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24 Feb

Comunhão para divorciados e recasados? Bispos africanos têm outras preocupações, diz cardeal

Um importante cardeal africano diz que os bispos de seu continente querem que o Sínodo dos Bispos 2015 se centre no fortalecimento da Igreja junto às boas famílias antes de se pôr a decidir sobre outros assuntos tais como o debate contencioso relativo à participação na Comunhão de católicos divorciados e recasados no civil.

A reportagem foi publicada por CNA/EWTN News, 19-02-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O Cardeal Wilfrid Napier, de Durban (África do Sul), esteve em Roma na semana passada para um encontro dos bispos africanos – conhecido como Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar (ou simplesmente SECAM, na sigla em inglês) – com o Papa Francisco.

Numa entrevista dada em 13 de fevereiro deste ano, ele contou à agência noticiosa Catholic News Agency que havia se reunido com um grupo de cardeais na noite anterior para discutir quais assuntos devem ser trazidos em outubro, quando o Sínodo dos Bispos sobre a família se reunirá em Roma.

“E a primeira coisa que dissemos foi: temos de realçar que nós temos bons casamentos, que temos boas famílias; em primeiro lugar, vamos ser positivos”, disse.

“Em segundo lugar, como podemos garantir que a próxima geração também terá boas famílias e bons casamentos? Então, a preparação e o acompanhamento são duas coisas em que, realmente, precisamos nos concentrar”.

Os comentários do Cardeal Napier destacando as boas famílias – e a preparação de boas famílias no futuro – foram suas respostas a uma pergunta sobre uma suposta abertura por parte de um outro bispo africano no sentido de se admitir que divorciados e recasados participem na Comunhão.

No dia 11 de fevereiro deste ano, John Allen, do sítio Crux, escreveu que o arcebispo de Accra (Gana), Dom Gabriel Palmer-Buckle disse “estar aberto a que católicos divorciados e casados novamente no civil recebam a Comunhão, desfazendo a impressão de uma posição africana uniformemente hostil a alguma mudança nesse sentido”.

Allen não citou Dom Gabriel Palmer-Buckle, mas escreveu que o prelado disse estar disposto a “votar sim” na “proposta de Kasper”.

Esta ideia remonta ao Cardeal Emérito Walter Kasper, quem sugeriu que a Comunhão possa ser dada em certos casos aos que se divorciaram e, posteriormente, se casaram novamente sem ter obtido um decreto de nulidade do primeiro casamento.

Após discutir a necessidade de se fortalecer as famílias hoje e no futuro, o Cardeal Napier voltou-se diretamente à questão dos comentários feitos pelo arcebispo ganês Dom Gabriel Palmer-Buckle:

“(…) Um dos cardeais teve a sensibilidade de chamar o prelado em questão (Dom Gabriel Palmer-Buckle), e dizer: ‘Olha, em situações como esta, é preciso avaliarmos caso a caso, não se pode fazer uma declaração geral de que podemos dar a Comunhão a pessoas que são divorciadas e recasadas, e assim por diante”.

“Assim, esta foi uma das coisas que consideramos como um problema que precisa ser encarado”, disse o Cardeal Napier.

“Tenho certeza de que este assunto vai vir à tona de novo, mas nós gostaríamos, enquanto grupo de líderes eclesiásticos africanos, de não deixar de lado estas questões, estes problemas, sem olhar, primeiro, as coisas boas que existem, e ver como podemos fortalecer a Igreja através dos bons casamentos e das boas famílias”.

Dom Gabriel Palmer-Buckle foi eleito pela conferência episcopal ganesa para ser o seu delegado no Sínodo 2015 sobre a família, que terá como base o Sínodo dos Bispos do ano passado.

Esta mesma conferência episcopal adotou um manifesto, no dia 15 de novembro de 2014, durante a conclusão de sua assembleia plenária, que chamou a atenção para o “ensinamento perene e imutável da Igreja sobre a família” e que “Deus determinou que o matrimônio fosse indissolúvel como afirmou Jesus: ‘Portanto, aquilo que Deus uniu o homem não separe’”.

No mesmo texto, os bispos ganeses – inclusive Dom Gabriel Palmer-Buckle – afirmaram que “a Igreja vai também continuar a ensinar que o divórcio não é permitido pela Igreja porque ele separa o que Deus uniu”.

“Ela [a Igreja] sofre com aqueles que não são admitidos à Comunhão devido ao seu estado civil e irá continuar em sua caminhada com eles na fé incentivando-os a não desanimarem”.

Após este manifesto dos bispos ganeses sobre o matrimônio no ano passado, os bispos de todo o continente voltam o olhar para o encontro de outubro deste ano em Roma.

Quando perguntado sobre a preparação dos bispos africanos para o Sínodo 2015, o Cardeal Napier disse que as conferências episcopais já analisaram o questionário elaborado pelo Sínodo dos Bispos.

“Seguindo o meu conselho, os bispos decidiram simplificar o questionário e focar em torno de cinco áreas que apareceram no documento final”.

A primeira delas é “a questão-chave da preparação e o acompanhamento do matrimônio”.

Ao fazer alusão à “Familiaris consortio,” exortação apostólica de São João Paulo II que concluiu o Sínodo dos Bispos sobre a família em 1980, o cardeal disse: “Não estamos apenas falando sobre a preparação para o dia do casamento, mas todo um programa catequético a partir do momento da Confirmação até o casamento”.

“E então um acompanhamento nos quatro (ou cinco) primeiros anos: tendo casais da paróquia acompanhando os recém-casados”.

O segundo conjunto de questões que os bispos africanos irão perguntar envolve o ministério “quando um casamento se rompe”, e uma terceira área de preocupação é a coabitação, observou o cardeal. “Muitos casais estão vivendo juntos antes de darem um passo adiante. O que faz com que estas pessoas ajam assim? Que diferença faz o casamento para elas? Precisamos encontrar uma resposta para todas estas interrogações”.

“A quarta área é: quando um casamento de desfaz, quão acessível são os tribunais aos fiéis para se investigar se ele – o casamento – foi válido e, então, declará-lo nulo e sem efeito, se for o caso?”

A quinta área “são as situações extraordinárias em que algumas famílias têm de viver”, tais como as de monoparentalidade e famílias chefiadas por crianças.

O Cardeal Napier também disse ser “absolutamente” importante que os fiéis rezem pelo Sínodo e pelos bispos que nele estarão participando.

Em particular, mencionou uma novena de adoração eucarística organizada por Christine McCarthy e Diane Montagna, da ONG Eucharistic Adoration Society. Quando os organizadores lhe contaram sobre a iniciativa, ele a apresentou ao Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar – SECAM “e imediatamente ela [a iniciativa] foi pauta de uma reunião do Comitê Permanente e, segundo me contaram, o arcebispo de Accra, em Gana, disse que a ideia será imediatamente implementada em minha diocese”.

O Cardeal Napier acrescentou que orações para os padres sinodais vão ser, realmente, importantes: “Eu nunca tive esta experiência de oração como sendo um apoio que podemos sentir, como quando nós tínhamos aquele programa em curso antes do [último] conclave chamado ‘Adote um Cardeal’; ah, era fantástico, receber um SMS ou tuíte de alguém dizendo: ‘Incluí o seu nome em minhas orações, estou rezando pelo senhor, quero que saiba disso’. Com certeza, eu sentia que estávamos sendo apoiados pelas orações.

“E eu acho que para este Sínodo, especialmente porque ele é sobre um tema vital como a família e o matrimônio, nós precisamos de tantas orações quanto possível; e esta ideia de Adoração Eucarística é uma das melhores ideias, creio eu”.

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24 Feb

Do Uruguai. O Podemos e nós

“A nossa esquerda, que desde o golpe de Estado até o momento provavelmente nunca foi uma opção real de poder, tem diante de si muito para aprender e crescer. Particularmente, no plano da comunicação de massas e na disputa pelos imaginários, terreno no qual a experiência do Podemos pode ajudar. Somos uma esquerda rápida para os adjetivos e as desqualificações (que são reformistas, que estão correndo para o centro); mais útil, porém, é a compreensão do fenômeno em sua complexidade. Necessitam-se menos fórmulas herdadas e mais análises sobre as atuais coordenadas históricas tanto materiais como simbólicas.” A reflexão é de Rodrigo Alonso, em artigo publicado no sítio Rebelión, 23-02-2015. A tradução é de André Langer.

Eis o artigo.

A dinâmica política do Estado espanhol das últimas décadas foi, para muitos, um modelo exemplar de gestão política de longo prazo e de êxito na consolidação da democracia liberal. A alternância eleitoral entre um partido de direita e um de centroesquerda ou socialdemocrata parecia ser um jogo de fantoches perfeito para combinar uma mudança nas formas com a continuidade do conteúdo. Um bem aceito bipartidarismo monoclassista.

Mas esse “pacto de cavalheiros’ defrontou-se com dois obstáculos. Por um lado, a crise econômica (hoje o desemprego está perto dos 24%) e a paulatina “periferização” da Espanha. O S de PIGS refere-se a Spain e se disse de forma ocorrente que se trata de um país em “desenvolvimento”. A crise é uma base material necessária. Nunca se alterou uma ordem no marco da satisfação geral, mas não suficiente.

O outro elemento que confluiu foi a emergência de uma arriscada aposta político-eleitoral que soube ler o momento e em menos de um ano de existência chutou o tabuleiro político espanhol. Trata-se do Podemos, o partido liderado pelo cientista político e jornalista televisivo de 36 anos Pablo Iglesias, que, em maio de 2014, após quatro meses de fundação, apresentou-se às eleições europeias onde obteve um pouco mais de 1.250.000 votos e fez cinco eurodeputados e hoje é colocado em várias pesquisas de opinião como a maior força em intenção de votos para as próximas eleições gerais no final deste ano. [1]

Como fez uma força política com menos de um ano criada para redefinir um cenário político que parecia sólido e posicionar-se seriamente como opção de poder eleitoral? Mesmo sabendo das enormes diferenças entre o curso histórico espanhol e o uruguaio, que ensinamentos podemos extrair do fenômeno Podemos para alimentar a ação política da “nossa esquerda”? [2]

Seguindo as contribuições de Iñigo Errejón em seu breve e interessante artigo “O Podemos para leitores latino-americanos” [3], assinalam-se ao menos três pontos que podem nos ajudar a problematizar a nossa ação política daqui para frente.

Um. Propostas eleitorais e lideranças podem dinamizar organicidade popular e abrir novos cenários políticos.

Há um velho axioma em parte da nossa esquerda que diz que o acúmulo de forças se dá primeiro “abaixo” (tomada de consciência, organização de base) e depois, eventualmente, pode seguir uma expressão “por cima”, isto é, uma aposta eleitoral. A experiência do Podemos sugere que se pode dar o processo inverso. Quando as condições são propícias, a construção de uma opção eleitoral, seu posicionamento público em termos de massas e determinadas lideranças, podem catalisar grandes segmentos de descontentamento acumulado, unir forças dispersas e dinamizar processos organizativos de “abaixo” promovendo a construção de poder popular (assembleias locais, círculos políticos em nível de bases, incorporação de grandes contingentes à militância ativa). Talvez a Venezuela seja outro exemplo desta dinâmica invertida, onde um catalisador como Hugo Chávez acaba ganhando a eleição de 1998, partindo em duas a história venezuelana e abrindo um novo cenário assinalado por um processo de construção de poder de base em grande medida impulsionado pelo próprio Estado.

Dois. O assalto do senso comum.

O discurso do Podemos, mesmo sendo de esquerda e crítico das políticas de austeridade impulsionadas por sucessivos governos na Espanha, inovou nas formas. Em um elemento básico como é a delimitação do “nós” e o “eles” esquivaram a clássica polarização esquerda versus direita e a substituíram por “acima” versus “abaixo” ou a “casta” versus a “população”. Nessa nova demarcação da fronteira foi possível acrescentar uma maior quantidade de identidades.

Outro elemento chave é o uso no discurso de “significantes vazios” (democracia, país, bem-estar, mudança, população, justiça). Trata-se de conceitos universais de uso corrente e legitimados no senso comum, que ao mesmo tempo são tão amplos que a priori não dizem nada e, portanto, incluem a todos. Aqui a disputa não passa pelas palavras, mas pelo seu conteúdo. É possível falar com palavras “normais” e que, além disso, fazem parte do instrumental simbólico da ordem, sempre e quando as ressignificarmos e as politizemos em um sentido emancipador. Por exemplo, se as identidades de classe não identificam e, atualmente, o mais arquetípico dos operários com seu macacão de trabalho azul, provavelmente se reconhece antes como morador de algum bairro, torcedor do Peñarol ou membro da classe média do que como classe operária, então é preciso ter flexibilidade tática para apoiar-se em outros elementos simbólicos que, sim, identifiquem (“população”, “povo”, “maioria”), embora isto não implique necessariamente deixar de fazer uma política com conteúdo de classe. Na hora da disputa dos imaginários e da construção do discurso importa menos o que objetivamente é um sujeito e mais como este se reconhece a si mesmo.

Qualquer força que parta de uma situação de minoria e, portanto, precise crescer e abrir-se a si mesma o espaço político para existir, não pode começar o caminho entrando em colisão direta com o senso comum de seu tempo. É preciso conectar-se com ele, assentar-se nele e a partir daí ressignificá-lo. Se, pelo contrário, a estratégia passa por afirmar-se nas características identitárias mais específicas e, portanto, mais diferenciadoras, então o resultado mais provável será a marginalidade política.

Três. A importância do midiático.

Finalmente, o fenômeno Podemos nos fala também da importância da presença midiática para a disputa pela hegemonia. Pichações, adesivos e panfletos são fundamentais, mas atualmente a maior campanha de propaganda de rua talvez não alcance o impacto de poucos minutos em um meio de comunicação massivo. Os meios comunitários, por sua vez, podem ser chaves em etapas de defensiva e resistência, mas provavelmente sejam insuficientes para a disputa de sentido em termos de massa.

É claro que a presença nos meios não é uma mera opção; trata-se de um espaço a priori vedado para quem se propõe a alterar uma determinada ordem e, além disso, tem possibilidades reais de fazê-lo (que não é o caso da nossa esquerda no curto prazo). Se não houver uma definição e uma estratégia clara para ganhar um lugar no terreno midiático, os poucos segundos com possibilidades para emitir uma mensagem a ser recebida por massas será quando algum programa matinal convidar um militante como quem convida uma pessoa que diz ter avistado um óvni em Lavalleja, ou seja, como uma curiosidade ou uma extravagância pitoresca.

Queiramos ou não, atualmente, grande parte da política transcorre na base da existência midiática, fazer de conta que esse terreno não existe ou é inexoravelmente hostil é deixá-lo inteiramente ao adversário e, portanto, renunciar à disputa pelo poder.

...

Não sabemos o que, finalmente, acontecerá com o Podemos. Em princípio, abriu uma interessante fenda em um sistema político que parecia sólido, mas nada garante que não acabe sendo mais que uma nova bomba de fumaça eleitoral ou uma nova peça de reposição para a sobrevivência do poder de classe em uma Espanha com um bipartidarismo em crise. Mais além da sorte que possa correr, com sua curta existência e audácia concedeu-nos diversos elementos para pensarmos em nossos processos.

A nossa esquerda, que desde o golpe de Estado até o momento provavelmente nunca foi uma opção real de poder, tem diante de si muito para aprender e crescer. Particularmente, no plano da comunicação de massas e na disputa pelos imaginários, terreno no qual a experiência do Podemos pode ajudar. Somos uma esquerda rápida para os adjetivos e as desqualificações (que são reformistas, que estão correndo para o centro); mais útil, porém, é a compreensão do fenômeno em sua complexidade. Necessitam-se menos fórmulas herdadas e mais análises sobre as atuais coordenadas históricas tanto materiais como simbólicas. Talvez desta maneira possamos ir dando forma a um discurso próprio, que sendo simples, forte, emotivo, politizador e agregador de identidades, vá abrindo passagem no imaginário comum, condição necessária embora não suficiente, para a disputa pela hegemonia.

Notas:

[1] Ao menos três dos principais dirigentes do PodemosPablo Iglesias, Iñigo Errejón e Juan Carlos Monedero – colaboraram com os governos do Equador, Bolívia ou Venezuela e grande parte de suas teses políticas foram construídas sobre a base do que aprenderam em sua passagem por estes países latino-americanos.

[2] Suponhamos que existe em nosso país, transversalmente aos partidos e às organizações, uma força social que se propõe a aumentar a soberania sobre os espaços econômicos estratégicos e o excedente social, ao mesmo tempo que se aumenta a participação na renda nacional dos setores trabalhadores, se abre espaços no exercício do poder político em chave de democracia protagônica (assalto plebeu à institucionalidade) e se segue aprofundando a agenda de direitos para continuar desmantelando o Uruguai conservador. A algo assim se poderia chamar de “nossa esquerda”.

[3] Errejón, Iñigo (2014). “Podemos” para leitores latino-americanos. www.rebelion.org (acesso 03-02-2015).

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24 Feb

O grito da Selva ao Planalto: povos indígenas de Rondônia estão em Brasília

Reverberando o movimento indígena, os Kayapó, em audiência com o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disseram que caso os parlamentares insistissem na aprovação da PEC 2015, semanalmente povos de todo o Brasil se fariam presentes em Brasília para protestar e dizer não ao projeto.

A nformação é de Egon Heck, publicada pelo Cimi, 23-02-2015.

Nesta semana, os povos Suruí, Cinta Larga, Arara, Puruburá, Wajonô, Karitiana, Guarassungue, Oro Waram Xijein, Oro Mon e Oro Waram farão ouvir o seu grito contra a PEC 215 e todas as iniciativas anti-indígenas tramitando no Congresso, no Executivo e no Judiciário. São os povos indígenas de Rondônia mobilizados. Os problemas e desafios contra os quais estão lutando são múltiplos. Porém, a “questão que envolve tudo é a terra, a demarcação e proteção”, afirma Agenor Karitiana.

Durante essa semana terão audiências e contatos com diversos órgãos e instituições dos Três Poderes. Conforme Agenor Karitiana “já lutamos muito. Enfrentamos inimigos perigosos.  Fomos aos poucos construindo nosso movimento e organização. Vimos que o inimigo nosso está muitas vezes dentro do governo. Os que deviam proteger nossos direitos são os que tentam impedir a demarcação de nossas terras”.

Para o indígena, a postura do governo federal faz o jogo do fazendeiro. “Hoje temos novas lutas contra as PECs, contra os projetos de REDD, captura de carbono, que vem ameaçando o território Suruí, provocando conflitos internos. Mas nós vamos falar duro na defesa dos nossos direitos e denunciar o que ameaça nossos povos”, afirma.

Agenor luta pelos direitos de seu povo e dos povos indígenas desde o período da Constituinte, na década de 1980, e ressalta a importância desse momento e a grande participação dos jovens e das mulheres. “Olha aí, esse é meu filho e aquele é filho de Eva Kanoé e Piau, lá de Sagarana”. E avisa: “No início de abril vamos fazer uma grande Assembleia dos povos indígenas de Rondônia. Vamos fazer ouvir o nosso grito e cobrar do governo nossos direitos”.

Terra, o problema número um

Dentre os principais problemas, ressaltam os indígenas a paralisação do processo de demarcação das terras dos povos Cujubim, Miguelem, Wajoro, Puruburá, Cassupá, Kaririana, Kaxarari, além da extrusão da Terra Indígena Rio Negro Ocaia.

É grave a situação de invasão dos territórios indígenas em Rondônia, por madeireiros, empreendimentos do governo federal, incluindo pequenas centrais hidrelétricas.

Outro grande problema que enfrentam os “povos resistentes” (aqueles que saem do silêncio imposto pela colonização) de Rondônia é a morosidade no reconhecimento étnico, caso dos povos Guarasugwe e Chiquitano, além da documentação dos povos Cujubim, Miguelem, Warojo, Puruburá e Cassupá. Eles vêm cobrar do governo, por intermédio do Ministério da Justiça e Funai, agilidade nesses processos e a garantia dos direitos coletivos, especialmente à terra, mas também saúde e educação, entre outros.

Vítimas da borracha, dos garimpos, dos madeireiros e da colonização

A partir da década de 1960 e principalmente de 1970, houve a invasão massiva e sistemática dos territórios indígenas em Rondônia por projetos de colonização, pela expansão da frente agropecuária e garimpeira. O grande estímulo a essas invasões se deu a partir da construção da BR 364, que cortou as terras de vários povos e forçou a rápida e irresponsável “pacificação” de vários povos. Basta lembrar a terrível chacina dos Cinta Larga, do Paralelo 11, a mortandade dos Pacaás NovosOro Wari, da região de Guajará Mirim.

Um relato da época menciona que no início da década de 60 o contato precipitado com os Pakaa NovaOro Wari fez com que o povo fosse reduzido de 3 mil para menos de 500 indivíduos (Folha do Acre 17/07/1963). “Confirmando reportagens por nós divulgadas, a fome, a doença e aventureiros inescrupulosos estão dizimando os índios Pacaás Novos, que habitam as selvas de Rondônia. De um grupo de 400 selvícolas restam apenas 91, em estado precário. Essas foram informações prestadas à imprensa pelo Dr. Noel Nutels" (Alto Madeira, Porto Velho, 16-03-1962).

Poderíamos elencar inúmeros casos de violência e extermínio dos povos indígenas de Rondônia. Mas eles sobreviveram a todas as formas de violência, e hoje estão em Brasília, trazendo seu grito da selva e do massacre aos responsáveis pelo Estado brasileiro.

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24 Feb

Argentina. O Papa pede para evitar a “mexicanização”

“Tomara que estejamos a tempo de evitar a mexicanização”. Em uma breve mensagem o Papa Francisco manifestou toda a sua angústia em relação ao avanço do narcotráfico na Argentina. Respondendo a uma mensagem de seu amigo e deputado por Buenos Aires, Gustavo VeraFrancisco reconheceu as dificuldades que o seu país atravessa em matéria de crime organizado e tráfico de drogas. E confessou que seus Exercícios Espirituais desta semana o ajudarão.

 
Fonte: http://bit.ly/1DNxh5C  

A reportagem é de Andrés Beltramo Álvarez e publicada no sítio Vatican Insider, 23-02-2015. A tradução é de André Langer.

“Vejo o teu trabalho incansável a todo vapor. Peço muito para que Deus te proteja, assim como os alamedenses. E tomara que estejamos a tempo de evitar a mexicanização. Estive falando com alguns bispos mexicanos e a coisa é de terror”, escreveu o Pontífice em um correio eletrônico dirigido ao líder da associação de luta contra o tráfico de pessoas La Alameda.

Postada no sábado passado, 21 de fevereiro, a mensagem faz referência ao retiro que o líder católico começou na tarde deste domingo 22. A este respeito assinalou: “Amanhã vou, durante uma semana, fazer os Exercícios Espirituais com a cúria romana. Uma semana de oração e meditação me fará bem. Desejo-te coisas boas. Saudações à tua mãe. E, por favor, não te esqueças de rezar por mim”.

Não é a primeira vez que o Papa se mostra atento a esta situação. Em 31 de março de 2013, recebeu a juíza federal argentina Zunilda Niremperger em uma audiência privada na Casa Santa Marta do Vaticano. Durante o encontro, que durou cerca de 40 minutos, ambos abordaram temas relacionados ao narcotráfico e ao tráfico de pessoas.

Nessa ocasião, Francisco mostrou interesse em conhecer a situação do tráfico de drogas no norte e no sul do seu país natal, especialmente nas Províncias do Chaco e Formosa. Além disso, manifestou seu apoio ao documento sobre o tema emitido pela 107ª Assembleia Plenária da Conferência dos Bispos da Argentina em 07 de novembro de 2013.

“A sociedade vive com dor e preocupação o crescimento do narcotráfico em nosso país. São muitos os que manifestam sua angústia em relação a esse flagelo. Comove-nos acompanhar as mães e os pais que já não sabem o que fazer com seus filhos drogados, a quem veem cada vez mais perto da morte. Ficamos sem palavras diante da dor de quem chora a perda de um filho por overdose ou violência vinculadas ao narcotráfico”, indicou esse texto.

Já nessa época os bispos temiam que as condições no país pudessem piorar rapidamente. Por isso advertiam: “A Argentina está correndo o risco de passar para uma situação de difícil retorno. Se os dirigentes políticos e sociais não tomarem medidas urgentes levará muito tempo e custará muito sangue erradicar estas máfias que foram ganhando cada vez mais espaço. É verdade que o desafio é enorme e o poder de corrupção e extorsão dos grupos criminosos é grande. Mas não é verdade que nada pode ser feito”.

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24 Feb

Grécia adia entrega de lista com reformas econômicas

Atenas perde prazo e posterga para terça-feira envio de documento com propostas para reorganizar a economia do país. Aprovação dos ministros das Finanças da zona do euro é condição para extensão do programa de resgate.

A reportagem é publicada por Deutsche Welle, 23-02-2015.

Atenas perdeu o prazo e adiou o envio de uma lista com propostas de reformas econômicas para os ministros das Finanças da zona do euro. A apresentação do documento, que tinha como data-limite esta segunda-feira (23/02), é condição para a extensão de quatro meses do programa de resgate financeiro à Grécia.

"A lista de reformas será enviada amanhã [terça-feira] de manhã para os ministros das Finanças do Eurogrupo", afirmou uma fonte do governo grego.

Segundo a fonte, as medidas contemplariam todas as promessas feitas pelo partido esquerdista Syriza, do primeiro-ministro Alexis Tsipras, antes de sua vitória nas eleições de janeiro.

Se confirmado, isso incluiria, por exemplo: eletricidade gratuita para 300 mil famílias pobres; acesso gratuito ao sistema de saúde; vales-transporte e vales-alimentação; além de ajuda para os cidadãos com aposentadorias pequenas. No entanto, a fonte do governo não detalhou quanto as medidas custariam ao Orçamento público grego.

Outras medidas incluiriam um sistema tributário "mais justo", providências para combater a evasão fiscal, a corrupção e o contrabando de combustível e tabaco, e a reestruturação do serviço público e a redução da burocracia.

Os ministros das Finanças dos 19 países-membros da zona do euro precisam aprovar as medidas antes de concordar em estender os termos do programa de resgate de 240 bilhões de euros da Grécia, que, caso contrário, expirará no sábado.

Governo culpa credores

Para a análise e a aprovação do plano grego, os ministros das Finanças realizarão uma teleconferência nesta terça-feira.

Em entrevista ao canal americano CNN, o ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, culpou os credores pelo atraso.

"Não houve nenhum atraso. Estávamos prontos nesta manhã e foi apresentado na hora certa. Foi um pedido do outro lado para que nós não apresentássemos o documento, oficialmente, até amanhã", afirmou Varoufakis.

Diplomatas da União Europeia (UE), no entanto, disseram que o atraso foi devido ao fato de que as informações fornecidas pelo governo grego sobre os planos de reforma não tinham sido convincentes o suficiente. Documentos iniciais de trabalho não passariam pela aprovação, disseram nesta segunda-feira, sob condição de anonimato.

Mais cedo, o tabloide alemão Bild noticiou que Atenas planeja levantar um total de 7,3 bilhões de euros através de medidas fiscais e de anticorrupção. A publicação afirmou que o governo grego pretende angariar 2,5 bilhões com taxações mais elevadas para os ricos do país; outros 2,5 bilhões recuperando impostos não pagos por pessoas físicas e empresas; e 2,3 bilhões combatendo o contrabando de gasolina e cigarros.

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