 1% no eleitorado total, e de 8% para 3% entre evangélicos. Everaldo é líder religioso e tem o apoio de outros pastores, como Silas Malafaia.

Em nenhum outro segmento do eleitorado Marina tem uma vantagem tão grande sobre Dilma do que entre os evangélicos. Nem entre os jovens, nem no Sudeste, nem entre os mais escolarizados, nem entre os mais ricos. Isso não significa que a maioria dos eleitores de Marina seja evangélica - tem 56% de católicos. Mas Marina está abaixo da média nesse segmento, e fica sete pontos acima entre os evangélicos.

A candidata do PSB trocou a Igreja Católica pela Assembleia de Deus em 1997. Ela costuma evitar a mistura religião e política no seu discurso, mas às vezes derrapa. Questionada no Jornal Nacional sobre seu fraco desempenho eleitoral no Estado de origem, o Acre, Marina disse: “Ninguém é profeta em sua própria terra”.

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