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| 1/12/2009 |
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''Um resultado chocante. É o triunfo do medo'', afirma politólogo muçulmano |
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"Um resultado chocante". Tariq Ramadan, um dos máximos especialistas sobre Islã europeu, controverso defensor da necessidade de um enraizamento das comunidades muçulmanas no interior da realidade europeia, reage assim aos resultados do referendo na Suíça. Um país que ele conhece bem, porque é nele em que reside quando não leciona em Oxford ou gira para conferências no resto da Europa.
A reportagem é de Francesca Caferri, publicada no jornal La Repubblica, 30-11-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis a entrevista.
Chocante por que, professor Ramadan?
Porque as pesquisas davam só 30% de apoio a essa iniciativa, e pelo contrário foram desmentidas. E porque o resultado demonstra que os partidos mais extremistas são os que estão liderança o debate sobre o Islã na Europa. Acontece na Suíça, mas também na Holanda e entre vocês, na Itália. Está sendo alimentado o medo das pessoas para passar a mensagem de que o Islã não é compatível com a sociedade europeia. E isso é chocante.
Portanto, estamos diante de um fenômeno que vai além das fronteiras suíças?
Sim, certamente. Assistimos a questão do véu na Alemanha, a das escolas na Itália: o problema verdadeiro é o da nova visibilidade das comunidades muçulmanas. Qualquer sinal – um vestido, a cor da pele, um símbolo religioso, uma sala de oração – torna-se um problema. Há na Europa o medo constante de que aquilo que é diferente possa mudar o continente.
O que pode ser feito para mudar essa atitude?
Eu penso que o problema está em ambas as frentes. Os muçulmanos devem deixar de buscar ser invisíveis e inserir-se no debate em todos os níveis: falar de ecologia, assim como de economia. As sociedades europeias deveriam ser mais corajosas: discutir sobre marginalização, desemprego, pobreza. São esses os elementos que podem criar futuros inimigos dentro da Europa, não a religião. A Europa deve mostrar confiança com relação a seus próprios cidadãos. São precisos programas corajosos, partidos corajosos: se o debate ficar na mão dos partidos populistas, as coisas não irão melhorar, porque dirigem-se só à contraposição.
O senhor vê alguma responsabilidade da comunidade muçulmana nessa falta de diálogo?
Sim, certamente. Os muçulmanos até agora não trabalharam o suficiente para fazer com que sua voz seja ouvida e que suas posições sejam compreendidas.
Espera alguma forma de violência agora?
Não, não na Suíça. E francamente não na Europa. O que eu temo é que os grandes países de maioria muçulmana tomem posições duras. As manifestações de raiva teriam consequências políticas pesadas. Não chegaremos a nenhum lugar dessa maneira.
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Data:
5/4/2001
a
13/11/2010
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