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Uma nova ontologia molecular da vida
A impressão de uma mão artificial, a criação de vida sintética, o transplante completo de face, uma nova droga que ajuda a controlar a dependência de bebida alcoólica e até mesmo a invenção de medicamentos como o Viagra. Essas (...)

“As pessoas se mobilizam mais pelo veto do que pelo desejo de voto”
Em entrevista à Rede Brasil Atual – RBA, 22-10-2014, o filósofo Vladimir Safatle, apesar da postura crítica ao atual governo, avalia que o candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, seria incapaz como presidente de levar a (...)

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26 Aug

Frases do dia

Risco desastroso

“Ainda antes da queda, aquele avião já era portador de um risco desastroso para as pretensões políticas de Eduardo Campos. Com provável corresponsabilidade dele ou não, tanto faz” – Jânio de Freitas, jornalista – Folha de S. Paulo, 26-08-2014.

Tem o que dizer

“Beto Albuquerque tinha na Câmara, e mantém como candidato, responsabilidades de liderança no PSB que tem o que dizer, à Justiça Eleitoral e à Polícia Federal, no mínimo sobre os gastos com o avião” – Jânio de Freitas, jornalista – Folha de S. Paulo, 26-08-2014.

Tudo igual

"A notícia de presos decapitados no presídio de Pedrinhas, Maranhão, horrorizou-nos no Brasil civilizado, pela ferocidade ainda viva no atraso do Norte. Os dois mais recentes decapitados o foram no presídio de Cascavel, no rico e civilizado Paraná. O Norte tem razão de estar horrorizado com o Sudeste-Sul. A tão proclamada unidade do Brasil existe mesmo" – Jânio de Freitas, jornalista – Folha de S. Paulo, 26-08-2014.

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26 Aug

Tuitadas

Alexandre Costa ‏@alexaraujoc
Acho que a coerência ecológica que restou à Marina foi a reciclagem do neoliberalismo.

Alexandre Costa ‏@alexaraujoc
Com receituário neoliberal completo, vejo que Morena Marina não apenas se pintou como se colloriu...

Alexandre Costa ‏@alexaraujoc
econeoliberalismo?

Andrés Beltramo A. ‏@sacroprofano
El Papa Francisco conmovido por el desalojo de un predio en Villa Lugano, Bs As. "Parecía Gaza… y me puse a llorar", dijo…

Cultura BR ‏@NaCulturaBR
Paulo Leminski completaria 70 anos hoje... #poesia #literatura


PSTUdoB ‏@PSTUdoB
SOCIALISMO É IGUAL ANDAR DE BICICLETA OS OLIGARCAS NÃO GOSTAM

trutherbot ‏@trutherbot


FONDATION B. BARDOT ‏@FBB_PORTEPAROLE
Malaysia: pygmy elephants poisoned for palm oil https://www.rainforest-rescue.org/mailalert/905/malaysia-pygmy-elephants-poisoned-for-palm-oil?ref=tw … via @RainforestResq

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26 Aug

Norte-americanos estão conscientes do impacto dos seus hábitos de consumo no meio ambiente

“Os norte-americanos são responsáveis por muitos dos problemas ambientais porque consomem mais recursos e produzem mais resíduos na comparação com outros países.” Com essa afirmação, concordaram 70% dos cidadãos norte-americanos entrevistados para o estudo “Novo Sonho Americano”. A pesquisa foi realizada pela PolicyInteractive para o Centro para um Novo Sonho Americano entre março e abril deste ano com 1.821 norte-americanos com mais de 18 anos de idade.

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A reportagem foi publicada pelo sítio Akatu, 21-08-2014.

O estudo identificou que 85% dos norte-americanos estão conscientes de que mudanças substanciais no modo de vida são necessárias para proteger o meio ambiente. Eles também estão cientes da produção excessiva de resíduos no país: 91% concordaram que o seu modo de vida produz muitos resíduos.

A pesquisa, que investiga os anseios dos norte-americanos, abordou assuntos como economia, meio ambiente, publicidade e saúde, com as mesmas perguntas feitas para o estudo anterior, há 10 anos. As conclusões do levantamento indicam que o “sonho americano” segue mais o caminho da sustentabilidade do que o do consumismo: valorizam mais a liberdade pessoal, a oportunidade de explorar o seu potencial individual e a integração com a natureza. Além disso, 38% dos entrevistados tomou providências nos últimos cinco anos para diminuir a carga horária de trabalho, mesmo que isso acarretasse uma remuneração financeira mais baixa.

No Brasil, o Instituto Akatu identificou um crescimento da compreensão sobre sustentabilidade e do interesse por informações. O contingente de brasileiros que “ouviram falar” do termo sustentabilidade aumentou de 44% para 60% em dois anos, bem como o interesse de buscar informações sobre o tema (de 14% para 24%), revelou a pesquisa Pesquisa Akatu 2012: Rumo à Sociedade do Bem-Estar. Quando comparado a diversos outros, os dois únicos temas que tiveram expressivo crescimento no nível de interesse do consumidor foram justamente o da Responsabilidade Social Empresarial e o da Sustentabilidade: em 2010, ambos estavam em um patamar inferior a todos os demais e, em 2012, 24% apontaram seu interesse no tema Sustentabilidade e 25% em Responsabilidade Social Empresarial, praticamente ao mesmo nível de temas tradicionais, como Empresas/Negócios (26%) e Política (30%).

O levantamento conclui também que houve crescimento na adesão a práticas de consumo consciente no Brasil, ainda que, nesse momento, apenas de maneira eventual e não contínua. De 11 comportamentos considerados indicativos de consumo consciente, quando se adiciona aos consumidores que aderem “sempre” a esses comportamentos aqueles que aderem “às vezes”, oito comportamentos apresentaram aumento em relação a 2010, entre eles: planejar a compra de alimentos e roupas, desligar lâmpadas, fechar torneiras, usar o verso do papel, e ler rótulos dos produtos.

Esta tendência é reforçada por outro importante resultado da pesquisa feita pelo Akatu: solicitados a priorizar seus desejos, os entrevistados optaram, em uma significativa maioria, por soluções mais sustentáveis. Em cinco dos oito temas propostos (afetividade, alimentos, água, mobilidade, durabilidade, energia, resíduos e saúde), eles deram preferência a alternativas mais ligadas ao “caminho da sustentabilidade” do que as relacionadas ao “do consumismo”. Um exemplo é o tema da afetividade, que possui a maior diferença entre os consumidores que preferem o cenário mais sustentável (passar tempo com amigos e família – com índice de prioridade de 8,3 em uma escala de 0 a 10) ao invés do consumista (comprar presentes – com índice de 2,6). Vale destacar que a preferência pelo “caminho da sustentabilidade” ocorre em todas as classes sociais, faixas etárias e em todos os segmentos socioeconômicos e geográficos.

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26 Aug

Novas visões sobre o mundo rural

Plural, denso e provocador. Embora as reduções não combinem com o conteúdo e a dimensão física do livro O mundo rural no Brasil do século 21 – A formação de um novo padrão agrário e agrícola, que tem os professores Antônio Márcio Buainain (foto) e José Maria da Silveira, ambos do Instituto de Economia (IA) da Unicamp, entre os seus editores, os três termos oferecem uma boa pista da proposta da obra.

A reportagem é de Manuel Alves Filho e publicado por Jornal da Unicamp, 25 de agosto de 2014 a 31 de agosto de 2014.

Composto por 1.200 páginas, 37 capítulos e 51 autores, o volume traz um conjunto de artigos que pretende contribuir para uma reflexão atualizada e “menos romântica” sobre o universo rural brasileiro, que sofreu profundas transformações nas últimas décadas. Entre as teses defendidas, e que devem gerar polêmica, está a de que o momento de se fazer uma ampla reforma agrária no país já passou. “Vivemos uma nova realidade, que não pode ser analisada com a mesma lupa dos anos 50 ou de 30 anos atrás”, afirma Buainain. Também são editores do livro os pesquisadores Eliseu Alves, fundador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e até hoje reverenciado como o principal responsável pelo sucesso da empresa, e Zander Navarro, igualmente da Embrapa.

O livro, editado pela Embrapa e pela Unicamp, com patrocínio do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), é o resultado do esforço de um grupo de cientistas ligados a cerca de 20 instituições brasileiras e estrangeiras. Nenhum dos autores, como faz questão de registrar Buainain, recebeu qualquer honorário para escrever os artigos. “A obra nasceu do compromisso acadêmico desses pesquisadores”, diz. A gênese do trabalho está ligada a um artigo que os quatro editores produziram em conjunto e que foi publicado em 2013 pela Revista de Economia Agrícola.

O texto recebeu o título de Sete teses sobre o mundo rural brasileiro, numa homenagem ao sociólogo mexicano Rodolfo Stavenhagen e ao economista brasileiro Antonio Carlos Barros Castro, que na década de 60 e 70 publicaram, respectivamente, “Siete tesis equivocadas sobre América Latina” e “Sete ensaios sobre a economia brasileira”. “Esses trabalhos confrontaram os pensamentos dominantes da época, por meio de propostas analíticas muito criativas que buscavam atualizar as interpretações sobre a realidade de então”, explica Buainain.

Por causa da grande repercussão do artigo, os autores tiveram a ideia de produzir um livro e convidar outros autores para discutirem as 7 teses sobre variados aspectos do mundo rural no Brasil neste século. Segundo Buainain, a única exigência imposta aos autores foi que eles discutissem sobre uma das teses ou acerca de algum ponto a elas relacionado. “Deixamos os colegas à vontade no que se refere ao conteúdo das abordagens. Essa liberdade de expressão certamente vai ser identificada pelos leitores. O livro é bastante plural. Ao mesmo tempo em que temos um artigo assinado pelo professor Bastiaan Philip Reydon [IE-Unicamp] defendendo a tese de que, a despeito da nossa conturbada herança agrária, o momento de se fazer uma ampla reforma agrária no país já passou, o professor Pedro Ramos (IE-Unicamp) oferece uma reflexão diferente, afirmando que ainda há espaço e é fundamental que a reforma agrária ainda seja executada. Em outras palavras, o livro não é permeado por um pensamento único”, reforça o editor.

O professor Bastiaan Reydon explica que procurou demonstrar em seu artigo que existe, sim, uma clara relação entre desenvolvimento e distribuição de terra. Segundo ele, o Brasil tem a pior distribuição de terra do mundo. “Entretanto, eu também tento demonstrar que o momento histórico para promover uma reforma agrária, nos moldes daquela defendida ao longo de algumas décadas, já passou. Não concordo com a tese de que nunca houve uma reforma agrária no Brasil, como postulam os autores das 7 teses. Atualmente, 13% dos estabelecimentos rurais brasileiros são oriundos de reforma agrária, que certamente não alcançou a dimensão que o país precisava. Entretanto, a questão atual é de outra ordem. Hoje, o ponto central é que a agricultura moderna não tem limites de terra. Você anda por Campo Novo de Parecis, no Mato Grosso, e encontra propriedades com 20 mil, 30 mil hectares. Isso não gera eficiência. A grande parte dos ganhos desses proprietários rurais vem da especulação da terra. Isso é que tem que ser mudado. O desmatamento na Amazônia, por exemplo, não é para a implantação de pastos, mas para especulação. O Estado brasileiro precisa assumir a missão de exercer governança sobre a propriedade da terra”, defende Reydon.

A tese central em torno da qual se organizam as demais, aponta o professor José Maria da Silveira, é de que o Brasil vive uma nova fase de desenvolvimento agrário e agrícola. “Esta nova fase envolve profundas mudanças no modo como as coisas são feitas, na utilização da tecnologia, na relação entre o mundo rural e o urbano. Trata-se, portanto, de uma fase muito distinta das anteriores. A agricultura que tinha uma produção extensiva, baseada na ocupação de terra e no uso de mão de obra barata e abundante, passou a ser uma agricultura intensiva, baseada principalmente na inovação tecnológica. O crescimento da fronteira agrícola se mantém, mas num padrão completamente diferente. Antes, a ocupação era feita por pequenos produtores. Hoje, é protagonizada pelos grandes empreendimentos”, explica.

Desconsiderar transformações tão radicais, adverte o editor do livro, pode levar o pesquisador a interpretações que falseiem a realidade. Outro exemplo das mudanças ocorridas no mundo rural, e que ainda não são bem compreendidas por determinadas correntes de pensamento, diz respeito à disponibilidade de mão de obra no campo, tema apenas mencionado logo acima. No artigo assinado pelo professor Alexandre Gori Maia [IE-Unicamp] e Camila Sakamoto, estudante do IE que acabou de receber o prêmio de Melhor Dissertação em Economia Agrícola, concedido pela Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural (Sober), o assunto é esmiuçado. Nele, os autores chamam a atenção para o equívoco de um expressivo número de pesquisadores, que continuam tratando a agricultura como um segmento no qual a mão de obra é abundante. “Em muitos lugares, há uma expressiva falta de força de trabalho, inclusive na agricultura familiar”, sustenta Gori.

O economista destaca que muitos jovens não querem mais ficar no campo, por diferentes razões. Muitas vezes eles preferem aceitar um emprego precário na cidade que trabalhar na propriedade da família. “É difícil falar em tendência, pois o território brasileiro é grande e marcado por diferenças. Entretanto, quando comparamos o retrato do país em 2010 com o de dez anos antes, verificamos que nas áreas rurais o número médio de integrantes das famílias caiu de quatro para três pessoas. Além disso, aquele filho que ficava no campo, e que tinha baixo nível de escolaridade, passou a ter maior acesso à escola e começou a sair em busca de oportunidades nas áreas urbanas. Ou seja, a ideia de mão de obra abundante transformou-se num mito”.

Em termos simplificados, o que O mundo rural no Brasil do século 21 – A formação de um novo padrão agrário e agrícola pretende mostrar é que a agricultura brasileira tem uma história de sucesso, mas que este êxito é permeado por contradições e problemas. “O que está dito no livro é que as condições que determinaram o sucesso da agricultura brasileira não garantem a manutenção desse status. Quando olhamos os elementos que explicam o boom e a importância dessa atividade, como a disponibilidade de terra, mão de obra e tecnologia que permitiu a ocupação dos cerrados, vemos que eles não estão mais presentes e já não são suficientes para sustentar o crescimento,” diz Buainain. “Ademais, nosso modelo enfrenta atualmente uma acirrada concorrência externa. Não dá para continuar falando que o Brasil é o celeiro do mundo e que ninguém tem condições de produzir alimentos como o país. Hoje, a China está investindo em agricultura tropical na África e a Croácia está produzindo frangos com a nossa tecnologia e nossos técnicos, mas com mão de obra local”, assinala o professor José Maria da Silveira.

O mundo rural no Brasil do século 21 – A formação de um novo padrão agrário e agrícola deveria ter sido lançado oficialmente no último dia 7 de agosto, em evento marcado para a USP. Na oportunidade, o ex-ministro Delfim Neto ministraria uma palestra aos cerca de 250 inscritos. “Infelizmente, tivemos que cancelar o evento porque um grupo de grevistas bloqueou todos os acessos à universidade. É mais um exemplo de predação da Universidade, em nome de uma pretensa defesa da instituição, e da falta de respeito aos direitos dos que querem trabalhar, mesmo sem ter tido os salários reajustados. Vamos tentar remarcar essa atividade para o começo de setembro, também em São Paulo. Em Campinas, o lançamento está marcado para o dia 25 de setembro, durante um seminário que realizaremos no Instituto de Economia. Na oportunidade, vamos trazer alguns dos autores do livro para debater com outros convidados. Esse evento é financiado pelo Fundo de Apoio ao Ensino, à Pesquisa e Extensão [Faepex] da Unicamp”, adianta Buainain, que admitiu ter a expectativa de que a obra tenha boa repercussão junto aos gestores públicos.

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26 Aug

Brasil e Estados Unidos autorizarão os primeiros eucaliptos transgênicos

Brasil e Estados Unidos estão por terminar o processo para aprovar, pela primeira vez no mundo, o uso comercial de eucaliptos geneticamente modificados em seus territórios. O governo brasileiro receberá o resultado das consultas públicas sobre a comercialização destas árvores transgênicas durante a primeira semana de setembro. De maneira semelhante, os Estados Unidos divulgarão de forma iminente o rascunho de uma avaliação de impacto ambiental que começou no início de 2013.

A reportagem é de Carey L. Biron, publicada por Envolverde/IPS, 22-08-2014.

Embora a indústria do papel afirme o contrário, vozes críticas alertam que o uso de árvores geneticamente modificadas (GM) agravará o desmatamento. As aprovações oficiais de Brasília e Washington significariam o ponto de partida para toda uma nova gama de produtos que outros países também desenvolveriam.

“Se Brasil e Estados Unidos tiverem a permissão para comercializar essas árvores, nada impediria de exportarem esses produtos para que outros países os cultivassem”, afirmou Anne Petermann, diretora-executiva da organização ecológica Projeto Ecologista pela Justiça Mundial (GJEP) e coordenadora da Campanha para Deter as Árvores GM, uma rede que anunciou uma iniciativa mundial no dia 20.

As “árvores GM cresceriam mais rápido e teriam maior valor econômico, por isso as plantações convencionais atuais se converteriam em plantações transgênicas em muitas partes da África, América Latina e Ásia”, pontuou Petermann à IPS. “Além disso, tanto Europa quanto Estados Unidos estudam outras árvores com engenharia genética que gerariam toda uma série adicional de possíveis impactos”, acrescentou.

Até agora, os Estados Unidos só autorizaram o uso de duas árvores frutíferas transgênicas. O eucalipto será a primeira espécie florestal GM com aprovação oficial. A União Europeia, Austrália e outros países examinam aprovações semelhantes, enquanto a China já produz álamos transgênicos. O eucalipto é uma árvore especialmente lucrativa e é a madeira dura que mais se planta no mundo, sendo usada principalmente na produção de polpa e produtos derivados do papel.

Provavelmente, os Estados Unidos utilizarão o eucalipto também para alimentar a crescente demanda mundial por bicombustíveis, em particular na forma de tijolos de madeira ou briquetes. O país é o maior produtor mundial de briquetes, e só em 2012 suas exportações cresceram 70%.

As autoridades norte-americanas estudam dois tipos de eucalipto modificado geneticamente para resistir a geadas e certos antibióticos, o que permitiria ter plantações muito mais ao norte. A empresa que pediu a aprovação oficial, a ArbonGen, afirma que, com a introdução de suas mudas, se ampliaria em quatro vezes as áreas deste país que poderiam plantar eucaliptos.

A ArbonGen calcula que a autorização oficial multiplicaria por 20 suas vendas, que em 2017 ficariam em cerca de US$ 500 milhões, segundo um informe publicado em 2013 pelo Centro para a Segurança Alimentar. Do mesmo modo, analistas brasileiros preveem que o mercado de produtos de eucalipto cresça 500% nos próximos 20 anos.

Mas está comprovado que o eucalipto, cultivado em plantações convencionais durante anos, é especialmente problemático e até perigoso como monocultura: precisa de um volume de água extremamente alto para crescer e é muito invasivo. As árvores também são altamente combustíveis. Calcula-se que quase três quartos da energia das chamas de um incêndio devastador no Estado da Califórnia, na década de 1990, provinham de eucaliptos.

Muitos temem que o selo oficial de Brasil e Estados Unidos impulsione o modelo de produção da monocultura. “Está demonstrado que este modelo é muito negativo para as comunidades e a natureza locais, já que expulsa e limita o acesso das pessoas aos seus territórios e deteriora e contamina os recursos de água, especialmente no Sul mundial”, ressaltou à IPS, do Uruguai, Winfridus Overbeek, coordenador do Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais.

“Muitas destas plantações no Brasil são um obstáculo para a muito necessária reforma agrária que permitiria a muitos que passam fome finalmente produzir alimentos em suas próprias terras. Mas, com o modelo das plantações, a maior parte da madeira produzida se destina à exportação, para atender a demanda de papel cada vez maior em outros lugares”, acrescentou Overbeek. Como dizem os camponeses brasileiros, “o eucalipto não se pode comer”, enfatizou.

Apesar do auge dos meios digitais, a indústria mundial do papel continua sendo uma gigante que se alimenta da demanda diária de um milhão de toneladas de papel e seus produtos derivados. Em 2010, foram usados 400 milhões de toneladas de papel, segundo o Fundo Mundial para a Natureza, e o número pode aumentar para 500 milhões de toneladas ao ano até o final desta década.

A ArborGen e outras vozes a favor das árvores transgênicas e do sistema de plantações em geral afirmam que um maior uso das árvores “cultivadas” reduzirá a pressão sobre as florestas autóctones. De fato, o lema da empresa é “Mais madeira. Menos terra”. Mas as repercussões da monocultura são evidentes. A Indonésia, por exemplo, permitiu o corte de mais da metade de suas florestas nos últimos 50 anos para abrir caminho para as plantações de palma.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), as plantações mundiais duplicaram sua produção média de madeira entre 1990 e 2010, mas o tamanho das mesmas também cresceu 60%. “Embora as árvores de crescimento mais rápido pareçam lindas e úteis, na realidade é exatamente o contrário. Na medida em que adquirem maior valor, se destina mais terras a elas”, afirmou Petermann. “Especialmente no Brasil, por exemplo, onde a intensificação da madeira em cada hectare faz com que cada vez mais terra se converta” à monocultura, acrescentou.

Em junho, mais de 120 grupos ecologistas de todo o mundo propuseram reformas integrais para garantir a sustentabilidade da indústria do papel, que tradicionalmente é um motor importante do desmatamento. A proposta, Uma Visão Global Para o Papel, exorta os usuários e produtores a “rejeitarem a fibra procedente de organismos modificados geneticamente”.

“Defendemos a conservação e redução do consumo como primeiros passos lógicos antes de manipular a natureza e pôr os sistemas naturais em risco de contaminação”, advertiu Joshua Martin, diretor da Rede Ambiental do Papel, uma organização com sede nos Estados Unidos que coordenou a proposta.

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