O papa Bento XVI desconcertou um grande número de católicos ao atribuir o maior passo em falso do seu pontificado à uma utilização insuficiente da Internet. “Foi-me dito que acompanhar atentamente as informações que se podem obter na Internet teriam permitido um rápido conhecimento do problema”, escreveu, em março de 2009, aos bispos numa alusão à revogação da excomunhão ao bispo Williamson, integrista e que nega o Holocausto.
A reportagem é de Stéphanie Le Bars e publicada pelo jornal Le Monde, 13-11-2009.
Preparado antes “deste erro de comunicação”, os trabalhos que se abriram na quinta-feira, dia 12 de novembro, em Roma, no seio da Comissão Episcopal Europeia para os meios de comunicação – CEEM, poderão contribuir no combate a estas lacunas.
Durante quatro dias, uma centena de pessoas (bispos, responsáveis diocesanos do serviço de imprensa) vão imergir na cultura da Internet, encontrando os responsáveis pela rede social Facebook, do motor de buscas Google, do microblogging (troca de mensagens curtas) Identi.ca ou da enciclopédia social Wikipédia. Um hacker suíço e um especialista da Interpol completarão a apresentação das possibilidades da Rede.
“Nós precisamos estar lá onde estão as pessoas”, insiste Jean-Michel Di Falco Léandri, bispo de Gap, presidente da CEEM.
Orações Online
Quinta-feira, o antigo porta-voz dos bispos franceses refletiu sobre a incapacidade da Igreja a usar os recursos da Internet, especialmente como “instrumento de evangelização”. A sua análise critica uma comunicação demasiadamente marcada pela organização vertical da Igreja católica. “A Internet nos faz descer da nossa cátedra magisterial, nos faz sair dos nossos guetos, das nossas sacristias”, afirma o bispo francês.
Desafiados pela “geração WEB”, os membro da CEEM deverão se interrogar sobre “as conseqüências eclesiológicas, os efeitos sobre o próprio governo da Igreja, o lugar da religião no mercado Internet, as maneiras de proclamar o Evangelho”.
O bispo Di Falco Léandri constata a vantagem conquistada pelos sites protestantes “evangélicos” em termos de audiência. “Os sites católicos são centrados sobre eles mesmos. Eles falam a linguagem dos iniciados entendida exclusivamente por estes. Os sites evangélicos, pelo contrário, querem chegar aos internautas, utilizando a Internet como vetor de evangelização”.
Certamente cada diocese tem o seu site mais ou menos alimentado, os blogs de padres se multiplicam, as orações e os retiros “online” aparecem. O Vaticano, cujo site é muito pouco amigável, lançou em janeiro seu próprio canal no Youtube. Mas esta presença não é um fim em si, insiste Di Falco Léandri: os sites “cristãos devem ser provocadores da consciência”.
Para ler mais:
|